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vgBR | 19 de julho de 2019

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Resident Evil 2 Remake – Análise

Resident Evil 2 Remake – Análise
Átila Graef

Review

Nota
9.5
9.5

O melhor Resident Evil já produzido

Atualiza com maestria um dos melhores jogos da Capcom, entregando um enredo de primeira, jogabilidade refinada, gráficos foto-realistas e muita tensão, resgatando a experiência perfeita do survival-horror que consagrou a série.

Resident Evil 2 é um remake do survival horror original do primeiro PlayStation de 1998. A sequência de sucesso expandiu os horizontes para além da mansão do primeiro jogo, apresentando novas localidades na infestada Raccoon City, introduzindo dois novos protagonistas e personagens importantes no universo da série.

O remake de Resident Evil 2 foi por muito tempo um dos jogos mais aguardados pelos fãs, chegando a ser cotado pela Capcom para desenvolvimento por Shinji Mikaki, aos moldes do remake do primeiro Resident Evil para o GameCube de 2002. Mikami no entanto, trabalhava em Resident Evil 4 na época e por isso não teria condições de assumir o projeto que acabou engavetado pela empresa, sem nunca ver a luz do dia. Até que em Agosto de 2015, a Capcom  enviou um pedido de cancelamento de um projeto feito por fãs, para um remake de Resident Evil 2 na Unreal Engine 4. O motivo? A empresa finalmente estava trabalhando no remake oficial de Resident Evil 2.

Quase 3 anos se passaram sem maiores informações desde o anúncio, mas o game finalmente seria revelado na E3 2018, com o trailer abaixo. Ao contrário do original, a jogabilidade com controles de tanque e ângulos de câmera fixos seriam aposentados em troca da jogabilidade moderna da série com uma visão de jogo de tiro em terceira pessoa semelhante a Resident Evil 4.

Os eventos do jogo se passam 2 meses após os acontecimentos do primeiro Resident Evil. A maioria dos moradores de Raccoon City foi infectada e transformada em zumbis pelo T-Virus, uma arma biológica secretamente desenvolvida pela empresa farmacêutica Corporação Umbrella. Leon S. Kennedy, um policial em seu primeiro dia de trabalho, e Claire Redfield, uma estudante universitária procurando por seu irmão Chris, se dirigem ao Departamento de Polícia de Raccoon sem saber que um “apocalipse zumbi” tomou a cidade.

Mesmo com a história conhecida de longa data, a equipe de produção caprichou no desenvolvimento da trama, criando novas situações para encaixar melhor no enredo e manter o clima com tensão na medida certa. Resident Evil 2 não é um game tranquilo e a medida em que fui progredindo, me senti cada vez menos seguro na delegacia de Raccoon City.

Dificilmente me assusto com jogos. Mesmo alguns dos melhores games de terror modernos falham em manter a imersão do medo quando você precisa repetir uma sequência pela quarta ou quinta vez consecutiva. Muito do medo parte do receio que temos ao encarar o desconhecido e se perde quando você já sabe o que esperar da situação depois de repetir inúmeras tentativas. Jogos mais scriptados como Outlast, sofrem desse mal. Havia um receio de queResident Evil 2 pudesse se perder nesse sentido, visto que a historia inteira do jogo já era conhecida pelos fãs e o remake mantém os principais pontos da trama intactos. Mas a nova produção da Capcom me fez gritar. Não me recordo de tomar tantos sustos com um game desde Alien Isolation com a diferença de que aqui, fui jogar confiante de que já sabia o que esperar e que nada seria tão assustador assim, afinal eu já havia terminado o original inúmeras vezes. Felizmente eu não poderia estar mais errado e a atmosfera é tão pesada que eu temi pela vida de Leon como se fosse a minha.

O produtor Yoshiaki Hirabayashi disse que a equipe estava se esforçando para capturar o espírito do jogo original ao mesmo tempo em que tentou tornar o remake mais realista. Esse foco no desenvolvimento foi possível graças a utilização da RE Engine, mesmo motor gráfico de Resident Evil 7. Com modelos poligonais foto realistas, os zumbis tornaram-se realmente assustadores. É possível ver a pupila esbranquiçada nos olhos vazios do morto-vivo e suas bocas se contorcendo de sofrimento e ódio, babando ao partir para cima de você. Esse não é mais um game onde você mata zumbis aos montes, a ameaça aqui é real. Remetendo ao original, a munição continua escassa e os inimigos agora são muito mais resistentes fazendo você realmente pensar se vale a pena gastar balas para se livrar dos mortos-vivos ou tentar desviar e seguir seu caminho.

Com o novo sistema de câmera, as criaturas espreitam, aproveitando a iluminação fraca, fumaça e os cantos escuros das salas. O novo sistema de câmeras também afetou o design do som e esse passou a ser um dos principais diferenciais para criar a tensão no ambiente. Toda a parte de áudio do jogo foi recriada, dos efeitos a trilha sonora, que embala o clima e te indica de forma não muito sutil quando o perigo se aproxima. Jogar de headset ou um sistema de Home Theater 5.1 fará toda a diferença na imersão de Resident Evil 2.

A ideia de colocar o horror sobre a ação resgata as raízes da série, criando uma sensação claustrofóbica na ambientação. A tensão da abertura das portas que camuflava o tempo de carregamento entre as salas foi substituída e agora você entra direto nos ambientes hostis sem cortes, empunhando a lanterna para iluminar os corredores e salas escuras do distrito policial. A primeira parte do jogo deixa você se acostumar aos controles enquanto dosa a ameaça, mas conforme você vai avançando a situação se deteriora ao ponto de que nenhum local da delegacia vai ser exatamente seguro. Novos elementos de jogabilidade foram adicionados, como a necessidade de bloquear as janelas do térreo da delegacia com ripas de madeira para evitar que mais zumbis entrem no distrito policial, dificultando sua jornada. Ao mesmo tempo, o desafio foi balanceado e a necessidade de fitas de tinta para salvar seu progresso nas máquinas de escrever só é exigida na dificuldade mais alta enquanto o modo Normal conta com salvamento automático e a vontade, sem restrições. Resident Evil 2 não é exatamente um jogo difícil, mas sim desafiador, reforçando a necessidade de economizar recursos do jogo original, enquanto te coloca em situações novas de muita tensão.

Levei aproximadamente 8 horas para finalizar a campanha de Leon e menos tempo na segunda jornada com Claire, explorando aproximadamente 70% do game nas duas jogadas. Acredito que para finalizar 100% e abrir todos os segredos ainda vão mais umas 8 horas pelo menos.

O game chega ao PlayStation 4, Xbox One e Windows PC na Steam em 25 de janeiro de 2019 e suporta melhorias no PlayStation 4 Pro e no Xbox One X, oferecendo suporte a resolução 4K ou opção de gameplay a 60 quadros por segundo, mas seja qual for a plataforma escolhida, você estará diante de um dos jogos mais bonitos da geração. Os efeitos de iluminação, partículas, modelos de personagens e monstros tornam a ambientação do game extremamente realista e estão entre os melhores já produzidos pela Capcom. A versão dessa análise foi a do PC, rodando num Intel Core i7 6700k, com 16 giga DDR4 HyperX Savage 3000mhz e NVIDIA Geforce GTX 1080, com todos os efeitos no Ultra e Vsync, mantendo 60 quadros por segundo cravados durante o gameplay. Também testamos a performance num notebook gamer Avell G1511 FOX com Intel Core i7 8750H de oitava geração, 16 giga DDR4 e uma Geforce GTX 1050Ti. No notebook, o game rodou no High mantendo a taxa de quadros por volta de 45 a 50 com todos os efeitos ligados.

Foram longos anos de espera, mas finalmente o remake está entre nós. Resident Evil 2 atualiza com maestria um dos melhores jogos da Capcom para a nova geração, entregando um enredo de primeira, jogabilidade refinada, gráficos foto-realistas e muita tensão, resgatando a experiência perfeita de survival-horror que consagrou a série. Estamos diante de um forte candidato a jogo do ano e fica a torcida para que a Capcom mantenha o embalo e engate logo a produção de Resident Evil 3: Nemesis nos mesmos moldes. Obrigatório!

Pontos Positivos

  • Enredo atualizado entrega uma história cativante
  • O auge do terror na série. É o Resident Evil mais assustador já feito!
  • Um dos jogos mais bonitos da geração

Pontos Negativos

  • Pouca variedade de inimigos
  • Infelizmente o jogo acaba só resta aguardar o anúncio do remake de Resident Evil 3
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.