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vgBR | 17 de junho de 2019

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One Piece: World Seeker – Análise

One Piece: World Seeker – Análise
David Signorelli

Review

Nota
5
5

Bonito, mas ordinário

One Piece: World Seeker tinha tudo para ser um bom jogo, mas infelizmente seus defeitos na parte mais importante de ação-aventura faz com que os jogadores acabem cansando dele muito rápido

One Piece é sem sombra de dúvidas um dos animes/mangás mais famosos da atualidade, o mangá existe desde 1997 e continua até hoje, conseguindo cada vez mais destaque. Claro que com todo esse sucesso, diversas empresas disputam para produzir produtos baseados na franquia e One Piece: World Seeker é um deles.

O jogo se trata de uma história original e faz parte do gênero ação-aventura em um mundo aberto, trazendo todos os personagens clássicos em mais um grande desafio. Desenvolvido pela Ganbarion e publicado pela Bandai Namco, One Piece: World Seeker promete demais e entrega muito pouco, infelizmente.

YOU WANNA BE MY FRIEND?

Antes de mais nada gostaria de deixar bem claro que não sou fã de One Piece, entretanto simpatizo bastante com esse universo, na época da sua estréia em anime eu assisti até uma certa parte e parei por algum motivo que esqueci afinal faz pelo menos 20 anos isso.

Quando World Seeker foi anunciado fui logo descobrir quem era o desenvolvedor dele, bato os olhos e vejo que foi a Ganbarion, o mesmo estúdio que fez um dos meus jogos favoritos do Nintendo Wii, o Pandora’s Tower e para aumentar mais ainda meu hype, é divulgado que se tratava de uma história original, não precisando de muito conhecimento prévio da série para poder curtir o jogo.

Ao meu ver parecia uma receita de bolo ideal e os trailers mostravam um cenário bem promissor, com um mundo aberto e belos gráficos, o game realmente prometia. Olha, se tem um departamento que eles realmente acertaram foi justamente na história original. A aventura dos piratas dessa vez acontece em um arquipélago chamado Jail Island e nela Luffy encontra uma misteriosa mulher de cabelos verdes chamada de Jeanne, que faz parte do grupo Anti-Navy (A Navy está na cola dos piratas no universo de One Piece) e depois de muito rolo, sequestros e longas conversas, ambos se juntam para acabar com a opressão que assola a ilha.

O desenrolar da história é bem bacana e confesso que fiquei surpreso pois não esperava muita coisa nesse aspecto, garanto que alguns fãs de One Piece iriam gostar que Jeanne se tornasse canônica depois de seu papel em World Seeker, porém tenho quase certeza que isso não vai acontecer.

WORLD SEEKER

Chegou a hora de colocar nosso herói Luffy para correr em Jail Island. Com um vasto mundo para explorar, as possibilidades são imensas… certo? Mais ou menos. Depois de um extenso tutorial, o jogador está liberado para usar as habilidades básicas de Luffy, que por sinal é o único personagem jogável nesse jogo, e elas não são muitas.

A mais usada com certeza é a estilo “Homem-Aranha” que ao usar o botão de mira, Luffy possa usar seus braços elásticos para lhe impulsionar em direção ao objeto escolhido que normalmente é a ponta de uma árvore ou o telhado de uma casa.

No começo nem dá para sentir muito que estamos controlando um personagem duro e limitado, tudo fica mais evidente depois quando precisamos andar por distâncias consideráveis, vale ressaltar que existe um sistema de fast travel em World Seeker, mas independentemente você ainda precisará liberá-los.

Conforme vamos realizando as missões, sejam elas de história ou opcionais que são mega genéricas, somos presenteados com Skill Points que servem para melhorar Luffy em diversos aspectos. Eu recomendo que inicialmente foque mais em pontos de exploração ao invés dos de combate ou de status base, pois você TEM que liberar movimentos como o foguete de impulso e o helicóptero de pernas… me perdoe pois não lembro do nome deles de cabeça.

O jogo tem muita verticalidade, ainda mais quando você chega em Steel City e deseja explorar os prédios, portanto quanto menos “duro” seu Luffy puder ser, melhor. Falando em “dureza”, hora de falar do combate de World Seeker… minha nossa. Já começo falando que o jogo é desprovido de um sistema de lock-on em pleno 2019, portanto se prepare para dores de cabeça ao tentar enfrentar um inimigo. Some isso ao fato de que boa parte dos ataques são super simples e você não precisa de muita estratégia durante as lutas, mesmo em chefes.

Esquive e defende de vez em quando, pronto, você conseguirá acabar o jogo sem dificuldades, Luffy tem muita vida e para morrer tem que querer muito. Grande parte dos inimigos do jogo usam armas de fogo, mas mesmo assim o desafio é super baixo, em diversos momentos pensei que fosse algo de propósito pois Luffy deve ter se tornado muito forte em suas aventuras e estou tentando ser positivo.

Mas ser positivo é complicado nesse jogo. Tudo é desinteressante e chato, a batalha é chata, o mundo é entediante e vazio, explorar o mapa da sono e mesmo tendo alguns elementos simples de RPG como equipamentos, a sensação de mesmice perdura no jogo inteiro. Eu insisti e em alguns momentos pensei que poderia ter salvação, entretanto o que senti foi um sentimento de vazio.

CHAPÉU DE PALHA

One Piece: World Seeker é um jogo muito bonito, sem exageros falar que deve ser um dos jogos mais belos baseados em um anime/mangá. As cores são mega vibrantes, os modelos dos personagens principais são praticamente um anime em movimento e os cenários são interessantes, especialmente Steel City, que tem uma atmosfera meio chinesa, lembrando bastante a segunda cidade de Gravity Rush 2.

Pena que ainda sim dá para encontrar coisas extremamente mal feitas como uma loja inacessível em Steel City onde dá pra ver personagens lá dentro totalmente imóveis, parecendo bonecos. Pode parecer besteira, visto que a grande maioria dos jogadores nem vai reparar nisso, mas não custava nada colocar pelo menos uma animação de respiração neles.

A trilha sonora é uma porcaria, desculpem o termo, com exceção do tema de abertura, que lembra uma música do Sonic e do final, as demais músicas do jogo foram tiradas do lixo, são extremamente genéricas e esquecíveis, ainda bem que durante grande parte do jogo não tem música alguma tocando.

Já a dublagem japonesa é maravilhosa, aqui resolveram esbanjar e logo contrataram os dubladores oficiais dos personagens, mantendo a identidade da série. Nami, Luffy e Zoro são perfeitos, excelente decisão da empresa não forçar uma dublagem em inglês desnecessária aqui.

WE ARE

One Piece: World Seeker tinha tudo para ser um bom jogo, mas infelizmente seus defeitos na parte mais importante de um jogo de ação-aventura fazem com que os jogadores acabem cansando dele muito rápido. As produtoras tem que entender que fazer um jogo de mundo aberto não se resume a cenários imensos e belos gráficos, a qualidade vai depender totalmente das possibilidades oferecidas nesse playground virtual.

Pros

  • História original de qualidade, personagens novos bem interessantes
  • Belos gráficos, cores vibrantes enriquecem o mundo de One Piece: World Seeker
  • Dublagem perfeita

Cons

  • Exploração tediosa
  • Combate tedioso
  • Mundo vazio e sem graça
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.