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vgBR | 16 de junho de 2019

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Sekiro: Shadows Die Twice – Análise

Sekiro: Shadows Die Twice – Análise
David Signorelli

Review

Nota
9.5
9.5

From Software alcança um novo nível

Sekiro é muito focado e contido, oferecendo o melhor e mais justo combate que já vi. Ele desafia, pune e traz um caloroso sentimento de alegria a cada encontro dominado. Não é para todos mas é o melhor game eu joguei em muito tempo.

Quanto à história da From Software é fato que, até agora, foram criados três títulos bem-sucedidos da série Dark Souls e como você sabe, esses trabalhos criaram subgêneros no gênero RPG.

Com Sekiro: Shadows Die Twice, novo game do estúdio publicado pela Activision para o Xbox One, PS4 e PC, a empresa decidiu tentar algo diferente que exigem duas coisas fundamentais: treinamento e paciência. Caso contrário você irá morrer mais do que morreu na fase do Jet Ski em Battletoads.

Eu não estou brincando: Sekiro irá massacrá-lo, forçá-lo a permanecer por horas na frente dos chefes, desgastá-lo e forçá-lo a agir sem cometer mais do que um ou dois erros por luta. Você terá que ganhar sua glória com dedicação inabalável, suportar a frustração do fracasso perpétuo e aprender com cada erro. Nada será perdoado e tudo dependerá apenas das suas habilidades. Sekiro nunca é justo ou injusto e se avançar às vezes parecerá impossíve. A falha não deve ser atrelada à falta de habilidade, mas única e exclusivamente à necessidade de ter que se adaptar do zero a um sistema novo, inovador e extremamente gratificante.

O SHINOBI

Sekiro: Shadows Die Twice apresenta uma história principal clara acessível a todos. Estamos no fim do período Sengoku, quando o caos das batalhas se alastrou e o Japão foi dividido em pequenos feudos em contínua guerra entre si.

O clã Ashina quer se rebelar contra o seu destino sequestrando o Divino Heir, cujo sangue tem o poder de superar as limitações da carne e permitir a ressurreição, a mecânica de jogo pela qual o protagonista pode ressuscitar diante dos inimigos.

O enredo doloroso é uma constante em todas as obras de From Software e  desta vez encontra a sua declinação mais mística e espiritual, que está ligada às fortes tradições folclóricas, religiosas, fantásticas e culturais do Japão.

A mitologia e os temas tocados por Sekiro são encantadores e reverberam pelas frases enigmáticas dos personagens que você encontrará, incentivando a procura do “lore” dos significados ocultos para interpretar os segredos que se escondem em uma terra golpeada por conflitos.

A MORTE

Juntamente com o enredo encantador, a sombra principal de Shadows Die Twice reside na sua jogabilidade. O novo jogo da From Software não é apenas um dos títulos mais desafiadores da atualidade, mas pode ser considerado como a melhor aventura de ação em seu estilo.

A From emprestou tudo o que tinha nos títulos anteriores do estúdio e atualizou cada um com vários níveis para tornar o produto final um trabalho excitante, desafiador e viciante. É isso mesmo: a taxa de dependência é tão alta que pode levar a uma enorme perda de tempo.

O sistema de batalha é sem dúvida uma das características mais profundas, mais precisas e distintivas dos títulos de ação. Para todas as campanhas, o jogador precisará de muita prática e deverá aprender o timing dos ataques de cada inimigo individualmente.

Sekiro diz adeus ao medidor de Stamina, permitindo, assim, que os jogadores corram, ataquem e se esquivem o quanto quiserem. Em vez disso, o combate concentra-se no sistema de postura para o jogador e os inimigos que ele encontrará. O principal objetivo do combate é quebrar a postura do seu oponente, deixando-o aberto a um golpe devastador. Isso muda muito o fluxo da batalha, forçando os jogadores a ficarem incrivelmente agressivos.

Dê ao seu oponente muito espaço para respirar e sua postura se recuperará rapidamente, levando a uma batalha prolongada em que é provável que você erre e morra em segundos. O pessoal que vive esmagando botões irá chorar aqui. Eu tive que me forçar a desacelerar e pensar em cada botão que apertava no meu controle, não importando o quão sutil fosse.

De um pequeno passo para a esquerda até uma esquiva perfeitamente cronometrada, o combate parece um jogo intenso de pedra, papel e tesoura com espadas, ao prestar muita atenção a cada movimento que um inimigo faz, assim, telegrafando se você precisará contra-atacar, desviar ou pular. O timing é tudo em Sekiro. Para realizar um contra-ataque bem-sucedido, você precisará bloquear no momento perfeito para jogar seu oponente para fora e soltar seu medidor de postura ou deixá-lo aberto para um ataque rápido. Bloquear cedo demais ou tarde demais afetará negativamente sua vida ou seu medidor de postura.

Ah, vale lembrar que Sekiro não tem modo multiplayer ou seja, é você e mais ninguém, que precisará encarar os desafios e os chefes terríveis, encarnando um verdadeiro Shinobi.

EXPLORANDO O JAPÃO

Um dos grandes charmes deste jogo é o braço mecânico que o protagonista usa. Para aproveitar todas as capacidades do braço mecânico do Shinobi, o jogador precisa explorar seus sentidos e encontrar seus upgrades em locais bem escondidos.

Falando em localidades ao invés vez de oferecer uma infinidade de lugares para irmos, os eventos de Sekiro acontecem em grande parte na área do Castelo de Ashina, onde direcionamos nossos primeiros passos, mas também retornamos muitas vezes. É aqui que as estradas vão para outros locais e também somos testemunhas dos eventos mais importantes da história.

Após desbloquear a parte principal do castelo podemos sair para o mundo e já no início da jogatina visitar realmente muitos lugares para os quais a história nos direcionará mais tarde. Graças à posição central do castelo nunca nos sentimos perdidos, porque sabemos para onde voltar a desenvolver o tema principal. O modo como a exploração e os locais foram projetados é uma verdadeira obra-prima. A introdução da linha com o gancho abriu mais possibilidades para a verticalidade.

O mundo de Sekiro é fascinante, consistente e bonito – esta é uma das melhores viagens que um produtor japonês nos pagou! Como resultado, obtemos um jogo que pode não oferecer áreas tão visualmente diversificadas, porque estamos mais frequentemente perambulando pelo segmento central do castelo, no entanto, temos muita liberdade para decidir para onde vamos e com quem lutamos.

O LOBO

Testando o jogo em um PS4 base, ele parece bom o suficiente, com uma aparência um pouco diferente dos demais jogos da From Software. Algo entre satisfatório e absolutamente belo, dependendo do cenário e dos inimigos que você está enfrentando. Em algum lugar entre as cores escorridas e o espetáculo arenoso e encharcado de sangue, ele tem seu próprio senso de identidade, mesmo que a aparência geral não seja tão atraente quanto a de outros títulos.

Certamente é o jogo mais belo do estúdio, ainda que não rivalize com alguns dos últimos lançamentos. Infelizmente, a taxa de quadros não é consistente e há frequentes quedas visíveis em algumas áreas que podem potencialmente impactar um jogo que é tão insistente em exigir precisão por parte do jogador.

A trilha sonora do jogo foi composta por Yuta Kitamura que fez um belo trabalho, usando até da sua própria voz e muitos tambores para ambientar o jogador nessa aventura. Pessoalmente eu gostaria que a música fosse mais consistente, pois ela é muito esporádica e momentos de silêncio chegam a dar sono.

VEREDITO

Ao contrário de muitos outros títulos, Sekiro é muito focado e contido, oferecendo o melhor e mais justo combate que já vi. Ele desafia, pune e traz um caloroso sentimento de alegria a cada encontro dominado. Não é para todos e não é absolutamente perfeito, mas é o melhor jogo que eu joguei em muito tempo.

Pros

  • Combate que exige concentração e dedicação, sendo extremamente satisfatório
  • Arte incrível e cenários de tirar o fôlego
  • Bastante conteúdo

Contras

  • A trilha sonora é boa, mas um jogo como esse merecia mais
  • Não consigo pensar em mais nada
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.