Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image

vgBR | 6 de dezembro de 2019

Ir para o topo

Topo

Sem Comentários

Mortal Kombat 11 – Análise

Mortal Kombat 11 – Análise
Átila Graef

Review

Nota
9.5
9.5

O melhor MK até hoje

Mortal Kombat é uma franquia que tem a capacidade de se reinventar a cada título. Novamente Ed Boon e a equipe da NetherRealm Studios conseguiram melhorar o que já era bom em cada aspecto possível.

Mortal Kombat 11 é o mais novo game da famosa série de luta criada por Ed Boon. Desenvolvido pela NetherRealm Studios e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment para o Xbox One, PS4, Nintendo Switch e PC, o game foi anunciado no The Game Awards 2018 com lançamento em 23 de abril de 2019.

A história é uma continuação direta de Mortal Kombat X de 2015, mas também serve como uma espécie de reboot dos eventos. Após a derrota de Shinnok nas mãos de Cassie Cage, Raiden é corrompido e planeja proteger o reino da Terra, destruindo todos os inimigos. A nova vilã Kronika é uma Guardiã do Tempo que não aprova a interferência de Raiden em favor do plano Terreno e por isso reescreve a história trazendo heróis e vilões do passado para o presente. Isso faz com que Shao Kahn, Jade, Baraka, Kabal e vários outros personagens que já haviam morrido retornem do passado criando caos e conflitos no reinado de Kotal Kahn. Com isso, nada do que aconteceu em Mortal Kombat permanece inalterado e novas alianças se formam envolvendo personagens do passado ao lado de suas versões do presente em algumas das melhores cenas que a série já apresentou até hoje.

O modo história tem aproximadamente 5 horas de duração, divididos entre 12 capítulos que colocam o jogador no controle de diversos protagonistas diferentes e continua sendo um dos pontos altos do jogo. A NetherRealm evolui sua fórmula de contar histórias no gênero com uma narrativa cinematográfica que mescla as cutscenes e batalhas alternando os protagonistas a cada capítulo da história. Alguns capítulos apresentam 2 protagonistas e você poderá escolher com quem quer lutar em algumas batalhas, o que quebra um pouco da linearidade. O fan service é forte: ver um Johnny Cage jovem discutindo e saindo na mão com sua versão mais velha é empolgante e divertido. O modo História também conta com um trabalho de localização de primeira, com excelente dublagem, dessa vez sem viagens de colocar Pitty para equalizar a cara de ninguém.

Na jogabilidade é notável uma evolução já nas primeiras lutas. O combate continua preciso e fluido mas a impressão é que o jogo ficou menos frenético, mais cadenciado e balanceado. No geral Mortal Kombat 11 expande e refina as idéias de seus antecessores, adicionando elementos e aposentando coisas que não funcionavam bem, culminando num dos melhores sistemas da série até hoje. Os X-Ray foram substítuidos pelos Fatal Blows que como os Raios X ainda causam uma grande quantidade de dano, mas só ficam disponíveis quando a barra de vida de um jogador cai abaixo de 30% e só podem ser utilizados uma vez por partida. Os novos Krushing Blows são uma variação aprimorada de um determinado movimento especial e são ativados com certos requisitos cumpridos. Outra novidade na série é a mecânica de Flawless Block, que permite uma janela de recuperação mais rápida após bloquear um ataque com timing preciso.

A maior mudança é possivelmente a remoção da habilidade Breaker de interromper os combos. As sequências de combos tem menor importância em Mortal Kombat 11 e a jogabilidade se baseia mais em sequências curtas, algo que remete aos dois primeiros jogos da série com um combate mais lento e menos punitivo. As barras de corrida e stamina foram eliminadas e o sistema de barras de especiais foi simplificado para permitir manobras ofensivas e defensivas amplificadas que podem ser usadas a qualquer momento das lutas. Há duas barras dedicadas para técnicas defensivas e duas para ofensivas e elas recarregam rapidamente, o que incentiva a usar bastante o novo sistema durante as lutas. A velocidade “mais lenta” no geral não foi uma mudança ruim e deu ao jogo um ritmo menos frenético, mais convidativo para novos jogadores e com a adição das barras no geral, também mais agressivo. Como parte da customização, os jogadores podem criar listas de uma dúzia de movimentos personalizados, melhorando o sistema Variation de 3 estilos diferentes para cada personagem apresentado em Mortal Kombat X.

A lista de personagens inclui uma seleção de 25 lutadores, dentre eles vários ícones da série como Kabal, Jade, Baraka, Frost, Skarlet, os chefões Shang Tsung e Shao Kahn, o retorno dos estreantes de Mortal Kombat X Erron Black e D’Vorah e três novos personagens: Geras, lacaio de Kronika grande e lento que possui a habilidade de manipular o tempo, Kollector uma espécie de demônio com 4 braços com foco em combos e Cetrion, uma deusa anciã da Terra, filha da vilã Kronika, e usa seus poderes elementais nas lutas. Infelizmente a vilã Kronika não é jogável.

A expansão do Tutorial também foi muito bem feita. O modo vai lhe guiar através das muitas mecânicas de jogo, das mais básicas as mais avançadas e realmente oferece um guia completo com vídeos de demonstração e até mesmo um cronômetro que mostra a velocidade com que você precisa apertar os botões para realizar um combo. É um modo completo que reflete a preocupação dos desenvolvedores em ensinar você a jogar o jogo aprendendo todas as mecânicas.

Assim como seu antecessor, Mortal Kombat 11 roda em uma versão customizada da Unreal Engine 3 e apresenta os gráficos mais bonitos da série até hoje. É impressionante ver o quanto a equipe da NetherRealm evoluiu do Mortal Kombat X, que já era um dos games de luta mais bonitos da geração. Os modelos de personagens estão maiores, com mais detalhes e graças a iluminação geral ser melhor trabalhada diversos momentos das lutas beiram o foto realismo. O gameplay continua rolando em sólidos 60 FPS mesmo nos consoles base. Essa análise foi feita rodando o game no Xbox One X.

Mortal Kombat 11 também introduz um sistema de equipamentos similar ao de Injustice 2. Esse sistema permite que você customize seu personagem como quiser, com os trajes de outras versões dos jogos da série, graças a uma enorme quantidade de itens desbloqueáveis de roupas e acessórios. Você pode obter novos equipamentos jogando o modo História, nas Torres do Tempo e também na Krypta. Cada personagem tem três tipos diferentes e cada um deles tem um conjunto de espaços vazios para aumentar os buffs. O problema é que é um sistema meio burocrático onde você precisa contar com a sorte de achar o item específico que você precisa para o personagem que quer usar.

Nas Torres do Tempo você vai encarar diversas batalhas com recompensas específicas que são atualizadas por hora, diariamente ou semanalmente. Cada luta neste modo conta com regras específicas que vão dificultar as condições de vitória, e é aqui que você vai passar a maior parte do tempo coletando moedas para usar na Krypta. Na Krypta a maior parte dos itens nos baús não parece ter um loot muito interessante, ao menos no começo da jornada. O problema é que coletar moedas é demorado e receber um item porcaria num baú que custou caro acaba frustrando um pouco. Fica a expectativa de que melhorem o fluxo de moedas numa próxima atualização.

No modo online tive poucas experiências pois o jogo ainda não havia sido lançado oficialmente e poucas pessoas habitavam os servidores. Mesmo assim consegui testar algumas poucas partidas contra brasileiros e não tive problemas de lag, ficando com a barrinha verde na maioria das lutas. Se o game final tiver essa qualidade o online será um sucesso.

Mortal Kombat 11 eleva o patamar de uma franquia que tem a capacidade de se reinventar a cada título. Novamente Ed Boon e a sua equipe da NetherRealm Studios conseguiram melhorar o que já era bom em cada aspecto possível. A volta dos personagens clássicos atendeu um apelo dos fãs sem estragar a história nem parecer forçado, o sistema de batalha ficou mais cadenciado e convidativo, os gráficos estão entre os mais bonitos dos jogos de luta e o online está funcionando bem entre os brasileiros. Possivelmente estamos diante do jogo de luta do ano.

Pontos Fortes

  • Os melhores gráficos da série
  • Modo História continua o ponto alto
  • Personagens veteranos retornam
  • Jogabilidade refinada

Pontos Fracos

  • Economia do game está meio ruim com poucas moedas entrando e custo alto na Krypta
  • Sistema de equipamentos e buffs é meio burocrático
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.