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vgBR | 19 de junho de 2019

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Rage 2 – Análise

Rage 2 – Análise
Danilo Morim

Review

Nota
6.5
6.5

Mundo aberto sem propósito

Com uma coleção falhas, mas uma jogabilidade saborosa, recomendo Rage 2 para quem realmente estiver afim de meter bala de forma descerebrada, enquanto ouve um podcast ou troca ideias no chat com os amigos.

Rage 2 é um jogo de tiro em primeira pessoa em mundo aberto desenvolvido em colaboração entre a ID Software e a Avalanche Studios (Just Cause e Mad Max) e publicado pela Bethesda para PC, PS4 e Xbox One. O game é uma continuação direta do primeiro Rage lançado em 2011, mas que abandonou muitos dos laços com a game anterior.

Como se é de esperar de um jogo da ID Software a jogabilidade é saborosa e vai render boas horas de diversão no mundo aberto sem graça criado pela Avalanche Studios em seu motor gráfico proprietário: Apex.

APOCALIPSE COLORIDO

Rage 2 é ambientado num mundo pós apocalíptico Cyberpunk que me lembrou muito o que a Ubisoft criou para Far Cry: New Dawn, lançado em fevereiro desse ano. Não sei ao certo os motivos de ambas empresas sintonizarem nesse mesmo canal, mas na minha opinião, deixar algo pesado e perverso como uma distopia apocalíptica com carinha de Teletubbies não é um caminho interessante ou que mereça ser seguido.

O primeiro Rage tinha estilística e formula muito inspiradas, mas mais limitadas, do que vimos em Borderlands. Ao mesmo tempo, o game tinha um approach bem diferente de Fallout 3 e outros jogos com essa temática.

Essa mudança de tom no segundo jogo não fez sentido pra mim e nem para o que apresentaram, pois ao mesmo tempo que Borderlands trata o pós-apocalíptico com completo descaso, todo seu entorno, com a ambientação e desenvolvimento de personagens, seguem essa mesma linha. Já em Rage 2 os personagens e a história do jogo se levam a sério e isso foi extremamente prejudicial a toda experiência narrativa do game.

Os personagens são mal desenvolvidos e sem graça, o vilão é genérico e bobão, a narrativa basicamente não existe e por isso basicamente toda estrutura de suporte a história do jogo é feita de areia e não sustenta a atenção do jogador nem no começo e nem no fim.

As cidades e o mundo aberto não oferecem nada de interessante e além disso não tem nenhuma coerência. São várias coisas jogadas em um mapa gigante, o que me lembrou bastante a estrutura genérica de todos os jogos da Avalanche Studios. Por esses motivos não espere nada da ambientação ou da história desse game.

LEGADO DE DOOM

A jogabilidade é o pilar que carrega todo trabalho de trazer alguma experiência positiva ao jogador. Eu não vou mentir que minhas primeiras 4 horas com o game foram as piores possíveis, não só porque eu lutei contra aceitar a proposta, mas também porque seu personagem é bastante cru e limitado e inicialmente não tem ferramentas para transformar o playground extremamente genérico e repetitivo do jogo em momentos interessantes.

Rage 2 só pode ser aproveitado se você abraçar as mecânicas de combate e aceitar o convite proposto ao jogador desde o início. O ponto forte dessa experiência vive dentro dos momentos que você puder literalmente botar para foder com os inimigos, seja dentro do carro ou nos cenários criados pelo time de desenvolvimento.

Quando entendi que Rage 2 era um game para andar em frente pra sentar a madeira a minha experiência de jogo passou de algo extremamente desagradável para algumas horas de diversão sem compromisso. Todos os sistemas de jogo servem para suportar essa progressão na jogabilidade e dar mais liberdade pro jogador simplesmente tocar o terror no deserto do Restart.

Uma coisa interessante é que a campanha oferece missões com design bastante lineares, que fazem um contra peso com restante das missões do mundo aberto, que são abertas e focadas em dar liberdade de abordagem aos jogadores. O game oferece inclusive uma boa variedade de inimigos e bosses que não enjoam o jogador por não ser um jogo tão longo.

As habilidades e as armas são adquiridas através da exploração dos mapas, mas os mais importantes ficam muito próximos aos seus objetivos principais. Eu recomendo que antes de mais nada você vá atrás dessas armas e skills porque serão elas que tornarão o game mais interessante e dinâmico. Isso pode tornar o jogo sacal no começo, mas vai melhorar muito seu tempo com o game.

MAMÃE PASSOU TINTA EM MIM

O trabalho técnico e artístico de Rage 2 é bom apesar de ser muito distante da proposta do primeiro jogo. Os ambientes e cidades cresceram bastante mas ficaram fieis ao primeiro game. Apesar da estética escrota, a arte é agradável e visualmente o game oferece cenas muito bonitas. Além disso no PC eles ofereceram bastante opções gráficas para poder balancear melhor a experiência de jogo.

O design de níveis, seja no mundo aberto ou nas missões de história, não se destaca, mas foi construído para dar satisfação de destruição e por isso não considero um defeito. Na minha opinião eles poderiam ter criado momentos de combate mais longos que pudessem extrair o máximo dessa jogabilidade gostosa e da boa variedade de inimigos e bosses.

Eu pude testar o game em duas configurações e a performance foi agradável. Numa configuração com a GeForce GTX 970 e i5 rodei o game em 1080p dinâmico (75%) no alto/medio com quase 60 quadros cravados. Na minha configuração principal que uso uma GeForce GTX 1070 Ti e um i7 consegui 1440p no Ultra com 60 quadros cravados.

A trilha sonora apesar de não ser nada memorável funciona muito bem dentro da proposta descerebrada do game e serve de pano de fundo para você destroçar quem estiver na sua frente. Os efeitos sonoros também não são grandes coisas mas são competentes e por isso desligar ou minimizar o áudio não será um problema.

Por ser um jogo de mundo aberto e focado na paulada acredito que o jogo esteja rodando muito bem no geral e não vai apresentar muitos bugs ou problemas técnicos para quem apostar no lançamento.

DESPERDICIO DE JOGABILIDADE

Sinceramente Rage 2, não foi uma experiência tão ruim quanto a que tive no seu início, mas que também não foi tão boa quanto poderia ter sido. Eu tenho um problema particular com a Avalanche Studios, que desenvolveu a maior parte do jogo, mas adoro a ID Software, que deu suporte para a concepção da jogabilidade e por esse motivo esperava um pouco mais.

Foram quase 13 horas até chegar nos créditos finais e minha opinião é de que com alguns ajustes e melhorias poderíamos ter sido agraciados com um game muito melhor. Infelizmente minha impressão final é que eles desperdiçaram as excelentes mecânicas e jogabilidade em um jogo muito ruim e que não conseguiu oferecer praticamente nada.

Com uma coleção falhas, mas uma jogabilidade saborosa, só recomendo Rage 2 para quem realmente estiver afim de meter bala de forma completamente descerebrada, enquanto ouve um podcast ou estiver jogando sem compromisso e trocando ideias num chat com os amigos. E mesmo assim acho que você deveria esperar uma bela promoção.

RAGE 1

  • Jogabilidade brutal e divertida
  • Gráficos e trilha sonora combinam com a proposta
  • Variedade de armas, inimigos e bosses

RAGE 2

  • Mundo aberto e ambientação muito fracos
  • Missão principal pouco desenvolvida e curta
  • Conteúdo do mundo é repetitivo e não tem propósito
  • História, narrativa e personagens completamente passáveis
Danilo Morim

Danilo Morim

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