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vgBR | 17 de setembro de 2019

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Grandia HD Collection – Análise

Grandia HD Collection – Análise
David Signorelli

Review

Nota
8
8

Remaster excelente

Retorno glorioso ao mundo de Grandia. Histórias leves e divertidas, gráficos melhorados e vozes originais em japonês numa coletânea de qualidade de dois ótimos RPGs para se jogar no portátil da Nintendo.

Retorno mais uma vez aos ambientes dos mundos aventurescos de Grandia, é com muito gosto que falo hoje sobre dois RPGs que me ajudaram a moldar minhas importantes experiências nessa trajetória de jogador, que colaboraram muito, inclusive, ao meu aprendizado da língua inglesa durante minha juventude.

Já não é novidade que os remasterizados estão vindo com tudo nestes últimos tempos, nunca vi tanto jogo bom saindo um atrás do outro dessa maneira, e agora é a vez de uma das série de games de RPG que eu mais tenho apreço, cujo quais foram muito populares no final de 99 e início dos anos 2000.

Estamos falando do Grandia original e o Grandia 2 que fazem parte desta coletânea para o Nintendo Switch, originalmente lançados para o Playstation 1 e o Sega Dreamcast respectivamente.

Desenvolvido pela GAME ARTS e distribuído pela GungHo Entertainment, Grandia definitivamente é a uma das melhores escolhas para se ter dentro da sua biblioteca de games no seu console da Nintendo. O pacote trás dois grandes clássicos com visuais retocados, indispensáveis para quem gosta de uma aventura cheia de viagens, mistérios sobre civilizações antigas, combates eletrizantes e uma trilha sonora de dar inveja, composta pelo grande Noriyuki Iwadare, orquestrando momentos memoráveis que poderão ser revividos nesta belíssima coletânea, com isso, eu espero fortemente que o mesmo trabalho que foi feito com os dois primeiros games, sejam feitos também no Grandia Xtreme e o no Grandia 3. Quem sabe logo mais num futuro próximo?

Ambos games estão com uma cara de novidade, a primeira grande diferença e a principal é a opção de jogar com o áudio original japonês, inédito por aqui.

Joguei Grandia 1 muitas vezes ao longo dos anos, mas nunca nem se quer havia escutado a voz dos personagens em japonês, e soa super estranho por conta de costume mesmo, estranho mas muito superior a dublagem em inglês.

Agora que o game moderno foi adaptado para o controle da geração atual, poder usar o analógico direito para movimentar a câmera é bem legal, já que antigamente você utilizava o L1 e o R1 para orientar-se no cenário. Pode até parecer pouca coisa, mas em jogos de 35-40 horas isso ajuda muito.

Segundo, os gráficos do primeiro game estão cristalinos, sprites estão bonitos, ocasionalmente acontece de alguns ficarem sem o “smoothing”, mas são coisas que não atrapalham a experiência, com tudo, as texturas foram renovadas nos cenários 3D, a alta resolução maravilhosa e 60 quadros constantes deixam a experiência especialmente mais agradável, as fontes foram alteradas também para melhorar a leitura e também os games praticamente não possuem mais intervalos de loading entre a transição de um lugar para outro, ou ao entrar em uma batalha. Mas infelizmente o cuidado que o Grandia 1 teve, parece que o 2 não foi levado tão a sério o polimento.

Grandia 2 tem alguns problemas técnicos de interface que são bem feios, principalmente pela quantidade de estouro de textura nas paredes, chãos, e até mesmo nos modelos dos personagens, e de tudo que é 2D, como fontes e menus ficaram com um aspecto de esticado, serrilhado, talvez seja arrumado com alguma atualização ou algo parecido, mas por enquanto está bem estranho, tem muito clipping também, se assemelha muito uma emulação jogada ao acaso.

Por outro lado, você poderá experimentar o novo modo Hard, acredito que era uma característica da versão do Windows que saiu a um tempo, e o Hard mode é bacana, faz você usar muitas skills e magias que ficaram obsoletas por conta da dificuldade quase inexistente do 2 original, ao invés de ficar spammando meia duzia de magia que aniquilava qualquer boss do jogo.

Sobre a mecânica dos jogos, Grandia é um RPG de turnos que não são baseados em encontros aleatórios no mapa, o jogador pode visualizar o inimigo perambulando pelo cenário para preparar uma abordagem ou simplesmente tomar uma rota diferente para se esquivar num aperto.

As dungeons e caminhos sempre terão save points que recuperam toda sua vida, então ambos os jogos podem ser curtidos com uma experimentação legal sem que você seja punido, seja testando um tipo de magia específica ou até mesmo ficar grindando pontos para melhorar seus personagens.

Grandia sempre segue uma linha bem particular de jogo, ele é bem linear e com poucas coisas para se fazer de opcional, mas a aventura é rica de outros elementos que compensam pra caramba alguma defasagem de extras por assim dizer. As dungeons são cheia de armadilhas, itens para coletar, objetos para interagir, eu gosto muito da maneira que elas foram construídas, bem mais interessante do que algo randomicamente gerado.

Em resumo do enredo dos dois games, a trama do primeiro jogo envolve o herói Justin que almeja seguir os passos de seu pai, um aventureiro que cruzou fronteiras jamais vistas. Depois de uma série de traquinagens no início do game, nosso herói segue viagem para o novo continente e então embarca em uma jornada que vai muito alem de uma simples aventura, junto de uma trupe de amigos estranhos que ele conhece no meio do rolê.

Grandia 2 conta a história de Ryudo, uma espécie de mercenário chamado Geohound que faz trabalhos mais sujos, aqueles que ninguém quer botar a mão na massa, e são super mal vistos por isso. Porém, ao ser contratado para ser o guarda costas de uma irmã da igreja de Granas (Granas, hehe), seus caminhos se entrelaçam em uma noite fatídica para botar um fim na maldição do deus do mal, Valmar, que veio a terra para semear o caos e a discórdia.

Parecido com o que temos em Final Fantasy, o sistema de batalha acontece com uma espécie de ATB em modo de espera, ou seja, uma barrinha que fica no canto da tela mostra a posição do aliado e do inimigo indicando quando será a hora dele executar uma ação, que ocorre ao chegar no ponto ACT, definindo assim o que você vai executar.
Entre o ACT e a execução da ação, é possível cancelar o ataque do inimigo com um Critical, ou uma skill que tenha o atributo Cancel, e assim, jogar ele para o fim da fila. Vale salientar que você pode ser alvo de cancelamento também, então tem que ficar atento para defender se estiver em uma zona de perigo eminente. Existem muitas magias e itens que mexem bastante a maneira que você anda entre uma ação ou outra, o sistema de batalha é intenso, divertido e muito estratégico, como todo jogo da série.

Por fim, eu amo Grandia, ponto. Tudo na série me agrada, personagens, musica, ambientação e sistema de batalha, é um carinho bem especial de fato, gosto até dos romancezinhos melosos. Eu sempre coloco Grandia nos meus top 10 melhores jogos ou melhores séries porque são jogos que não querem complicar sua vida, tudo flui muito bem, a simplicidade e o bom gosto da série como um todo é um charme que não se vê em muitos games, detalhes para as pequenas coisas em tudo que é lugar enriquece pra caramba o universo dos jogos.

Meu Grandia favorito é o Grandia Xtreme, o que é “mais fraquinho” segundo a crítica, mas garanto que a maioria das pessoas que jogaram ele ficaram entre as primeiras 5 ou 10 horas, infelizmente. Mas isso é para um outro dia.

Prós

  • Retoque legal no visual do primeiro jogo
  • Sem telas de loading
  • Controles facilitados
  • Modo Hard no Grandia 2 
  • Alta resolução e 60 quadros por segundo
  • Altamente divertido de se jogar num portátil

Contras

  • Tem um jeitão de emulador com filtros aplicados
  • Grandia 2 parecia que foi jogado as pressas
  • Alguns bugs visuais como clipping e em algumas faixas, principalmente as de boss do Grandia 1
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.