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vgBR | 17 de setembro de 2019

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Oninaki – Análise

Oninaki – Análise
David Signorelli

Review

Nota
7.5
7.5

RPG old-school divertido

 O universo é meio mal explorado e o jogo é bem linear, com variada customização do seu personagem, mas parece que muito do que você acaba fazendo torna-se repetitivo no final das contas. Seria interessante ter uma dungeon longa de extras.

Oninaki é um novo RPG-ação que joguei no nosso híbrido da Nintendo, uma surpresa pra mim pois eu acabei gostando muito mais do que eu esperava que iria, o game que chega para a biblioteca de games do Nintendo Switch, PlayStation 4 e Steam também, desenvolvido pela Tokyo RPG Factory, a softhouse responsável por jogos excelentes como I am Setsuna e Lost Sphere, e distribuído pela saudosa Square-Enix.

O game trata-se de um Action RPG clássico com uma temática muito adulta e melancólica apesar do visual mais cartunesco que o game adotou.

A história conta a aventura de um jovem rapaz chamado Kagachi. Quando era apenas um menino, ele precisou aprender a reprimir o sentimento de tristeza e solidão ao ver que seus pais partiram para o outro mundo ainda em seu leito final, pois caso houvessem mágoas e arrependimentos, suas almas não poderiam transitar em paz, lei pelo qual ele seguiria a risca nos próximos anos. Um tempo depois, Kagachi e Mayura, sua irmã, tornam-se membros ativos de um grupo chamado Watchers, agentes mediadores encarregados de levar as almas perdidas e desamparadas através do plano espiritual para o descanso eterno, mantendo assim um equilíbrio entre o reino dos mortos e dos vivos.

A história é contada como um RPG tradicional, com pequenas dublagens entre uma frase ou outra para dar uma vida ao diálogo. Eu compreendo japonês, então para mim as coisas ficaram um pouco mais legais também, hehe.

Contudo, a história chega a ser bem pesada apesar de ser emocionalmente bonita, pois ela trata de temas bem sérios como suicídio e morte, podendo causar um estresse psicológico real nas pessoas que são sensíveis ao assunto. Então se você não lida bem com esse tipo de conteúdo, recomendaria certamente outros jogos ao invés de Oninaki.

Embora Oninaki não seja o jogo com o melhor gráfico da atualidade, a interface é muito limpa, menus super simples e polidos, tudo organizadinho de uma maneira que não vai cansar visualmente quem está curtindo o game.

A trilha sonora e a dublagem são bem bonitas, diga-se de passagem. Com bastante temas lentos que combinam com a temática do jogo, o uso perfeito para romantizar pequenas cutscenes fizeram todo o charme, em contra partida também o game conta com temas bem rock pauleiras para as batalhas de chefe, que por sinal são impressionantemente up-beats e eletrizantes, fenomenal.

O jogador irá se aventurar por belos cenários artisticamente muito bem trabalhados com um bom gosto exemplar, repletos de conteúdo para se explorar e conhecer em praticamente dois universos diferentes do mesmo mundo.

Os locais do game são bem variados, desde florestas densas, calabouços, pântanos e regiões montanhosas, passagens com cerejeiras, sendo eles todos com variações entre o mundo dos vivos e dos mortos, podendo ser ativada a transição a qualquer momento com um simples toque no botão, no melhor estilo Soul Reaver (Quem lembra desse?).

A transição entre os planos permite acessar partes diferentes das dungeons, ativar quests com espíritos andarilhos no mundo dos mortos, coletar itens especiais e até enfrentar chefes opcionais, fazendo que o jogador fique constantemente explorando duas ou três vezes o mesmo local para coletar tudo o que for possível e junto a isso, dar aquela nivelada legal no XP.

Tratando-se de um Action RPG, Oninaki faz um bom trabalho em entregar um gameplay rico e completo em praticamente todos os aspectos técnicos dele.

A principal mecânica do game é o que chamam de Daemons, que são espíritos guardiões detentores de uma característica própria que influência 100% nos combates.

Você começa com o espírito Aisha, uma usuária de Katana que tem o foco golpes rápidos e movimentos precisos. Aisha lhe permite executar um dash de esquiva e equipar por vez 4 skills de combate, alem de executar combos fortes e longos com a possibilidade de emendar uma skill ou esquivar caso apertar um pouco.

Assim como Aisha, o jogador irá recrutar novos Daemons a medida que o jogo avança, seja ele através de enredo ou de sidequest, sua gama de modos de jogar vão só aumentando e deixando tudo mais interessante e complexo nas missões mais trabalhosas.

O jogador poderá equipar até 4 Daemons (entenda como se fossem classes, como Heavy Lance, arqueiro, guerreiro, etc) em um atalho para se adequar a situação atual em que você se encontra. Lembrando que a possibilidade de troca de espírito poderá ser feita somente em save points, então é bom cuidar com o planejamento anterior. Fato legal sobre os Daemons que são recrutado são os lores de cada um, todos os lores que são habilitados através da árvore de skills são bem atraentes e legitimamente legais, alem de serem totalmente dubladas também, enriquecem pra caramba o enredo.

Como comentei acima, a evolução dos seus personagens são feitos através de uma árvore de habilidades. Essa árvore é diferente para cada um de seus daemons e os recursos que são necessários para evoluir as skills ou aprender novas não dependem do nível do herói e sim da quantidade de inimigos que são derrotados, então com um pouco de dedicação você consegue deixar par todos os seus personagens sem que um fique muito mais forte que o outro.

Cada uma das skills de combate podem evoluir randomicamente, ativando uma espécie de “awakening”, no qual podem ser equipadas atributos extras nos ataques como poison, paralyse ou até mesmo ganhar mais affinity, pontos acumulados durante o combate que deixam seu espirito mais forte e, por fim, entrando ele mesmo num awakening (assim como um limit breaker nos Final Fantasies), aumentando muito sua capacidade de luta.

Particularmente eu evoluí bastante a Aisha e acabei deixando de lado os que faziam parte da mesma categoria, talvez pelo fato que não vi a necessidade disso no modo Normal, mas eu suponho que no Hard faça toda a diferença, trabalhando direitinho com as forças e fraquezas dos inimigos e chefes.

Meu veredito é bem controverso aqui. Eu gostei de Oninaki, não acho que é um jogo para todo mundo, mas eu vou considerar minha experiência particular com ele.
O universo é meio mal explorado e o jogo é bem linear, com bastante maneiras de customizar seu personagem, suas armas inclusive, mas parece que muito do que você acaba fazendo torna-se repetitivo no final das contas. Seria interessante ter uma dungeon longa de extras para se fazer ou algo do gênero.

Embora tenha o hard mode, eu não achei que fosse tudo aquilo pelo o que ele se propõe. Recomendado para quem está perfeitamente bem mentalmente, caso contrário, não acho que será uma experiência valiosa.

Prós

  • Sistema de batalha é bem divertido, bem feito e nenhum chefe é tão fácil
  • A trilha sonora
  • Os cenários mistos de cada localização, como no mundo dos vivos e dos mortos
  • Mecânica de troca de Daemons é maneiro, com um backstory opcional legal

Contras

  • O enredo pesado demais
  • Grunidinhos em japonês para cada quadro de texto, incomoda com o tempo
  • Apesar de bonitos, todos os cenários são muito tristes, vilarejos, dungeons
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.