Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image

vgBR | 21 de janeiro de 2020

Ir para o topo

Topo

Sem Comentários

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III – Análise

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III – Análise
David Signorelli

Review

Nota
10
10

Fantástico!

Trails of Cold Steel III é uma obra de arte digital, um produto feito com um carinho ímpar que jamais será esquecido pelos fãs desse gênero tão amado.

Com esse mais novo lançamento, a série Trails chega em sua oitava versão com um jogo simplesmente arrasador e um sério candidato a um dos melhores da geração. A FALCOM como sempre tem trazido para o mercado jogos com qualidade consistente, se superando a cada nova empreitada e The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III mostra a força dessa pequena/grande empresa.

POR TRÁS DA TRADIÇÃO

Apesar de passar longe da fama de outros RPGs de sua época como Final Fantasy e Dragon Quest, a série The Legend of Heroes está entre nós desde os anos 80. Tudo começou com um nome diferente, ela se chamava Dragon Slayer e conseguiu abocanhar alguns fãs. Conforme os anos foram passando, a FALCOM continou lançando mais títulos da série The Legend of Heroes, porém somente em 2004 com Sora no Kiseki ou como ficou famoso no ocidente, Trails in the Sky, que a série finalmente deu a guinada que precisava, sendo o início de uma imensa saga.

Trails in the Sky foi o marco inicial e desde então foi lançado mais 7 jogos, seguem eles:

  • The Legend of Heroes: Trails in the Sky SC – SC significa “Second Chapter”(segundo capítulo) e se trata de uma sequência literalmente direta dos acontecimentos do primeiro jogo.
  • The Legend of Heroes: Trails in the Sky the Third – Apesar de muitos considerarem ele quase um spin-off, ele é sem sombra de dúvidas a continuação dos eventos de SC, mesmo que não de uma forma tão direta. Ele encerra a trilogia “Sky” e seus finalmentes abrem portas para os eventos posteriores.
  • The Legend of Heroes: Zero no Kiseki – Jogo que deu início a “duologia” dos eventos na cidade de Crossbell. Infelizmente até hoje não existe uma versão localizada dele, somente traduções por fãs.
  • The Legend of Heroes: Ao no Kiseki – Encerrando os eventos em Crossbell, esse jogo foi bem recebido pelos fãs e compartilha da mesma situação de Zero com a ausência de uma versão em inglês.
  • The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel – Com uma proposta de servir como uma “perfeita” entrada para novos jogadores, a FALCOM apostou pesado nesse jogo, usando uma engine totalmente 3D(os anteriores possuíam personagens em sprites, similar a Grandia e Xenogears), a série deu um passo largo em sua evolução.
  • The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel II – Muita coisa aconteceu no jogo anterior e esse veio com o intuito de fechar todas as pontas soltas… só que no fim acabou abrindo mais.

Apesar dos jogos terem sido lançados e organizados de forma cronológica (sem prequelas e afins), alguns deles acabam ocupando a mesma linha do tempo. Eu, como a maioria dos ocidentais, não joguei os jogos da série que se passa em Crossbell, então não saberia explicar exatamente em que momento eles se intercalam, mas pelo que eu li os eventos de Cold Steel 1 e 2 ocupam a mesma linha do tempo dos eventos de Zero e Ao.

O quão importante é isso? Depende de cada um. A FALCOM criou um universo único e extremamente detalhado, ao ponto de existir NPCs totalmente fora da história principal que vivem aparecendo aleatoriamente em diversos jogos, como se realmente o mundo não girasse em volta dos personagens principais. Agora imagina, se a atenção aos detalhes de coisas pequenas como essa existem, o que dirá da trama principal?

Não é por nada que me tornei um fã da série Trails, desde o original o cuidado com os mínimos detalhes, a construção do mundo, a trilha sonora, os personagens, as localidades e aquele charme único que não via desde Suikoden 2 mostrou que a FALCOM conseguiu fazer muito com praticamente nada.

Todos os jogos até agora tem apresentado uma qualidade constante, o que é algo extremamente raro e ainda mais se tratando de uma série que já está no mercado a mais de 15 anos… digo, sub-série! Bem, agora chegou a hora de ver como ficou o sétimo jogo da série Trails, sem mais delongas, vamos à análise.

O CORAÇÃO TRANSCENDE A DISTÂNCIA

“O perfeito ponto de partida da série The Legend of Heroes”, frase dita pela produtora durante suas diversas coletivas e materiais de imprensa. Claro que entendo perfeitamente a posição mercadológica dessa afirmação, faz sentido incentivar mais e mais pessoas a conhecerem a série, algo que eu pessoalmente venho fazendo a anos… mas não, não é o “perfeito ponto de partida” em lugar algum desse planeta.

Cold Steel III tenta da melhor forma possível introduzir e re-introduzir a todo momento todas as coisas existentes no universo da série, passando por personagens até localidades. O herói da trama se chama Rean e evidentemente ele teve um passado, extensivamente trabalhado nos 2 jogos anteriores e que tem uma enorme importância para o desenvolvimento da trama.

Para exemplificar melhor um tipo de situação que ocorre, vou falar sobre o momento em que Rean reencontra seu amigo Elliot. Logo no início, na cidade de Saint-Arkh, Rean escuta uma bela melodia vindo da catedral e resolve verificar. Lá dentro ele encontra o tal do Elliot(que era um aprendiz na escola de música e agora é um compositor renomado) e nesse momento Rean, em forma de pensamento, explica de forma muito breve quem é Elliot e logo depois seus colegas fazem pergunta sobre o antigo amigo.

Isso acontece durante todo o jogo e é legal sim, longe de mim criticar uma síntese sutil dessas, porém não consegue preencher o vazio de quem não faz a mínima ideia de quem seja Elliot ou qualquer outro personagem/evento/localidade. Em Cold Steel, Rean fazia parte de uma escola militar e sua turma se chamava Class 7, uma espécie de “equipe” especial meticulosamente desenvolvida para atender as necessidades de algumas pessoas(desculpe, mas tudo fora isso é spoiler!) e todos seus colegas tomaram um rumo diferente na vida após a sua graduação.

Rean por coincidência do destino acabou sendo chamado para ser instrutor de uma “nova” Class 7, em um novo campus que é uma ramificação da antiga escola. Sendo assim, nosso herói acaba fazendo novas amizades e isso de certa forma ajuda o novo jogador a se identificar com esse estranho universo. É algo como na vida real onde fazemos amizades e nas idas e vindas da vida acabamos conhecendo amigos de amigos, ouvindo suas antigas histórias.

No caso de Cold Steel III, essas “antigas histórias” são eventos grandiosos que aconteceram nos jogos anteriores que, na minha humilde opinião, são obrigatórios para apreciar a magnitude do enredo desse título. Não cabe a mim “impor” uma condição, mas sinceramente gostaria que os novos jogadores no mínimo dessem uma boa olhada na parte do Backstory no menu principal. Nessa parte é contato de forma breve tudo que aconteceu em Cold Steel I e II… agora, se você tiver condições de realmente jogar os anteriores, o faça.

Gostaria de ir mais longe ainda e falar para jogar desde Trails in the Sky, porém isso é algo inviável para grande maioria das pessoas, são jogos enormes e densos, mas fica a dica. Caso já seja um jogador de longa data, se prepare pois essa aventura é uma montanha-russa, com poucos momentos para respirar.

Adentrando finalmente no território de Cold Steel III, posso dizer que em matéria de história esse é definitivamente o melhor da série, com acontecimentos que vão te deixar sem conseguir largar o controle. Os novos personagens foram muito bem desenvolvidos e você logo cria empatia por eles, Juna, Kurt, Musse, Altina(não tão nova assim!) e Ash são os membros da nova Class 7 e não ficam devendo em nada para o fantástico elenco anterior. Se bem que nenhum deles jamais chegará aos pés da minha Laura Arseid maravilhosa… perdoe meu momento fanboy.

Falando um pouco sobre a estrutura dos eventos, ele se assemelha muito ao primeiro Cold Steel, onde a turma tem um período no campus e logo depois vão para um exercício em campo, sendo esse último normalmente onde o bicho pega. Seja no campus ou nas localidades visitadas em diversos lugares de Erebonia, a quantidade de NPCs para interagir é imensa, lembrando que a praticamente cada novo evento, todos os NPCs mudam suas falas e até mesmo vão para outros lugares.

Não me canso de mencionar como isso é incrível, pode parecer besteira para algumas pessoas, mas essa forma “orgânica” de como o universo se molda é o que dá vida a série. Como eu gosto de exemplificar, me permita falar de uma família de NPCs em Saint-Arkh que está de passagem pela cidade. O pai está com a filha no hotel(todos os NPCs tem nomes únicos por sinal) e a mãe está com a empregada em uma loja procurando uma roupa para dar para a filha. O pai vive aloprando a filha que vive fazendo-lhe perguntas diversas sobre a vida, muito cômico e a mãe não consegue de jeito algum se decidir sobre qual roupa comprar.

Eu adorava ir falar com eles a cada evento que ocorria só para ver que tipo de diálogo maluco iria ocorrer. Depois de diversas situações eis que encontro essa mesma família em uma outra cidade e eles abordam Rean para pedir ajuda para encontrar uma carteira perdida. Nesse diálogo da quest, boa parte do que era dito nas conversas casuais foi mencionado aqui. Eu fiquei muito feliz de saber que estava acompanhando de perto as desventuras de uma família de nobres azarados e lembrando que isso é completamente opcional, deu para ter uma ideia do naipe desse jogo, né?

Isso tudo que falei é apenas a ponta do iceberg de tudo que acontece nessa aventura de pelo menos 100 horas de duração, esse é o maior jogo da série e que, infelizmente… termina num “cliffhanger” ou melhor dizendo, sem final. Calma, você pode estar pensando que sou louco de estar falando disso em uma análise sem spoilers, porém já é sabido que existe Cold Steel IV e ele que irá colocar um ponto final nas aventuras em Erebonia.

Não é demérito algum isso, afinal nem tudo precisa ser conclusivo para ser bom e se você investir esse tempo nesse maravilhoso jogo, vais ser recompensado com uma das melhores histórias escritas nessa geração.

A PRIMEIRA VALSA

Trails of Cold Steel III manteve sua estrutura de jogabilidade praticamente idêntica a dos jogos anteriores, com uma exploração super simples com direto a fast-travel e batalhas rápidas, porém sempre estratégicas. É uma delícia controlar Rean e explorar cada canto de Erebonia. As cidades tem um tamanho bem legal e sempre contamos com diversas atividades opcionais para quebrar aquele ritmo de história-dungeon-história que estamos acostumados em boa parte dos jogos.

O mini-game de pescaria voltou com algumas modificações, dentre elas poder escolher qualquer personagem para pescar, algo que pessoalmente não vi diferença alguma e o Blade foi substituído pelo Vantage Masters. Para que não sabe, Blade era um mini-game de cartas bem simples que dava para curtir durante as viagens de trem por Erebonia nos jogos anteriores. Mas agora em Cold Steel III a FALCOM trouxe Vantage Masters que expande muito a ideia do jogo anterior.

Não somente temos um sistema bem mais complexo, com cartas totalmente diferentes uma das outras, como também contamos com a possibilidade de poder desafiar diversos personagens em praticamente qualquer hora. O joguinho é bem simples de aprender e é divertido pacas, ainda não tem aquela qualidade de um Triple Triad, mas é bacana. Você pode customizar totalmente seu deck e pode adquirir outras cartas em lojas ou mesmo ganhando de outros jogadores.

Ao sair das cidades, nós nos deparamos com enormes estradas e descampados, cheios de inimigos e tesouros. As batalhas agora estão mais rápidas do que nunca e elas ocorrem exatamente onde encontramos os adversários, dando mais naturalidade ao jogo. Praticamente não existe loading para entrar em um combate e os menus foram super simplificados, lembrando bastante Persona 5 com aqueles comandos diretamente atrelados a um botão em específico do controle, acredite em mim, ficou bem melhor do que antes.

Já digo que você vai ficar overlevel pois as batalhas são extremamente divertidas, são tantas possibilidades de customizar uma equipe que aquela sensação de “ah, mais uma lutinha” vai acabar durando horas. Uma grande novidade desse jogo é o tal do Brave Order que funciona como um “power-up” que consome BP e depende dos personagens que estão no grupo naquele momento.

Cada um dos personagens possui um Brave Order próprio e tem uns que são muito ignorantes, podendo mudar completamente a situação do combate ao seu favor. Uma recomendação que eu dou em relação a dificuldade é que coloque direto no Hard, o jogo no Normal é fácil demais e vai banalizar qualquer tipo de necessidade estratégica que poderá vir a precisar e acredite, é divertido demais ficar meia hora em uma luta contra um poderoso inimigo e sair vitorioso porque você conseguiu estrar no lugar certo, na hora certa, com os artifícios certos.

Os combates usando robôs gigantes(hehe) continuam com diversas melhorias também, normalmente elas fazem parte dos momentos mais chocantes do jogo e são super divertidas. Impressionante como esse jogo faz tudo de forma bem feita e polida, lhe garanto que terás uma diversão inigualável com Trails of Cold Steel III.

APARÊNCIA ARDENTE

Ainda usando a Phyre Engine, a FALCOM conseguiu dar uma boa retrabalhada na parte gráfica nesse título. Apesar de passar longe dos RPGs mais belos dessa geração, a arte é um espetáculo a parte e os modelos dos personagens estão muito detalhados. O departamento de animação dá para dizer que sofreu boas melhores, porém ainda deve um pouco em naturalidade, algo bem perceptível em momentos onde tá rolando muita treta.

O bom é que as demais animações como as de batalha ou mesmo de andar são elaboradas e no fim são as que acabamos vendo com mais frequência, realmente não há muito o que reclamar aqui. Como falei diversas vezes nessa análise, a atenção aos detalhes chama muita atenção e se você for um jogador mais atencioso, irá perceber coisas bem legais. Fica a dica para espiar os quadros do quarto de Tita ou mesmo do quarto do nosso herói dentro do campus, vais entender o que estou falando e isso é apenas um pequeno exemplo.

Eu gostei também bastante do vídeo de abertura, que é 100% anime sem “artworks voando” comumente visto em aberturas onde o orçamento é mais limitado, realmente Trails of Cold Steel III foi um jogo ambicioso.

COISAS PARA LHE DIZER

FALCOM. Não precisava falar mais nada. Aqui temos uma trilha sonora simplesmente incrível, com mais de 100 músicas de qualidade excepcional e com melodias que combinam perfeitamente com as situações apresentadas. O maior destaque para mim fica para a música de Parm e Spiral of Erebos, a exuberante composição que acompanha o jogador na última dungeon do jogo, chego a arrepiar só de lembrar.

Sobre a dublagem digo que a NIS America caprichou na escolha dos atores, apesar de não contar sempre com atuação de voz, durante os momentos-chave do jogo os atores colocaram sua alma no projeto, mostrando uma maturidade daqueles que voltaram a interpretar nossos queridos personagens, não canso de elogiar o dublador de Rean, a sua voz da o tom de uma jornada inesquecível.

ALÉM DA JORNADA

Trails of Cold Steel III é uma obra de arte digital, um produto feito com um carinho ímpar que jamais será esquecido pelos fãs desse gênero tão amado. Até agora não consigo parar de pensar nele e a espera pelo fim dessa saga será uma tortura, entretanto tenho certeza que valerá a pena cada segundo.

Pros

  • História maravilhosa, envolvente e com personagens insuperáveis
  • Arte belíssima, capricho em cada detalhe
  • Divertido até dizer chega, impossível parar de jogar
  • Uma trilha sonora que entra em seus ouvidos e vai direto pro coração, perdoe a breguice, mas não soube definir de outra forma

Cons

  • Espera pelo final da saga será uma tortura

Comentar