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vgBR | 15 de dezembro de 2019

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Digimon Story Cyber Sleuth: Complete Edition

Digimon Story Cyber Sleuth: Complete Edition
Fábio Kraft

Review Overview

Nota
7.5
7.5

Coletânea para os fãs

Apesar de alguns problemas de game design, a coletânea vale a pena. São dois jogos com um em enredo maneiro, longo, bem escrito e as aventuras vão agradar os fãs de Digimon

Quando penso em jogos de Digimon eu logo lembro daquele clássico super confuso do Digimon World, lá no PlayStation 1. Aposto aqui que a galera da velha guarda com certeza comprou ou chegou a jogar na casa de alguém que tinha o game, mas dificilmente concluíram o game por seja lá qual for o motivo. Um dos meus motivos era porque a linha de evolução dos bichos nunca seguiam para aonde eu queria, virando sempre algo feio como o Numemon, o Digimon cocô rosa ou outra coisa feia como o Meramon. 

Ainda no PlayStation 1, os games da franquia começaram a se popularizar bastante com títulos legitimamente bons como Digimon World 3, que é muito bem feito em todos os aspectos, sem enrolação, sem momentos no qual você pode encalhar na jornada e por aí vai, e desde então esses jogos tem sido lançados nos anos seguintes para praticamente todas as plataformas que saíram até hoje em par com o sucesso da animação para a TV, sendo grande maioria deles pertencentes ao gênero RPG, jogos que eu pretendo pegar um dia para sentar e zerar no extenso back-log de games que ficou em pauta para finalizar. 

Sem mais delongas, o Nintendo Switch recebe uma coleção dos games mais recentes lançados para a geração atual, Digimon Story Cyber Sleuth e Digimon Story Cyber Sleuth: Hacker’s Memory, que é a continuação direta do game anterior. Ambos os jogos rodam sem problemas de queda de quadros ou qualquer outro problema técnico visível, na verdade é até bem impressionante como conseguiram deixar ele tão fiel a versão do PlayStation 4. 

 Os jogos desta coletânea não são super exemplos de gráficos maravilhosos, mas tem muito detalhe que soma bastante para estrutura do game em si, principalmente o cuidado com a animação dos Digimons que é bem bonitinha. É uma pena que a interface principal dos games sejam muito “Digitais”, algo que se vê no  estilo dos games anteriores – consigo compreender que é um tipo de arte adotada para a série num geral, mas, ainda sim, podia ser bem mais limpo e menos quadrada. 
A dublagem e a trilha sonora são fatores que compensam um pouco a falta daquele tempero que eu busquei. O compositor Masafumi Takada mandou bem sim, a trilha sonora de ambos os games possuem uma variedade bem legal de estilos e momentos nas faixas, um trabalho primoroso de fato. O compositor trabalhou principalmente em vários arranjos de Super Smash Bros Ultimate e Beatmania IIDX em faixas como Yellow Sketch e ToyCube, além de sucessos como Danganronpa também.

Os cenários dos games são bonitos enquanto são explorados no mundo real, tem ruas movimentadas, arcades, vários detalhes nas lojinhas e em interiores, mas as dungeons no cyberespaço são super preguiçosas, são na sua grande maioria blocos sem texturas propositais, cheios de luz, como se fossem um debug room, não incentiva muito a exploração na minha opinião, procurar itens, entregar quests nestes corredores iguais me entorta um pouco o nariz.  

Neste pacote contamos com a história original na integra, a trama que começa com um envolvente encontro fatídico de nosso herói num chat online com um hacker, um encontro que iria envolver corrupção de corporações grandes, polícia, levar para conflitos de ideais de justiça, uso maligno de seres poderosos para causar o caos na sociedade e investigações no melhor estilo Noir, temática adotada em ambos os jogos. Um prato cheio para quem gosta desse tipo de pegada investigativa, algo que infelizmente não me atrai muito, para ser bem honesto.

Com tudo, neste pacote existe a possibilidade de ir completando os colecionáveis e compêndio com o Save Share, função que soma as informações adquiridas em ambos jogos para fins de completar o game. E com essa coletânea, é possível recrutar e enfrentar os Digimons do Hacker’s Memory no primeiro Cyber Sleuth, integrando melhor sua equipe caso tenha alguma monstro de sua preferência no até então exclusivo da sequela. 

Esses dois jogos são bem grandes, ambos levam em média 40 horas para se concluir a história principal (caso o jogador decida ir num ritmo normal), e mais de 80 caso queira completar os muitos opcionais que os jogos disponibilizam para se aventurar a fundo, desde quests, Digimons especiais via fusão, colecionáveis, dungeons extras e etc. Digimon Story é um RPG de turnos tradicional, você vai poder compor seu time com até 4 personagens por batalha, se adaptar com fraquezas físicas e elementais, alem de forças que o jogo impõe quase como um jokenpô que são determinantes em diversos momentos dos conflitos para certos tipos de Digimon, como Digimon vacina e vírus por exemplo. 

É precisamente aí que eu vejo um grande problema com games que lhe possibilitam muita customização de time, muitos personagens para recrutar; as coisas ficam muito abarrotadas e em poucos raros casos um Digimon parece diferente do outro, até porque existe muita discrepância de atributos entre eles fazendo que o jogador tenha que optar em usar um bicho mais zoado a um mais decente porque ele é infinitamente mais atrativo pra equipe, o que é uma pena. Isso acontece também com os golpes especiais, fusões e qualquer aspecto que envolva experimentação… O que não seria tão ruim se você não fosse obrigado a ficar em cima disso o tempo todo para montar um “dream team” para as batalhas mais desafiadoras. 

Mas num geral, a coletânea vale a pena, são dois jogos com um em enredo maneiro, longo, bem escrito. Tem alguns problemas de game design na minha opinião, mas acho que não é algo que ofusca tanto uma possível compra. O jogo tem uma seletor de dificuldade para quem achar que está fácil demais, e tem grande maioria dos Digimons favoritos, então você vai sim acabar encontrando seu queridinho la dentro. Levei meu Gomamon até o final do jogo, tadinho. Recomendo sim, não é perfeito, mas está longe de ser ruim. 

Pontos Positivos

• História é boa do inicio ao fim, é empolgante se você faz intervalos entre uma jogatina ou outra
• Tem muito Digimon legal no game, é muito legal para a base de fãs do game
• Animação dos bichinhos são lindas, muito amor e dedicação dos animadores, sem dúvidas
• Trilha sonora boa demais, Masafumi é o cara

Pontos Negativos

• As dungeons são monótonas, sem vida.
• Muito backtracking para quests de entregar itens nas dungeons, super chato
• Sistema de batalha de Jokenpô é cansativo
• Requisito DEMAIS para você fusionar um Digimon maneiro

Fábio Kraft

Fábio Kraft

Um jogador de RPGs eletrônicos e amante de batalhas finais. Pouco apreciador de joguetes bugados sem fim e com música tosca.