Análises

Dragon Ball Z: Kakarot – Análise

8.5
Remake do Anime
Uma celebração para os fãs de Dragon Ball, com muito material extra a disposição. É sem dúvidas a melhor apresentação de um jogo para recontar a história de Dragon Ball Z e possivelmente qualquer outro anime até hoje.

Dragon Ball dispensa apresentações. A obra máxima de Akira Toriyama revolucionou os mangás e animes tornando-se uma das principais referências da cultura pop oriental até hoje. Sempre presente nos videogames, desde o NES até os tempos modernos, Dragon Ball Z Kakarot foi apresentado ao mundo inicialmente como Dragon Ball Z Project Action RPG, um ambicioso game para recontar a história do anime prometendo um sistema de RPG e ação.

O novo título está disponível para o Xbox One, PlayStation 4 e PC, publicado pela Bandai Namco e produzido pela CyberConnect2, estúdio responsável pela maioria dos games de Naruto com a série de sucesso Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm, considerado um dos mais bonitos jogos baseados em anime.

Apesar do título dar a entender que vai focar apenas na história de Goku, a proposta de Kakarot é recontar a história completa de Dragon Ball Z do início ao fim, mudando o foco entre personagens e apresentando inúmeras cenas de animação que recriam os eventos do anime e intercalam com uma jogabilidade mista de ação com elementos de RPG e exploração do mundo semi-aberto, dividido em diversos mapas segmentados.

A animação original de Dragon Ball Z tem 291 episódios de aproximadamente 22 minutos cada. Dragon Ball Kai, um relançamento da série Z com novos cortes e redução de fillers, numa espécie de versão do diretor reduziu esse número para 159 episódios.

Aqui a história completa dos quatro arcos principais – Sayajins, Freeza, Cell e Majin Boo, é contada em 30 horas, otimizando a fluência – uma das maiores críticas ao anime – e colocando você para lutar em todas as batalhas que acontecem na série.

Se dividirmos essas 30 horas pelos 22 minutos de um episódio, Kakarot entrega uma versão ainda mais enxuta da série com o tempo total de jogo durando o equivalente a aproximadamente 81 episódios, uma bela reduzida dos 291 do original e ótima pedida para quem quer relembrar a história de Goku de forma mais interativa.

Tá mas não é Dragon Ball sem porradaria certo? O sistema de batalha escolhido pela CyberConnect2 é bem semelhante ao de Dragon Ball Xenoverse. Os botões dividem-se em ataques físicos, de Ki, carregar o Ki e desviar. Os gatilhos acionam a defesa e especiais que são mapeados nos botões. Em batalhas de equipes é possível usar golpes especiais de seus aliados também.

A principal diferença é que para simular as batalhas épicas do anime, o gameplay foi simplificado e é muito mais fácil realizar uma sequência de combos caprichada do que em Xenoverse. Basicamente você carrega o Ki, chega voando pra cima do oponente, manda um combo básico e finaliza com um ataque especial, tudo isso com muita variação nos golpes e combos dependendo do personagem.

As lutas apresentam ainda os clássicos duelos de magia e os inimigos trazem ataques, habilidades e formas únicas que proporcionam variedade ao desafio. A proposta de simular as lutas do anime é muito competente e mesmo que Xenoverse ainda ofereça mais possibilidades, como a maioria das batalhas será na progressão da história contra inimigos diferentes o jogo não chega a enjoar.

Já a parte de exploração acontece em diversos hubs de mapas semi abertos, onde você vai selecionar uma área e poderá explorá-la livremente, encontrando as missões principais, algumas missões secundárias e diversas atividades como pescar, comprar e vender itens, coletar orbes Z e mais pra frente no game poderá até mesmo usar o Radar do Dragão para partir na busca das 7 esferas, invocar Shen Long e realizar alguns desejos. Há também todo um sistema de refeições onde você pode conseguir comidas especiais que oferecem efeitos permanentes e temporários e você também pode pedir para Chi-Chi preparar refeições completas com ainda mais benefícios, mas antes precisa encontrar a receita certa falando com os diversos NPCs espalhados pelos mapas.

A grande sacada é que a parte de RPG do game não força o jogador ao grind desnecessário e você não precisa perder tempo sem avançar na história principal caso não queira. Existem atividades e missões secundárias que podem tomar horas, mas você pode ignorar tudo isso e simplesmente seguir no jogo que ainda terá muita coisa para fazer. Algumas das missões secundárias ficam disponíveis temporariamente, relacionadas as diferentes sagas da história, mas felizmente é possível retornar a outros períodos de tempo após concluir o jogo.

Essa parte de progressão é muito bem feita e você ganhará novos níveis e poderes jogando e assistindo os personagens passarem pelos diversos treinamentos ao longo da história, mais uma medida “anti-grind” para evitar cair na mesmice.

Mas nem tudo é perfeito e no geral Kakarot dá uns tropeços na parte de menus e sistemas, que inicialmente podem parecer bem confusos. A princípio o jogo bombardeia com muitas informações e você vai demorar um tempinho para absorver tudo. Alguns sistemas são mais burocráticos do que os outros e não funcionam tão bem como o Fórum da Comunidade por exemplo, onde você coloca personagens que você conhece ao longo da aventura em rodas de relacionamento para receber alguns bônus nas batalhas. O jogo dá uma ênfase nesse sistema mas é algo que no fim das contas não traz tanta vantagem assim.

Na parte de RPG e progressão dos personagens o game traz uma extensa árvore de habilidades, algumas possíveis de serem compradas com as Orbes Z coletadas ao longo da jornada e outras onde é necessário treinar para aprendê-las, mas esse é um sub-menu escondido dentro da aba de personagens e eu passei a saga dos Sayajins inteira sem acessá-lo pois simplesmente não sabia da existência dele.

A parte de áudio acerta em cheio, utilizando efeitos sonoros retirados diretamente do anime, assim como as músicas de batalha e trilha sonora no geral. Mesmo sem contar com toda a extensa trilha sonora da animação, as faixas que aparecem são memoráveis e transmitem a sensação de estar assistindo a um episódio do desenho onde você está no controle.

Já os gráficos tem o desafio de seguir em frente com o fenomenal trabalho realizado em Dragon Ball FighterZ e assim como no anime, os resultados são mistos. Existem cenas que transmitem a mesma sensação do jogo da Arcsys, de ser mais bonito que o desenho, porém existem momentos meio mal animados e modelos de personagens mais simples que os demais. No geral o trabalho é muito bem feito e o jogo recria a maior parte dos eventos do anime com competência, apresentando qualidade acima da média nas cenas chave, mas como o escopo do game é muito maior, FighterZ ainda apresenta gráficos melhores e mais constantes em sua beleza como um todo.

Com relação a performance, joguei em nosso PC Gamer i7 6700k equipado com uma GeForce RTX 2070 da Gigabyte e conseguimos rodar o game em 4k e 60 FPS com a maioria dos efeitos no máximo. Já nos consoles a experiência cai para os 30 FPS com tempos de carregamento mais longos ao mudar de mapa ou progredir na história, porém o gameplay nas batalhas mantém a taxa de quadros sem quedas, fazendo o necessário para não prejudicar a jogabilidade.

No geral, Dragon Ball Z Kakarot é uma celebração para os fãs de Dragon Ball, com muito material extra do universo da série a disposição da exploração no mundo do game. Apesar de não ser perfeito, é sem dúvidas a melhor apresentação de um jogo para recontar a história de Dragon Ball Z e possivelmente qualquer outro anime até hoje. Esperamos que a CyberConnect2 dê continuidade ao trabalho abordando a história do Dragon Ball original, ou Dragon Ball Super num próximo game.

Pontos Positivos

  • O mais completo jogo de Dragon Ball Z até hoje
  • Recriação fantástica da história
  • Gráficos no capricho com boa performance no geral
  • Sistema de jogo livre que não força o jogador ao grind
  • Efeitos sonoros e músicas diretamente da série

Pontos Negativos

  • Menus e sistemas confusos inicialmente
  • Alguns tropeços gráficos em partes menos importantes da história
  • Algumas lutas são meio repetitivas, principalmente no começo do jogo

Átila Graef

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