Análises

Langrisser I & II – Análise

8
Remake da série clássica de estratégia no Switch
RPGs de estratégia com excelência nos controles e um belo trabalho de arte. É um remake de um jogo super antigo, então espere que seja algo parecido com o que temos hoje, mas num todo é uma coletânea competente.

Desenvolvido pela Chara-Ani e distribuído pela NIS America e Kadokawa Games, Langrisser 1 e 2 é um redescobrimento particular com uma série que eu esbarrei na minha vida, e que agora pude conhecer a origem por trás desse clássico memorável.

A ideia de jogar um jogo de RPG estratégia no Switch é sempre bem-vinda, joguei alguns títulos ao logo dos poucos anos que estou com o console e acho que ele é realmente perfeito para esse tipo de gênero. Jogos como Disgaea 4 e God Wars são exemplos excelentes para se mencionar.

Mas, falando de Langrisser, o que eu conheço é muito pouco, uma época havia jogado no Dreamcast o Langrisser Millenium e meio que ficou por isso, não peguei gosto pela coisa ou acabei me atropelando, afinal de contas, faz uns bons 15 anos pelo menos que eu não jogo o console. Os games que receberam um tratamento muito maneiro mesmo para o console me causaram uma mistura de sentimentos para ser bem honesto, em momentos achei instigante pra caramba as batalhas, em outros eu mal via a hora de certos conflitos acabarem, talvez porque o trabalho na trilha sonora tenha ficado realmente divina. Noriyuki Iwadare é um mestre atemporal mesmo.

O primeiro game inicia-se de uma maneira bem direta, te coloca direto no menu principal do mapa, sem história, sem introdução, é bem louco. Lembra um monte aqueles jogos antigos de RPG-Maker, sabe? E explorando um pouco o menu cujo qual é super limitado por estarmos no início da trama, logo nos vemos sem muitas escolhas a não ser ir para a batalha em si. Lá somos introduzidos a alguns personagens, como nosso herói Ledin por exemplo, um príncipe com um elevado ar de determinação que tem seu reino invadido pelas forças conflitantes, inapto a fazer qualquer coisa no momento pela escala do ataque inimigo, ele então recua para poder voltar a retomar o que lhe foi perdido.

Um pouco adiante no game, o herói é escolhido para erradicar as forças do mal junto com sua espada sagrada, Langrisser.

Ambos os games tem uma história de Good vs Evil, o que é até bom diante de tanto lore (obrigatório) e coisas complicadas e maçantes em muitos casos que vemos nos jogos de hoje em dia. É legal para pegar e jogar a qualquer momento, os cenários são bonitinhos, a trilha sonora é fantástica, o sistema de jogo é… confuso no início e vamos ver por onde muitos games se inspiraram neste clássico. Em vários momentos da jogatina eu me deparei com coisas do gênero que evocaram aquele sentimento de “oh you!”, que já conhecia de jogos que sairiam muito adiante, inclusive do nosso queridinho Suikoden (Alguém?).

Quando coloquei ali “lore obrigatório” é porque ambos os jogos contém linhas do tempo, explicações de envolvimento dos personagens, rotas diferentes que o jogador pode tomar ao fazer A ao invés de B nas batalhas, e isso levar a uma coisa totalmente diferente do que era para se esperar. Prende o jogador no contexto da trama, eu fiquei de cara na verdade, será que isso tem no clássico? Só jogando pra saber.

Falando agora sobre o gameplay, Langrisser 1 e 2 são RPGs Táticos, na essência são muito parecidos com o que já conhecemos por aí a fora, cada um obedece um turno para agir e efetuar uma ação em tabuleiro, você realiza todas as ações primeiro, depois é a vez do computador ir contra você, e se tem um “guest” no grupo, ele agirá antes do computador, e acredite, tem muita missão que você precisará bancar a babá para que seus convidados não sejam esquartejados sem dó nem piedade por aí.

Para quem não está habituado, no início do game é possível colocar um boost de recursos para dar um up, é até bom até para as pessoas que não tão com muita paciência, mais conhecido como Easy Start.   

Existem algumas classes no qual os líderes da equipe podem evoluir, e assim mudar inclusive do tipo de arma que eles usam, algo como a promoção de Shinning Force, e junto a isso, você pode recrutar alguns tipos de mercenários para lutar ao lado do seu líder, impactando diretamente na estratégia de uma determinada batalha. Há mercenários que podem voar, mercenários que podem ir pela água e mercenários que podem apenas andar por terra, cada um tipo de mercenário que você coloca em sua equipe terá vantagens e desvantagens contra outro tipo de inimigo, sabe aquela regrinha do Jo-Ken-Pô, né? Então, é mais ou menos por aí, você vai precisar cuidar bastante do seu dinheiro porque essa galera sairá bem caro para você. Quase como um cara que trabalha na linha de frente e no setor financeiro de uma empresa, hehe.

O jogo não é muito difícil, pode ser que algumas pessoas que não estão acostumadas com o gênero acabem entortando um pouco o nariz para algumas batalhas, mas nada que muitos retries não resolvam. O problema é que a inteligência (ou a falta dela) artificial é muito tansa, sério, eu nunca vi o computador fazendo tanta burrada num jogo como esse, parece que todos os teus aliados vão se jogar direto na linha de fogo, eu fiquei deverás irritado várias vezes, mas é superável.

Num geral, são remakes muito bem feitos, de verdade. A parte artística e de interface traduzem excelência nos controles, eu gostei bastante. É um remake de um jogo super antigo, então não tem como esperar que seja algo remotamente parecido com o que temos hoje, claro, mas num todo ele consegue fazer um bom trabalho.

A arte dos personagens, dos sprites, a maneira que você pode correr com os skips de animação de batalha, a própria história, é tudo muito legal. Pra mim valeu bastante a pena jogar ambos nessa coletânea, me diverti, experimentei um novo clássico, e acima de tudo tive uma excelente experiência.

Nota: 8

Pontos Positivos

Gameplay fluído, gostoso de jogar e aprender.
Trilha sonora está excelente, cristalina.
Personagens aliados e inimigos igualmente amáveis.
É muito bom poder dar skip nas animações de batalha.

Pontos Negativos

É muito tempo em menus cuidando de dinheiro.
A inteligência artificial dá muita raiva de tão ruim que ela é.
Pra que tanta missão de proteger as pessoas?
Ficou faltando um pouco mais de variedade de tudo no jogo, magias, skills, classes, senti falta disso.

Fábio Kraft
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