Análises

Sakura Wars – Análise

9.5
Reboot da série clássica de JRPGs
Sakura Wars é um anime jogável, com gráficos lindos e história de primeira, em sua essência um visual-novel de altíssima qualidade com gameplay variado. Se você curte JRPGs dê uma chance, pois é um daqueles jogos raros de virem para o ocidente.

A série Sakura Wars (Sakura Taisen no Japão) sempre me despertou muita curiosidade. Lembro vividamente de ler análise dos jogos em revistas, querendo entender porque essa série demorou tanto para aparecer no ocidente. Eu babava vendo imagens dos previews de Sakura Wars 3 pro Dreamcast e com o advento da Internet, pude assistir a fabulosa abertura do jogo acreditando com todas as minhas forças que, inevitavelmente, eu iria fazer parte das aventuras de Erica Fontaine, a protagonista do título.

Anos se passam e nada feito, até chegou a sair um Sakura Wars 4, mas continuava exclusivo do Japão. Praticamente uma década depois, Sakura Wars So Long My Love por alguma razão deu as caras no ocidente. Devido a popularidade dos consoles para qual ele foi lançado(PS2 e Wii), uma editora resolveu dar uma chance, mas pelo que soube o título não fez o sucesso esperado.

Claro que a minha cópia estava garantida e pude experimentar a versão Wii do jogo. Lá no fundo acabei gostando menos do que imaginava que fosse gostar, não sei lhe dizer se foi por causa das personagens ou da região onde a trama se desenrola, algo não me prendeu para que eu fosse até o fim. Fico pensando se não foi por ter perdido a chance de ter experimentado os anteriores que o de tempos em tempos eram mencionados, mesmo que de forma sutil.

Depois de mais alguns anos adormecida, a Sega resolve reviver a série como uma espécie de reboot, trazendo as aventuras de volta ao Japão e com uma aposta de um retorno triunfal. Será que ela foi feliz nessa decisão? Vamos lá!

VÁ EM FRENTE! TROPA DE ASSALTO IMPERIAL!

Só para nos situarmos, abaixo está a lista dos jogos principais da série até o presente momento:

Japão

  • Sakura Wars (1996)
  • Sakura Wars 2: Thou Shalt Not Die (1998)

França

  • Sakura Wars 3: Is Paris Burning? (2001)
  • Sakura Wars 4: Fall in Love, Maidens (2002)

Estados Unidos da América

  • Sakura Wars: So Long, My Love (2005)

Japão

  • Sakura Wars (2019)

Pode perceber que não apenas listei, mas coloquei separado por países onde os jogos se passam. A série sempre buscou retratar o nosso mundo sob os olhos de uma tropa secreta do governo que tem como objetivo a segurança da população. É muito bacana essa ideia de um mundo tecnicamente igual ao nosso, mas com problemas bem diferente dos que nós temos e ainda sim conseguir criar um laço com aquelas localidades.

A ideia do reboot é tão forte que decidiram que o Sakura Wars voltaria para a terra do sol nascente. Aqui nós encarnamos Seijuro Kamiyama que com 20 anos foi capitão da marinha imperial japonesa(hahaha), mas que depois de triste episódio resolveu deixar o posto e aceitar o convite de se tornar capitão de algo completamente diferente.

Logo no começo já nos deparamos com uma personagem do Sakura Wars original, a Sumire Kanzaki e só de ver ela já pensava como seria legal se eu de fato já conhecesse a personagem, nessas horas não adianta chorar pelo leite derramado. Sumire junto da assistente Kaoru passam uma série de instruções e a primeira delas é conhecer a nossa base, que por sinal fica instalada secretamente num grande teatro e esse é o cenário por onde iremos andar pra cima e pra baixo durante pelo menos 25 horas.

Sorte nossa que os diálogos são excelentes pois é o que mais iremos fazer nesse jogo, conversar com as diversas personagens, tomar decisões que de fato impactam o andamento do enredo e se meter em situações muito engraçadas, não gostaria de fazer comparativos, mas é o jogo que mais se aproximou de um anime estilo “slice of life” que já joguei, sem sombra de dúvidas.

A nossa equipe é composta de personagens incríveis, cada uma com uma personalidade totalmente distinta e logo no começo você já acaba sendo cativado pelo carisma de Sakura, pela sinceridade de Hatsuho e a tranquilidade de Clarissa. Apesar de ainda entrar mais meninas na equipe, essas 3 que possuem a responsabilidade de fisgar o jogador e sem dificuldade alguma elas conseguem.

O pilar que sustenta esse jogo é com certeza a história, por mais que o jogo tenha outros elementos de gameplay, ele é em sua essência um visual-novel de altíssima qualidade. Há tempos que não via uma história tão bem escrita, com personagens que só estão lá para elevar ainda mais o nível da obra, apesar de em alguns momentos ficar cansado de ler, valeu cada segundo essa experiência.

NOSSA CORAGEM ILUMINA A ESCURIDÃO DA NOITE

No subsolo do Teatro Imperial de Tokyo existem máquinas de guerra prontas para serem pilotadas pela Divisão Floral da Nova Revista de Combate de Tóquio e quando a situação está preta, é hora vestir o uniforme e descer a paulada!

Durante momentos específicos do jogo o jogador deverá controlar uma espécie de mecha movido a vapor e destruir tudo que vê pela frente. Essa é a parte de “ação” que difere bem dos outros jogos da série que seguiam um estilo mais tático, pense em Final Fantasy Tactics só que ultra simplificado. Continuando a linha tênue da “simplicidade”, é bem o que vemos em Sakura Wars. O combate é bem divertido, mas não espere algo profundo ou mesmo elementos de RPG como equipamentos, level e afins. Necas.

Por mais que eu pareça negativo ao falar das partes de combate do jogo, o meu ponto é que infelizmente demora demais pra ele brilhar e quando isso acontece estamos praticamente nos finalmentes. Existe mecânicas novas introduzidas praticamente no final do jogo como segmentos de plataforma, acredito que deveriam ter explorado mais a parte onde controlamos os mechas, porém não é de todo ruim não.

Terminado as lutas sangrentas, Sakura Wars volta para o modo exploração. Nessa parte, além de falar com pessoas, nós podemos coletar Bromides (fotos) das personagens, participar de alguns mini-games loucos que até hoje não entendi como se joga, comprar coisinhas e talvez ter sorte de encarar algum evento secreto. Em momento algum eu me cansei de explorar os cenários e com a ajuda de uma espécie de smartphone, podemos visualizar detalhes do mapa como localização das personagens e outras opções bacanas.

Sakura Wars é 80% visual novel e 20% batalhas/resto, isso deve ficar bem claro para todos os jogadores. Muita gente, inclusive eu, mergulhou na série imaginando que teria mais ação e não foi bem isso que encontrou. Ainda sim, caso você não tenha muito contato com visual novels, mas tem bastante apreço por RPGs com diálogos extensos, eu recomendo que pelo menos jogue um pouco, se ele fisgar sua atenção, as chances de se tornar um fã são bem consideráveis!

DEIXE AS FLORES DE CEREJEIRA COLORIREM SEU CORAÇÃO!

Dizer que esse jogo é lindo é chover no molhado. Depois de simplesmente babar com aquela abertura maravilhosa (e a música…), nós somos presentados com mais uma cena de anime e logo depois partimos para o os gráficos do jogo em si. O jogo roda em uma versão atualizada da Hedgehog Engine, um motor gráfico desenvolvido pela própria Sega originalmente para Sonic Unleashed na geração passada. Apesar de parecer uma tecnologia antiga, você não vai acreditar no quão bonito a arte em estilo anime ficou rodando nela.

Realmente é um anime jogável, os cenários são super detalhados, com vários efeitos como reflexos em espelhos/chão, iluminação realista, dentre outros. Além do visual em si, algo que me impressionou muito foi as animações, não as em anime, mas as que usam da tecnologia empregada. Nos créditos do jogo em um momento aparece que o time que desenvolveu Yakuza(Ryu Ga Gotoku Team) esteve presente no desenvolvimento dele e isso parece óbvio quando ligamos os pontos. Yakuza possui animações de qualidade praticamente o tempo todo e a Sega boba nem nada colocou esses caras para ajudar nessa parte em Sakura Wars, o resultado é um espetáculo, muito melhor que em outros jogos no mesmo estilo da empresa como Valkyria Chronicles 4.

Não adiantaria ter um jogo belo desses se a trilha sonora não seguisse a mesma onda. Por sorte ela é ainda melhor. Composta por Kohei Tanaka, o mesmo compositor dos outros jogos e famoso por diversas trilhas sonoras como Alundra, o anime One Piece, Gravity Rush e outros, o que ele fez em Sakura Wars é de fazer qualquer fã de música de jogo querer imediatamente comprar a trilha sonora.

Além da abertura fantástica que é uma espécie de “remix” da abertura do Sakura Wars original, as demais faixas são de uma qualidade e inspiração ímpar, retratando com maestria cada uma das cenas, embelezando a obra como um todo. Sem sombra de dúvidas uma das melhores músicas que ouvi nessa geração.

Nem tudo são flores(hehe) no entanto, diversas cenas não possuem dublagem e normalmente acontecem do nada, é muito estranho ter o áudio interrompido assim. Alguns podem se incomodar bastante com isso, mas não acredito que seja algo que atrapalhe a jogatina.

VALEU A ESPERA?

Esse título veio para mostrar que coisas boas acontecem para quem tem paciência, ou algo assim. Sakura Wars foi desenvolvido com muito carinho e merece uma chance aqui no ocidente. Eu já consigo sonhar com uma sequência! Que droga, voltei a sonhar novamente.

Pros

  • História muito bem escrita, personagens fantásticos e uma trama fascinante
  • Gráficos e som muito acima da média, uma belezinha
  • As partes interativas dos diálogos são muito bem sacados

Cons

  • Vários momentos onde não há dublagem causa estranheza
  • Podia ter mais segmentos de combate

David Signorelli