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The Last of Us Part II – Análise

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Mergulhe nessa história, que acima de tudo fala sobre humanidade e seus instintos. Um jogo brutal e emocionante como nenhum outro. The Last of Us Parte 2 merece a atenção mesmo de quem não gostou do primeiro.

The Last of Us Part II é o mais novo game de ação e aventura e sobrevivência desenvolvido pela Naughty Dog, estúdio que faz parte da Sony Interactive Entertainment World Wide Studios, recentemente rebranded para Playstation Studios. O game é a aguardada sequência de The Last of Us, de 2013, e está com data marcada de lançamento no dia 19 de junho de 2020, exclusivamente para PlayStation 4.

Mestres do Storytelling

Diferente de uma simples narrativa, o Storytelling, termo norte-americano, é usado para designar a maestria em contar uma história. Essa é uma técnica que muito poucos sabem utilizar bem e menos ainda os que sabem usar como a Naughty Dog, estúdio  que é reconhecido por deter esse conhecimento nos jogos, algo em constante evolução desde o lançamento do Uncharted: Drake’s Fortune em 2007.

A cada novo jogo, o estúdio se glorificava cada vez mais trazendo grandes evoluções no Storytelling, e mesmo utilizando enredos simples e bastante comuns nos diversos meios do entretenimento, suas histórias eram extremamente emocionantes e cativantes para muitos jogadores mundo afora.

Em 2013 com o lançamento de The Last of Us, ele elevaram outra importante técnica narrativa a outro patamar no videogames, o Character Development ou Desenvolvimento de Personagens. A emocionante jornada de Ellie e Joel por um Estados Unidos apocalíptico gerou laços entre jogadores e personagens, graças a maestria como o estúdio construiu essa relação dentro do game.

A partir daí, todos os estúdios da Sony tomaram um novo rumo e praticamente se sagraram utilizando as bases de desenvolvimento da Naughty Dog, e tivemos oportunidade de jogar grandes jogos narrativos com valores de produção enormes como o Uncharted 4, Horizon Zero Dawn, God of War, Marvel’s Spider Man e outros.

The Last of Us Part II é o ápice da forma de desenvolvimento criada pela Naughty Dog, os mestres da Narrativa nos videogames. Eu não posso falar sobre a história nessa análise, mas posso te contar como Neil Druckmann e seus vassalos construíram o jogo produto de entretenimento mais emocionante e tenso que joguei na vida.

Expandindo a jogabilidade

Embora muitos discordem, videogame nasceu para ser jogado e não assistido. É sim importante termos essa aproximação com os filmes, principalmente para expandir os horizontes da indústria, mas o ponto mais importante de um jogo é a jogabilidade.

Meu problema com The Last of Us não era com a jogabilidade simples, mas com a inteligência artificial muito ruim. Em 2012 a ND apresentou um gameplay trailer de TLoU na E3, onde tínhamos diversas interações entre a Inteligência Artificial, os cenários e o jogador. 

No jogo final quase nenhuma dessas interações estava presente e mesmo buscando melhorias nos modos de dificuldade mais altos só encontrei a decepção de um jogo que tanto os inimigos quanto seus colegas agiam de forma completamente imbecil.

As emboscadas, a tensão e as sensações de sobrevivência não vieram e acabou que em muitos momentos o jogo causava um problema técnico em videogames, Immersion Breaking ou Quebra de Imersão. Eu gostei bastante do primeiro game, mas pra mim nunca foi grandioso como é para muitos, principalmente para quem não se liga em game design como eu.

The Last of Us Part II também teve um trailer de jogabilidade completamente ensaiado e scriptado na E3 2018, mas já vacinado, eu sabia que não seria incrível como haviam apresentado, só que dessa vez eles chegaram bem perto do que o trailer oferece.

A jogabilidade de The Last of Us Parte II é primorosa, não porque é revolucionária ou porque evoluiu em alguns de seus conceitos desde o primeiro jogo, na verdade é bem parecido com o game de 2013. 

O que realmente evoluiu e tornou algo que eu considerava medíocre em um dos melhores jogos de tiro e stealth dessa geração, foi justamente a Inteligência Artificial, que além de extremamente racional nos modos mais elevados (difícil e sobrevivente), tem diversas interações entre si, o que aumenta ainda mais a credibilidade e contribui imensamente para imersão do jogador.

Outra coisa que preciso mencionar é que não temos mais tantos inimigos novos, e nem faria sentido no universo de The Last of Us, que além de tudo é um jogo feito para as pessoas crerem naquilo. Mesmo assim eles melhoraram muito os inimigos que já existiam, principalmente os Espreitadores, que agora não parecem Corredores bombados e provavelmente são os inimigos mais filhos da puta do jogo. Os Baiacus também estão bem mais agressivos e resistentes, oferecendo um desafio mais saboroso.

O Level Design (Design de Cenários), tanto nos segmentos de exploração quanto nos de combate/stealth evoluíram muito desde o primeiro game. Alguns cenários lembram o que eles fizeram no Uncharted: The Lost Legacy, com um grande segmento completamente explorável e cheio de segredos. Os combates agora são mais variados pois as arenas são bem maiores e são bem mais verticalizadas, oferecendo diversos caminhos e opções de abordagem.

Eu terminei o game pela primeira vez no Difícil em inglês, com aproximadamente 35 horas e 85% dos colecionáveis. Depois testei o ⅓ final do jogo no Sobrevivente e dublado, deu aproximadamente 8 horas até finalizar novamente e depois joguei outras 5 horas numa nova Playthrough no Moderado com o jogo dublado. Acabei que zerei o jogo novamente no Sobrevivente+ e posso tranquilamente dizer que o melhor modo de jogo é o Díficil, pois ele não te limita como o Sobrevivente e não banaliza a gameplay como no Moderado.

O sobrevivente é mais interessante numa segunda jogada, mas dúvido que vá oferecer grande desafios para quem terminou no difícil. Mas a melhor opção é o modo personalizado que você escolhe coisas como o dano que você recebe, o nível de atenção do inimigos, a inteligência e agressividade deles, quantidade de recursos disponíveis, comportamentos dos aliados e outras. Essa novidade e outras opções de acessibilidade vão permitir que praticamente qualquer pessoa possa moldar sua própria experiência de jogo. Único jogo que me lembro de oferecer algumas dessas opções foi Shadow of the Tomb Raider.

Setting the Pieces

Set Pieces, no cinema ou nos jogos, são cenas/momentos criados para emocionar e impactar os espectadores. Um exemplo de set piece nos jogos é quando você assalta o banco no começo de GTAV ou quando cai na porrada com Baldur no começo de God of War.

Essa é outra técnica narrativa que permeia os jogos da Naughty Dog desde seus primórdios e é um dos ponto chave do porque The Last of Us Parte II é um dos jogos mais intensos e emocionantes que joguei na vida.

Os set pieces nos jogos da ND funcionam como o um “prêmio” para o jogador. Alguns jogos premiam com Skins, outros com um novo nível para o personagem e outros com algum item fodão após matar um boss ou explorar bem um mapa. A Naughty Dog premia seus jogadores com momentos emocionantes.

Um dos motivos de eu não ter gostado muito de Uncharted 4, foi seu pacing (ritmo) muito mal conduzido. Eram muitos momentos de escalada, de desenvolvimento narrativo e de puzzles sem desafios e muito poucos combates, segmentos de exploração e Set Pieces, o que tornou o game massante pro meu gosto. Uncharted 2 era um jogo que tinha essas mesmas características, num jogo muito melhor dosado e mais curto que o 4, por isso era tinha um pacing muito melhor.

Segundo o Diretor, The Last of Us Parte II seria o jogo mais longo da ND e um dos meus medos era que o pacing fosse ter o mesmo problema de Uncharted 4. Felizmente com uso de Set Pieces incríveis e maior parcimônia nas doses de combate, narrativa exploração e puzzles, temos um jogo tão intenso quanto Uncharted 2, mas que evoluiu tecnicamente e oferece muito mais momentos.

TLoU2 é um jogo extremamente emocional, construído em cima de diversos set pieces realistas, imersivos e desenvolvidos com tecnologia de topo. Não tive sequer uma hora de jogo monótona e sinceramente nem na minha segunda jogada me senti cansado ou desmotivado. Aliado a um gameplay de alta qualidade, e produção audiovisual de última geração temos um game completo em todos os segmentos.

Obra de Audiovisual

Pude testar TLoU2 de todas as formas possíveis pois recebemos a cópia para análise bem antes do lançamento, e atesto que todas as formas de jogar são impecáveis. Testei o game no PS4 Pro e no PS4 Vanilla, ambas as versões oferecem um dos melhores gráficos dessa geração, seja do ponto de vista técnico ou artístico. A vantagem do Pro foi no ganho de resolução, acredito que 1440p, e um uso incrível de HDR que rivaliza Gears 5, Gran Turismo Sport e Sea of Thieves, em qualidade de implementação.

O áudio e a trilha sonora acompanham a qualidade massiva visual que o game oferece. Eu joguei 100% com um Headset Hyper X Cloud Alpha e tive uma experiência sonora realista e tensa. Os sons dos escombros ou os barulhos característicos dos Estaladores ficaram perfeitos com uso de um sistema de som binaural. Os passos sobre as diversas superfícies e as músicas de tensão casam perfeitamente com o clima dos cenários.

As dublagens estão excelentes e pude jogar o game inteiro em inglês e boa parte em português e acredito que essa seja a melhor dublagem brasileira que já vi num jogo narrativo, inclusive superior a jogos como The Witcher III e Shadow of War. Eu tenho preferência pela língua nativa, mas nossa versão não fez feio.

Os cenários são uns dos destaques do game, diversos lugares e construções diferentes. Por do Sol, Destroços, Chuva, Neve, Praia, TLoU2 é bem mais diversos que o primeiro game e oferece cenários mais realistas e amplos. 

Agora o ponto mais incrível em The Last of Us Parte II são as animações e cutcenes. Em termos de animação acho que somente Red Dead Redemption 2 tem o mesmo nível de detalhes e realismo, mas no departamento cutcenes não existe nada equiparável a esse jogo, nem mesmo o belíssimo Death Stranding. 

Somente graças à evolução tecnológica e altos valores de produção temos oportunidade de apreciar obras tão bem construídas quanto The Last of Us Parte II. Um jogo em que todas as partes se encaixam perfeitamente e formam um produto de extrema qualidade e acessível a todos os níveis de habilidade.

Para não dizer que não tem defeitos, tive algumas pequenas quedas de framerate e alguns glitches de animação, coisas bem simples de serem sanadas em futuros patchs ou até mesmo antes do dia 19, quando finalizarem as correções para o jogo final. Outra questão que pode incomodar para quem não tiver fones, é o barulhos que os consoles fazem ao rodar esse jogo, mesmo com manutenção mensal meus videogame pareciam que iam explodir.

Parte III

Eu não sei dizer se teremos uma terceira parte no universo de The Last of Us, mas sei que gostaria bastante que houvesse. A Parte II é um dos melhores jogos que joguei na minha vida e provavelmente vai ser o melhor para muitos jogadores no mundo inteiro.

Foram mais de 70 horas com o jogo, contando minhas duas zeradas, no Difícil com 35 horas e outra no Sobrevivente+ com 32 horas, além das minhas aventuras para gravar vídeos no PS4.

The Last of Us Parte II superou meu amado Uncharted 2: Among Thieves e agora é o melhor jogo da Naughty Dog e fica ao lado (talvez até acima) de Bloodborne e God of War como melhores jogos do PlayStation nessa geração, sendo obrigatório para qualquer pessoa que possua o console ou tenha possibilidade de ficar com ele por um período.

Faça um favor a si mesmo e jogue TLoU2 sem ver nada na internet, ou através de olhos alheios. Seja imerso nessa história, que acima de tudo fala sobre humanidade e seus instintos. Um jogo brutal e emocionante como nenhum outro. The Last of Us Parte 2  merece a atenção mesmo de quem não gostou do primeiro.

Que sua sobrevivência seja longa

  • Gráficos, sons e animações espetaculares, aprimoram a imersão e oferecem alguns dos momentos mais intensos e realistas nos videogames;
  • A jogabilidade evoluiu em todos os sentidos e melhorou muito, graças às melhorias gigantescas na Inteligência Artificial;
  • O level design está mais amplo e variado, tanto para exploração quanto para o combate.
  • Set Pieces extremamente bem construídos e emocionantes;
  • Storytelling e a construção de personagens continuam no topo da industria;

Que sua morte seja rápida

  • Alguns raros glitchs de animação e gráficos;
  • Algumas poucas quedas de framerate;
  • A turbina do PS4 e do Pro parecem que não vão aguentar, joguem com fone ou headset;

10/10

Danilo Morim
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Comentários(1)

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