Análises

Ghost of Tsushima

9
O melhor jogo da Sucker Punch
É o melhor jogo de mundo aberto entre os estúdios da Sony. Não tem a criatividade de Horizon e não tem as Hordas de Days Gone, mas traz um dos melhores sistemas de combate, alguns dos cenários mais bonitos e uma experiência de jogo marcante e diferenciada em vários aspectos.

Ghost of Tsushima é o mais novo game de ação e aventura desenvolvido pela Sucker Punch, estúdio que faz parte do PlayStation Studios, com data marcada de lançamento no dia 17 de julho de 2020, exclusivamente para PlayStation 4.

Expansão Mongol

Ghost of Tsushima é um pouco diferente dos jogos da Sony, a história do game é contada através de vários contos, estruturalmente muito parecido com o que vemos nos últimos Assassin’s Creed e The Witcher III. O jogo oferece basicamente 3 tipos de contos: Histórias Principais, Histórias Secundárias e Histórias Especiais.

As missões principais são divididas em atos e no geral podem ser cumpridas na sequência que o jogador definir. Tem algumas que fazem você a seguir a ordem dos desenvolvedores em prol do Storytelling, mas no geral fica a seu critério quais objetivos cumprir primeiro. Essas missões geralmente obrigam o jogador a seguir da forma que ela foi planejada, então se for uma missão de Stealth você tem que jogar no Stealth, se for na porrada, você tem que cair na porrada.

As missões secundárias variam entre algumas mais genéricas de salvar alguém ou liberar uma área com um pequeno pano de fundo, assim como vemos em abundância em AC Origins/Odyssey e outras que contam histórias mais complexas e profundas dos personagens aliados mais importantes, eles tem várias partes e muitas só terão desfechos perto do final do game, lembram um pouco o que vemos em The Witcher III.

As missões especiais, são as mais longas e as em menor quantidade. São lendas contadas através de cantos por toda Tshushima e são as que liberam algumas das melhores armaduras e habilidades no game. Na minha opinião foram algumas das melhores missões que fiz no jogo.

A história do jogo é simples e intrigante, não tem muitos plot Twists, mas é muito bem produzida e construida para manter a atenção dos espectadores até o fim. O jogo é bem longo por conta da variedade e quantidade de conteudo e tem quase uma centena de contos. Tsushima é um jogo sobre vingança, honra e transformação e embora não tenha construção narrativa do nível de God of War e The Last of Us, está acima de jogos como Days Gone e Horizon Zero Dawn.

Visceralidade

Não vou mentir que quando vi as lutas em Ghost of Tshushima, tanto na apresentação da E3 2018, quanto na State of Play de maio desse ano, achei que teriamos um combate parecido com os Batmans da Rocksteady e os Assassin’s Creed antigos. Algo bem automatizado, focado na apresentação visual e não em profundidade e habilidade do jogador.

Fico muito feliz em dizer que estava redondamente enganado e Ghost of Tsushima vai muito além disso e oferece provavelemente o melhor combate em jogos de mundo aberto que já tive o prazer de experimentar.

Tsushima pode ter a mesma plasticidade de um Batman, mas a profundidade do combate é um meio termo entre Assassin’s Creed Origins/Odyssey e NioH, com janelas bem curtas para defletir e erros brutalmente punitivos. Acertar e Errar faz parte de todas as intâncias mecânicas do game e o quanto antes você aprender isso, melhor será sua experiência de jogo.

Se você acertar, esquivar ou defletir um golpe vai ser prêmiado com Determinação (Aquelas bolas douradas acima do HP), que servem para recurperar vida e usar habilidades especiais, além de um instante para contra atacar seus inimigos. Se você errar vai perder boa parte da sua energia e ficar vulnerável a sequências de ataques que vão leva-lo direto ao game over.

O jogo tem vários tipos de embates e uma boa variedade de inimigos o que melhora ainda mais a experiência de combate que eles buscaram oferecer ao jogador. A cada nova região, os inimigos vão sendo aprimorados e modificados, trazendo mais desafios e mecânicas mais interessantes pro game. Além disso temos diversos Duelos, que funcionam como os bosses no game, cada um com seu moveset e particularidades para desafiar os jogadores.

Infelizmente o Stealth (o famoso Ghost) no game não é tão profundo e interessante quanto o combate e esse parece muito com o que temos nos Assasin’s Creed. A Inteligência Artificial é bem fraca e isso facilita demais as tomadas de controle e na minha opinião banaliza a jogabilidade. Eu só usei Stealth quando era obrigado ou quando estava cansado de combater e queriar dar uma variada na playabilty. O game tem várias ferramentas para quem gosta de jogar furtivamente, mas sinceramente seu brilho está no combate franco.

O jogo tem 3 arvores de habilidades e dentro delas temos várias formas de evoluir o Jin. A primeira é a arvore Samurai, onde você aprende habilidades como Parry Perfeito que é bem dificil de acertar, mas abre chace para um golpe critico que geralmente mata o oponente. Temos também a arvore de Posturas, que servem para combater diversos tipos de armas dos inimigos, como exemplo a postura da pedra que funciona bem contra espadachins ou a postura da água que melhora suas chances contra usuários de escudos. A última árvore é focada nas habilidades de Ghost, que são basicamente suas habilidades de Stealth e sua ferramentas ninja.

A progressão do personagem é um ponto bem interessante, pois muitas coisas não estão relacionadas apenas ao nível do Jin e sim com a exploração do mapa. Então se você quiser liberar mais espaços para acessórios, desbloquear posturas, novas skins de armas ou aumentar sua vida, vai ter que explorar bem Tsushima.

Eu testei um pouco do game no normal, mas joguei ele inteiro no hard, as diferenças que percebi foram no timming do parry e no dano que o Jin toma, o normal é mais permissivo com erros e oferece maiores janelas para defletir os golpes. Como sou acostumado com jogos do gênero de ação bem mais complicados como NioH e Sekiro, acho que o hard é o mais indicado para quem gosta desses jogos desafiadores. O Normal é um desafio até você aprender as mecânicas de jogo e deve ser suficiênte para a maior parte das pessoas.

A Ilha de Tsushima

Talvez o maior acerto e o maior erro de GoT foi terem optado por um mundo aberto para ambientar o game. Eu passei algo entre 70 e 80 horas até praticamente platinar o jogo, mas sinto que algo ali poderia ser muito melhor se não fosse tão similar a tantos jogos que joguei nos últimos 10 anos.

GoT tem um mundo lindo de explorar, muito contéudo de qualidade, mas é muito baseado na estrutura de jogos como Batman Arkham, Assassin’s Creed, Mordor, Far Cry e assim vai.

Na minha opinião isso é prejudicial por 2 motivos: O jogo se torna repetitivo, mesmo com bastante variedade de coisas para fazer as tarefas são muito mecânicas e muitas vezes pouquissimo desafiadoras e por isso ficam banais rapidamente.

O segundo motivo é ainda pior, porque o jogo não consegue te deixar em paz para explorar, todo instante algo está chamando sua atenção, seja um ponto de interesse, inimigos implorando pela morte ou por conta de algum colecionável.

O game da Sucker Punch se beneficiaria se realmente tivessem se inspirado em jogo como Breath of the Wild e Red Dead Redemption 2, que sabem quando e como chamar a atenção do jogador para algo realmente importante.

O sistema de vento só serve para sanar um problema de open worlds modernos, o marcador no meio da tela, só que você é tão dependente dele quanto aos marcadores padrões, o que no final torna a mecânica pura perfumaria. Muita gente estava esperando uma exploração mais orgânica como vemos em jogos da Bethesda ou mais recentemente em Breath of the Wiild, podem esquecer porque GoT é o mapa padrão dos últimos anos, lotado de pontos de interesse, side quests, fortalezas e inimigos, dando pouquissimo tempo pro jogador respirar e aprecisar suas paisagens espetaculares.

Boa parte da progressão do personagem está atrelada a exploração do mapa, e isso é bom pois da um incentivo ao jogador procurar todos os cantos, mas isso não quer dizer que não é cansativo. Lógico que não chega nem perto de ser Bloated (Inflado) como os jogos da Ubisoft e da Warner, mas é desgastante e na minha opinião não havia necessidade, já que o game esbanja qualidade suficiênte e ser precisar desses artificios.

Para dar um ideía do que GoT tem a oferecer em termos de conteudo vou dar alguns exemplos com breves descrições:

  • Santuários – Lugares sagrados onde você pode conseguir amuletos, que são os acessórios do game, cada um deles trás um efeito diferenciado e os amuletos dos santuários são os mais poderosos.
  • Tocas de Raposa – As tocas de raposa te levam a um pequeno lugar e você pode aumentar o numero de amuletos equipados.
  • Haikus – Lugares belissimos feitos para compor poemas típicos do Japão. Sempre recompensam com uma bandana nova e um novo poema em uma cenário lindo.
  • Pilares da Honra – Esses exploráveis escondem o mais variados Skins para suas espadas.
  • Acampamentos – Dominio mongol que você pode libertar para ganhar experiência, encontrar colecionaveis e receber melhorias para o personagem.
  • Fortalezas – Idem aos acampamentos, mas maiores, mais desafiadores e com mais recompensas.
  • Fazendas – Parecido com as Fortalezas mas o foco é libertar os aldeões.

Além desses exploráveis temos vários outros, e também temos diversos acampamentos e cidades. Todos esses locais funcionam como um ponto de viagem rápiada o que facilita bastante a navegação pela ilha. Infelizmente não tem muita intereção

Outro lado positivo é que Ghost of Tsushima tem muito conteudo, e mais importante que isso é a qualidade, principalmente em algumas missões secundárias e duelos contra os diversos chefões do game.

Se você consegue se focar no que é importante provavelmente vai aproveitar muito mais a estrutura de jogo, do que eu que praticamente limpava o mapa antes de continuar na história.

Um Haiku vislumbrante

Pude testar GoT tanto no PS4 Pro, quanto no PS4 Vanilla, e ambas as versões oferecem um dos mundos abertos mais bonitos dessa geração, principalmente na questão artistica.

A vantagem do Pro é poder escolher entre ganho de resolução, que trás maior nitidez aos detalhes em 1440p, ou poder rodar o game em full hd como as versões mais simples, mas com um com um aumento no framerate, que infelizmente não mantém constantemente os 60 FPS planejados. O HDR é vivo e vibrante e trás ainda mais vida a incrível e variada ilha de Tsushima.  

O game também oferece diversos modos de som e experiências visuais assim que você começa o game e eu sugiro que testem as melhores opções de acordo com o seu gosto e o que você quer experiênciar.

O áudio e a trilha sonora acompanham são excelentes, eu pude jogar o game inteiro em japônes e foi muito imersivo. Infelizmente o game não tinha disponível a dublagem em Português no momento em que fizemos a análise, mas uma atualização adicionou antes do lançamento e todos os menus e legendas foram muito bem localizados

Os cenários são uns dos destaques do game, com diversas paisagens e construções diferentes, e por isso tem um dos melhores e mais completos modos de Foto que já vi num jogo. Além disso podem esperar diversas variações climáticas e cenários que vão desde cerejeiras floridas a florestas completamente dizimadas por incendios.

E para não dizer que não tem defeitos, tive algumas pequenas quedas de framerate em momentos com muitos NPCs lutando e alguns poucos glitches de animação, coisas comumente arrudas com patchs.

O conto de um fantasma

Ghost of Tsushima é o melhor jogo de mundo aberto entre os estúdios da Sony. Ele não tem a criatividade da História e dos Robos Gigantes de Horizon e não tem as tenebrosas Hordas de Days Gone, mas tem um dos melhores sistemas de combate em jogos de mundo aberto, alguns dos cenários mais bonitos dos videogames e com certeza é uma experiência de jogo marcante e diferenciada em vários sentidos.

Se você não se intimida com jogos lotados de conteudo e abraça a temática japonesa do game você provavelmente vai jogar o melhor Assassin’s Creed da sua vida: Mais polido, mais conciso, melhor escrito e com um sistema de combate que a Ubisoft nunca vai conseguir replicar.

A Sucker Punch traz para essa geração o melhor jogo de sua história e com ele se solidifica entre os melhores estudios de videogame do mundo. Ghost of Tsushima é um dos melhores jogos de 2020 e com certeza vai ser menos divisivo do que The Last of Us Parte II foi para os fãs de PlayStation.

Bushi

  • Provavelmente o melhor sistema de combate em jogos de mundo aberto;
  • Progressão de personagem e customização bastante profundas e diversificadas;
  • Conteudo para muitas horas de jogo;
  • O Storytelling e a construção dos personagens aliados mantém a atenção do jogador até sua conclusão;
  • Os gráficos, a arte, os efeitos sonoros e a trilha sonora contribuem muito para a experiência de jogo;

Ronin

  • Faz pouco para se desvencilhar dos padrões estabelecidos em jogos de mundo aberto;
  • O jogo constantemente chama a atenção do jogador com muitos pontos de interesse e isso pode atrapalhar o ritmo;
  • A Inteligência Artificial é fraca e por isso o Stealth fica meio banalizado;

Danilo Morim
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