Análises

Ghost of Tsushima

10
Nunca na história desse país foi tão gratificante fazer sashimi de bandidos.
Um dos melhores jogos já feitos bem no finalzinho de uma geração repleta de experiências marcantes, nada como terminar assim.

Ghost of Tsushima trata-se de um jogo de ação em mapa aberto com elementos de RPG desenvolvido pela Sucker Punch Productions, um estúdio Norte Americano da Sony que foi responsável por títulos como Sly Cooper e InFamous.

O CAMINHO DO FANTASMA

Lançado recentemente para o PlayStation 4 e extremamente bem avaliado por aí a fora, vamos conhecer os motivos pelo qual este game foi tão bem recebido, que acredito que muita gente acabou concordando comigo nisso. Sem mais delongas, vamos as minhas impressões sobre ele.

Parece o Jiraya.

Confesso que eu não botava muita fé quando eu o vi anunciado, não sou e nunca fui comprado por gráficos ou por outros motivos técnicos, então eu não dei tanta bola quando as notícias iam sendo liberadas aos poucos, parecia ser, ao meu ver, apenas mais um jogo de samurai genérico.

Isso é, até eu iniciar o game pela primeira vez e ter minha voz calada como nunca, numa explosão mental que, para ser bem honesto, ainda estou tentando medir o dano positivo que isso me causou.

Cada um por si!

O CONTO DE SENSEI ISHIKAWA

O que eu estava presenciando parecia ser algo que não condizia mesmo com a maioria dos jogos de PlayStation 4, e acredite, eu conheci jogos bonitos antes, vi God of War 4, Red Dead Redemption 2, Resident Evil 2 e 3 Remake e até mesmo Final Fantasy 7 Remake recentemente, mas sim, Ghost of Tsushima empurra a beleza adiante para o próximo nível, algo digno da next-gen, me arrisco dizer.

Embora tecnicamente o jogo seja maravilhoso visualmente falando, esta não é a única fonte de toda a beleza dessa obra. O fator mais importante de um jogo é o jogo em si, podemos concordar com isso – o gameplay, a maneira que o jogador interage com o universo ali apresentado, e isso a Sucker Punch deixou claramente explícito como prioridade, polido da melhor maneira possível e entregue com muito amor e respeito, aspecto cujo qual irei abordar sem muita enrolação mais a diante.

Batalha na ponte.

A impressão que se tem é que não foi um jogo que foi criado da noite pro dia, foi um projeto que com certeza envolveu muito estudo, muita leitura e consultas sobre a cultura oriental num geral, fatores históricos, todo esse negócio de honra e conduta dos samurais que é amplamente abordadas no game, folclore popular, faz o jogador realmente entrar na alma do negócio, tanto em momentos de muita tensão para até os momentos de reflexão do personagem durante uma meditação por exemplo.

A CANÇÃO ESQUECIDA

O trabalho dos dubladores também é sem palavras, eu honestamente nem cogitei em jogar o jogo em inglês pela total falta de coerência, mas o trabalho da contraparte japonesa é de tirar o chapéu, como de praxe. Até o presente momento também não havia saído a dublagem e as legendas em Português, então até a hora em que essa análise sair, eu já haverei terminado o jogo, mas adicionarei um comentário acerca da valorização dos nossos profissionais que, eu tenho certeza, são bem competentes e fizeram um ótimo trabalho.

Cenários maravilhosos.

A galera de lá trabalha com voice-acting num nível muito invejável no entanto, lindo demais. A maneira que as emoções são demonstradas nesse jogo são muito realistas e é possível sentir o desespero e agonia de um povo oprimido por conta da invasão do exército mongol, que é o tema da trama principal, seja durante as batalhas ou em conversas corriqueiras de teor mais leve, que são momentos bem raros, é incrível de fato.

Aliados também a trilha sonora exemplar do mestre Shigeru Umebayashi junto com Ilan  Eshkeri, que mistura instrumentos clássicos orientais no estilo orquestra que ficou muito harmonioso, maravilhoso e impecável o trabalho, até mesmo para a galera que gosta muito de “música de ambiente” apenas.

O jogo é cheio de momentos como esse.

O DESTINO DE TSUSHIMA

Mas, o que aguarda o jogador nesta jornada árdua para recuperar a honra?

Vou começar falando do fator mais superficial porém não menos importante, que são os gráficos do game. E o que eu posso dizer além de que fiquei embasbacado com a qualidade dos ambientes arborizados, abertos, com imensidões de vegetação até onde os olhos podem enxergar?

É complicado comentar rapidamente algumas sensações que a gente tem enquanto está experimentando Ghost of Tsushima, mas o que me chamou muita atenção foi fluidez dos movimentos com as partículas de praticamente tudo o que permeia ali, estejamos falando de folhas voando, fuligem, insetos, pássaros, o negócio é que mexemos muito com o vento nesse jogo, e a maneira que os objetos reagem no cenário é de um realismo notável, chega até ser meio bizarro de tão bonito que é.

Como falei anteriormente, é um game de mundo aberto, então vamos ter todo tipo de formação geográfica espelhada pelo mundo do jogo, colinas, grandes pastos, vilarejos pesqueiros, praias, tundras, fazendo com que cada região do jogo pareça bem única por conta de uma característica ou outra, isso é um detalhe muito positivo porque começamos a reparar certos padrões na vegetação a medida que vamos avançado para o norte da ilha, algo bem diferente do que vimos mais para o sul por exemplo.

A espada do herói.

Para complementar o detalhe do cenário, além do belíssimo trabalho com os efeitos de luz e refração que trazem ainda mais realismo para o game, Ghost of Tsushima tem um sistema de passagem do tempo com variações climáticas também, que vão desde dias com céu aberto a dias de chuva forte extremamente bem executados. Um verdadeiro colírio.

Tranquilo, os gráficos e a trilha sonora já sabemos que são excelentes, mas e o jogo em si? O que podemos fazer com nosso herói samurai? A resposta é, muita coisa. Muita coisa mesmo.

SEION, SHURAI, BUSHIDO KODOKU, SEIIKI

Vamos entender o seguinte, para quem já jogou Assassin’s Creed Odyssey ou Origins, vai notar algumas semelhanças da disposição dos objetivos do mapa, e até a maneira que realizamos certas coisas no cenário, como investigar e coletar os itens; é tudo muito rápido, intuitivo, ambos os jogos mandaram muito bem nesse sentido e que eu espero que sirva como aula para os próximos títulos.

O que eu quero dizer é que espalhados pelo mapa temos as localizações de pequenos vilarejos, locais de repouso, fazendas, templos, etc, que vamos habilitando a medida que concluímos uma quest ou fazemos o bom uso da nossa curiosidade também.

Os locais estão com o que chamam de “fog of war”, ou seja, a medida que percorremos o mapa, vamos desvendando ele aos poucos.

Na calada da noite…

A maioria dos locais opcionais do jogo oferecem recursos que irão melhorar alguns atributos do seu personagem, como os pontos de habilidade ou vida, além de outros benefícios também, e sempre acaba sendo muito frutífero explorar essas localidades sem ter vínculos com a história, pois ao concluir um objetivo do local em si, você o habilita para uma viagem rápida, agilizando demais a ida e vinda entre uma side-quest e outra.

Sobre o que você pode melhorar e equipar o Jin, teremos como: aumentar o HP, aumentar seus pontos de habilidade, podemos evoluir nossa espada em até 10 níveis, melhorar nossas sub-armas como kunais e bombas, arco-e-flecha, podemos também evoluir individualmente mais de 5 tipos de armaduras diferentes que dão bônus para diversas situações, e por fim, sua reputação, que é como se fosse um Rank.

Jin também pode aprender uma tonelada de skills para se usar nas batalhas, que envolve até 4 instâncias diferentes para 4 grupos de inimigos específicos, cada instância tem 5 níveis de skills que variam entre a adição de mais um hit nos golpes ou a proficiência de stagger para tirar o balanço do oponente, e isso é só parte do quanto podemos incrementar ele, acredite, vai ser necessário. Eu particularmente não achei que conseguiria dar conta de tanta coisa para se fazer nas batalhas, mas hoje em dia eu me considero “preparado” pelo menos.

O modo foto do jogo está incrível.

Muito habilidoso, nosso herói corre, pula, anda a cavalo, usa grappling hook para subir e se lançar em lugares distantes, atira de arco, fica em modo stealth para assassinar os oponentes na surdina (Alou, Kassandra?), se enfia em buracos, paredes, debaixo de casas, é muita versatilidade, e tudo isso é muito tranquilo de realizar nos comandos do controle, fluidez, lembram?

Agora que temos tudo isso em mente, o que diabos houve com esse cara para ele estar armado até os dentes? Muita treta, mas ninguém começa tão forte assim, pois ao longo da jornada do nosso herói, ele encontrará muitos aliados que vão legitimamente ajuda-lo a libertar a ilha da invasão do exército mongol, evento cujo qual o jogo inicia sobre. Durante uma invasão do exército nas costas de Tsushima, Jin Sakai, o nosso herói, vê seus companheiros serem derrotados miseravelmente pela força opositora, uma batalha sangrenta, surpresa e perdida.

Um dos momentos mais emblemáticos do jogo.

Agora caberá a ele reunir esforços para planejar um contra-ataque e salvar o seu povo. O legal sobre o enredo do jogo é que ele é voltado para os valores do samurai, que envolve respeitar seus inimigos, nunca atacar de surpresa, mas as circunstâncias da guerra mostrará que as mudanças são necessárias para que os paradigmas da doutrina sejam quebrados para alcançar a liberdade. Muito legal acompanhar toda essa redescoberta do que fará Jin um cara mais completo.

VEREDITO

Para concluir, é uma aventura longa essa, vai levar boas 50 horas pelo menos para terminar a campanha principal do game, que, infelizmente, nunca saberemos quanto tempo estamos jogando porque simplesmente não marcam game-time, marcando assim também, o único “defeito” do jogo, puts, Sucker Punch!

Contudo, não joguei nada parecido antes, e isso mexeu pra caramba comigo, é um jogo excelente porque eu já estou predisposto a gostar de coisas que remetam essa questão histórica e folclórica do Japão, todos esses mitos de espíritos, deuses e maldições me agradam muito, e tem muito disso dentro da experiência.

De tirar o fôlego!

As batalhas e o gameplay em geral são muito gratificantes, é instigante, faz você querer jogar de verdade. Não frustra, não é mal feito, tudo tem sentido ali, o domínio dos seus artifícios cabe a você mesmo saber como usar e quando usar, fará do jogador um verdadeiro ninja/ Samurai/ maquina de fazer pessoas sangrarem.

Houveram muitos momentos, muitos mesmo que eu cheguei a chorar de emoção, cenas horríveis e tocantes ao mesmo tempo, então não espere que esse jogo será um game onde apenas morte e sangue irão ficar em evidência, mas muito o lado de família e amizade também.

Pros

  • Gameplay rico, diversificado, bem feito e polido.
  • Dublagem, trilha sonora, todos os efeitos de áudio são primorosos.
  • Graficamente é o jogo mais bonito da geração, desculpa aí FF7R.
  • Sistema de batalha lindo, complexo, instigante e eletrizante.

Contras

  • O jogo acaba.

Fábio Kraft
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