Análises

Paper Mario: The Origami King

9.5
Mario de papel em um jogo excelente
Um dos grandes destaques da Nintendo é um RPG divertido, emocionante e engraçado, não perca por nada

Já irei começar essa análise lhes dizendo que sou fã de duas coisas, da série Super Mario e de RPGs.

O mais curioso é que Paper Mario: The Origami King se trata do meu primeiro contato com a versão papel do encanador, por alguma razão os títulos anteriores não haviam despertado meu interesse e ao jogar esse jogo percebo que posso ter cometido um erro.

Logo nos primeiros minutos já vislumbro uma genialidade, seja na parte artística ou mesmo nos diálogos, esse RPG do herói mais famoso dos games mostrou que a Nintendo ainda merece ser chamada de Big N. Desenvolvido pela Intelligent Systems, chegou a hora de ver o motivo do porque Paper Mario: The Origami King ser um dos grandes jogos de 2020.

O REI ORIGAMI

Significado de Origami.

Técnica de dobradura de papel, que lhe atribui formas de animais ou de diversos outros objetos, de origem japonesa.

Esse castelo sofre.

Em um belo dia, Mario e Luigi resolvem ir até o castelo da princesa Peach pois foram convidados para o Origami Festival. Só que chegando lá, na cidade do Toad, eles percebem que a cidade está abandonada e a princesa Peach foi transformada em um origami, tudo obra do rei chamado Olly. Sua irmã, Olivia aparece na cena e juntamente de Bowser, fogem do castelo, que por sinal está amarrado com laços coloridos(chamados de Streamers no jogo).

O objetivo de Olly é fazer uma espécie de revolução dos origamis e nas poucas vezes que ele aparece na aventura, deixa muito claro que fará de tudo para que isso aconteça, mesmo ignorando os pedidos da irmã Olivia. Com essa premissa a aventura se inicia e como Mario não fala, basicamente todos os diálogos partem dessa nova personagem que por si só possui um carisma imenso.

Diferente da maioria dos RPGs, Paper Mario: The Origami King não possui uma história pesada, com temas complexos, aqui nós vamos uma aventura divertida e muito engraçada, provável que esse seja o jogo mais engraçado que já joguei na vida. Eu não dava risada com diálogos assim desde Mystical Ninja no Nintendo 64 lá em 1998. É uma obra que praticamente implora pra você jogar com calma, falando com todos os NPCs e já adianto que boa parte desses NPCs são os Toads, que vivem falando coisas engraçadas. Devido a diálogos como esse e outras cenas, confesso que perdi a conta do quanto usei o recurso de capturar imagem nesse jogo.

Mario mesmo falando nada é com certeza a versão do encanador com maior personalidade de todos, ele é praticamente um Charles Chaplin dos VideoGames pois consegue encantar os jogadores só com suas atitudes. Quando chegar aos eventos em Shogun Studios com certeza vais entender essa minha comparação, só as mentes mais brilhantes mesmo conseguem desenvolver um personagem dessa forma sem uma única linha de diálogo.

Mario não parece muito afim de ajudar.

O elenco de suporte não deixa a peteca cair também, como mencionei logo acima, a irmã de Olly, Olivia, possui com certeza os melhores diálogos do jogo, ela tem uma personalidade muito amável e sua visão inocente do mundo faz com que tu se apaixone pela personagem. Não satisfeita criar “apenas” Olivia como companheira de Mario, algumas horas mais adiante na aventura nossos heróis encontram Bom-Omb, o clássico inimigo bomba, só que dessa vez na paz pois perdeu sua memória.

Com pena, Olivia e Mario resolvem convidar o Bom-Omb para participar de suas aventuras e assim temos o trio parada dura. Bom-Omb vive dizendo que está ali para criar novas memórias, fazendo dele um personagem meio “vazio”, mas não se engane, ele protagonista um arco de história que fará você se questionar se Paper Mario: The Origami King é mesmo um jogo infantil, lance bem profundo mesmo.

Não tenha dúvidas que aqui temos uma das histórias mais divertidas e emocionantes dos últimos tempos, cada personagem, cada localidade, cada situação trazem algo único e que não vemos todos os dias. Mario, Olivia e Bom-Omb vão encher de alegria a sua vida, é lindo!

O humor desse jogo é algo sensacional.

O MISTÉRIO DO CÍRCULO MÁGICO

Significado de Originalidade.

Característica do que é completamente original, novo.

Qualidade do que nunca foi dito nem pensado; inovação.

[Figurado] Capacidade criativa; maneira de se expressar ou de agir completamente independente e particular; criatividade.

[Por Extensão] Em que há extravagância; que foge ao comum; não convencional; excentricidade.

Esse pode ser meu primeiro RPG da série Super Mario, mas com certeza absoluta não foi meu primeiro RPG. Nunca imaginei que seria com esse título que veria uma variedade tão grande em matéria de jogabilidade nesse gênero. Paper Mario: The Origami King exala originalidade por seus poros, praticamente a cada passo que damos o jogo resolve “arremessar” algo de novo na sua direção, nos pegando desprevenido.

Controlamos Mario em um ambiente 3D sem controle da câmera, fazendo com que fique mais fácil explorar os diversos cenários sem perder nada de vista. Mario pode pular e com isso temos diversos segmentos de plataforma, nada muito difícil e também pode usar seu martelo para martelar tudo que vê pela frente. São tantos aspectos deste jogo que eu amo, mas se tem um em especial que me fez ter vontade de explorar cada cantinho, é o fato de praticamente tudo ser interativo.

Picnic Road marca o início da jornada.

Praticamente qualquer objeto reage ao martelo de Mario e nisso os designers puderam esconder os mais diversos segredos, como a quantidade enorme de Toads que devemos resgatar. Dando um exemplo prático, Olly transformou todos os Toads em origamis e devido ao seu formato, eles podem ficar escondidos em qualquer lugar. Na primeira área do jogo, Whispering Woods, temos muitas árvores(é uma floresta…) e martelar elas pode fazer com que um Toad em formato de origami caia de seus galhos. Partindo desse princípio já dá pra ter uma ideia do que vem pela frente. Temos Toads escondidos em armários, caixas de correio, quadros e por aí vai, boa sorte em encontrar todos.

Claro que diversos puzzles estão presentes nesse jogo, eles costumam aparecer mais em dungeons, porém não é regra. Não irás encontrar nada muito difícil e se não tiver paciência com algumas resoluções, peça ajuda a Olivia… to brincando! Coloca essa cabeça pra pensar que no final vai valer a pena. Algo que não poderia deixar de mencionar são os Confettis, eles são pedaços de papel que você coleta em praticamente qualquer lugar e que são necessários para preencher buracos no cenário, a grande maioria é opcional, mas em dungeons boa parte são obrigatórias para avançar, portanto não deixe de estar sempre cheio de confettis em seu bolso!

Os braços mágicos em ação.

Quanto aos inimigos, até que você esteja consideravelmente forte, não conseguirás derrotá-los com seu clássico pulo na cabeça, será necessário travar uma batalha usando um sistema muito louco de anéis. Não é muito simples explicar o funcionamento desse sistema, entretanto Olivia dá um show na hora das explicações, exigindo mais prática do jogador do que qualquer coisa. Basicamente você terá que resolver um pequeno puzzle em todas as batalhas com o intuito de “alinhar” os adversários.

Os inimigos entram na luta de forma espalhada e através de comandos simples nós podemos alinhar eles de forma que nossas armas se tornam mais eficientes, gerando todo tipo de bônus. Armas que por sinal seguem a linha de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, pois possuem uma durabilidade limitada, obrigando o jogador a ser mais sensato nas lutas. Eu pessoalmente amei o sistema de batalha desse jogo, é sempre divertido e por mais que não exista um sistema de experiência, o dinheiro ganho nas lutas é o que faz o progresso existir pois dependemos do dinheiro pra tudo aqui, fora que dependendo da sua sorte, os inimigos podem deixar itens bônus.

Aquele momento de alegria quando conseguimos alinhar os inimigos.

Agora, se as lutas comuns já são legais, os chefes são simplesmente incríveis. É um mais criativo que o outro e cada luta possui um jeito específico de como derrotá-los. Um dos primeiros chefes do jogo é um estojo de lápis de cor(sim, isso mesmo) e ele usa os lápis como mísseis tele-guiados, para ter uma vantagem nessa luta nós temos que ir para parte de trás do chefe e usar uma habilidade especial que permite Mario usar 2 braços enormes de papel, feito isso nós fechamos a tampa do estojo e na hora que ele vai nos atacar com os mísseis, o chefe vai perceber que a tampa está fechada e vai explodir os mísseis dentro dele mesmo, é simplesmente genial.

PAPELARIA NINTENDO

Esse jogo é um deleite para os olhos, usando um estilo gráfico bem cartunesco(não poderia ser diferente, né?), Paper Mario: The Origami King fez com a série Mario o que The Legend of Zelda: Wind Waker fez com a série Zelda, simplesmente criaram um visual que jamais irá perder o charme. As cores são maravilhosas e até a luz me surpreendeu, pois mesmo Mario ser uma criatura de papel, os efeitos de iluminação incidem sobre o personagem e cria uma atmosfera bem única.

O primeiro chefe do jogo, o Earth Vellumental.

Algo que achei bem engraçado sobre a parte gráfica é o fato de em alguns momentos surgir objetos com texturas super realistas. Na dungeon onde enfrentamos o estojo de lápis de cor, inicialmente ela está suspensa por uma “torre” de terra que se destoa totalmente do resto do cenário pois possui uma textura que lembra bastante um bloco de terra de verdade. Ou mesmo em Autumn Mountain quando restauramos a água de volta pro rio, aquela água não tem nada a ver com o que costumamos ver no jogo, bem bizarro.

Agora, o que falar da trilha sonora? Gente, eu jamais imaginava algo tão incrível vindo de um jogo da série Mario, não que a série não possua músicas boas, mas essa variedade toda de Origami King? Caramba. Praticamente tudo que é gênero tem uma representatividade aqui, desde música clássica como O Lago dos Cisnes, passando por Enka(música tradicional japonesa), Metal e até mesmo música de filmes bangue-bangue, é ouvir para crer.

RPG sem pescaria não é RPG.

Os efeitos sonoros são bem moderninhos, apesar de muita coisa ter sida reciclada da série principal, não que isso seja um problema pois o dia que tirarem aquele barulho do Mario pulando os fãs com certeza não irão aprovar.

VEREDITO

Estou muito feliz de ter jogado Paper Mario: The Origami King, para mim foi a maior surpresa dos últimos anos, um jogo que fez eu sorrir durante todas as 40 horas que investi nessa jornada. Mario, Olivia e Bom-Omb fizeram com muito pouco, um mar de momentos emocionantes no qual jamais irei esquecer. Comecei com um pouco de receio e me tornei um fã dessa versão, digamos, “fitness” do nosso bigodudo.

Pros

  • Personagens fantásticos, um roteiro brilhante e uma aventura inesquecível definem o pacote que é esse jogo
  • Visual e trilha sonora de tirar o chapéu
  • Mais divertido que isso só se ele não terminasse

Contras

  • Poderia ser um pouco mais difícil

David Signorelli