Análises

Tony Hawk’s Pro Skater 1 and 2

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Tony Hawk's Pro Skater está de volta e melhor do que nunca
O jogo é tão bom que eu recomendo até se você tem repúdio ao esporte. Estou falando bem sério!

Para iniciar essa análise eu gostaria de levá-los até a época do lançamento de Tony Hawk 2, mais precisamente meados de Setembro de 2000.

QUANDO OS MUNDOS COLIDEM

Eu tinha apenas 16 anos na época, estudante de ensino médio e claro, gamer de carteirinha. Certo dia um colega de turma chega pra mim e fala, “mano, estou jogando um jogo de skate que, além de divertido, tem uma trilha sonora muito louca”, com essas palavras.

O jogo está lindo demais!

Na hora até dei risada, provavelmente ignorei as análises de THPS 2 na época e no fim nem deu bola para essa recomendação. Eis que um dia vou até a casa dele e obviamente estava jogando o tal do “Tony Hawk 2“. Foi questão de segundos até que lá estava eu dando super manobras e vibrando ao som de Lagwagon, mal pude acreditar que minha língua queimaria desse jeito.

Foi difícil esperar até segunda-feira para ir atrás da minha cópia. Me tornei dependente daquelas pistas de skate virtuais e de certa forma tudo aquilo fazia sentido naquela época, era definitivamente um caso de um produto certo na hora certa, a Neversoft foi muito feliz com o desenvolvimento dessa série.

Só que havia um “pequeno” detalhe, o jogo que eu conheci e me apaixonei se chamava Tony Hawk’s Pro Skater 2, ou seja, ainda existia o original para desbravar. Não que eu tivesse enjoado do 2, mesmo tendo jogado uma quantidade indecente de horas(nem tanto pra um adolescente, vai), eu queria ver como tudo isso tinha dado início. Não demorou muito até que eu adquiri a versão de Sega Dreamcast do THPS original e foi alegria demais, mesmo sendo uma versão com menos recursos, ainda possuia aquela diversão top de linha, foram semanas que passei cantarolando Superman da banda Goldfinger.

Os cenários são os mais variados e até pinta uns de noite.

Foi uma época incrível de fato. Logo depois veio a terceira versão, tive oportunidade de jogar THPS 3 no PlayStation 2 e evidentemente me diverti pacas, confesso que não tanto quanto os outros dois, mas ainda era um produto de excelente qualidade. Os jogos posteriores infelizmente não me prenderam, começou a ter enredo, mapas enormes e quando vi o skatista andando com a prancha no braço decidi que minha jornada havia encerrado.

Muito, mas muito tempo depois, mais precisamente no dia 12 de Maio de 2020, fico sabendo que estão produzindo um verdadeiro remake dos dois primeiros jogos da série. Eu e milhares de fãs no mundo inteiro ficamos em estado de transe, além de tudo eles informaram que a trilha sonora seria mantida(com exceção de 3 faixas, nada demais) e ainda contaria com uma música da banda Charlie Brown Jr., algo simplesmente incrível. Meu hype foi às alturas e nos últimos dias pude reviver momentos felizes e tudo isso com toda qualidade que os consoles atuais podem proporcionar.

CONFISCO

Ao inciar o jogo presenciamos um vídeo de abertura que começa com uma qualidade baixa, em formato 4:3 dando um ar de nostalgia, ao som de Guerilla Radio da banda Rage Against the Machine, faixa clássica de THPS 2. Segundos depois o vídeo preenche toda a tela com uma nitidez perfeita enquanto mostra todos os skatistas jogáveis(quase todos!) do jogo. No começo são as figuras clássicas, todos evidentemente mais velhos e perto do fim temos a nova geração com pessoas que nunca vi na vida, porém nididamente talentosas.

Só de ver essas imagens já me dá vontade de voltar e jogar!

Os originais são Tony Hawk, Bucky Lasek, Steve Caballero, Geoff Rowley, Andrew Reynolds, Elissa Steamer, Chad Muska, Eric Koston, Rodney Mullen, Rune Glifberg, Kareem Campbell, Jamie Thomas e o brasileiro Bob Burnquist. Da nova geração temos Nyjah Huston, Leo Baker, Leticia Bufoni(uma skatista brasileira!), Aori Nishimura, Lizzie Armanto, Shane O’Neill, Riley Hawk e Tyshawn Jones.

Passando a introdução, temos a tela inicial com todos os modos. Tony Hawk(sim, ele mesmo), vai perguntar se você tem interesse de fazer os tutoriais antes de começar a detonar por aí, a minha recomendação é que assim… 20 anos não são 20 dias, vale a pena acessar o tutorial, ele é curto e vai desenferrujar esses dedos em pouco tempo!

O modo principal continua sendo o modo carreira, porém aqui ele tem um novo nome, se chama Tours e nele você irá acessar de forma separada os 2 jogos disponíveis nesse remake. Eu recomendo começar pelo original mesmo, os mapas dele são mais simples e vai ficar mais tranquilo para adentar no segundo jogo já com um skatista mais evoluído. Tocando no assunto, aquele esquema de distribuição de pontos continua aqui, portanto vale a pena ficar atento quando for atribuir os status do seu skatista para focar naquilo que ele é melhor!

Mais de 20 anos separam esses dois jogos.

Além de todos os desafios clássicos, existem desafios diversos que liberam diversas coisinhas dentro da parte de customização de perfil, garanto que você fará muitos desses desafios sem se dar conta, é algo bem modernizado e que vai aumentar ainda mais a longevidade desse jogaço.

Algo que eu tinha um pouco de medo era em relação aos controles, são jogos de quase 20 anos de idade e muita das experiências de jogabilidade foram refinadas ao longo dessas 2 décadas, entretanto essa versão só serviu pra mostrar que a Neversoft(agora sob as mãos da Vicarious Visions) estava anos à frente do seu tempo. Os controles clássicos continuam sendo perfeitos, precisos e mesmo com a opção de usar os analógicos, minha memória muscular me levou diretamente ao D-Pad, algo que só acontecia em jogos de luta.

CONECTE-SE PARA CONSUMIR

Controles precisos, longevidade excelente, diversão garantida, etc… Certo, todos nós sabemos disso, mas e o visual do jogo? Um dos aspectos mais aguardados em um remake sem sombra de dúvidas é da parte gráfica. Está simplesmente um deleite, apesar de não rodar a 60 FPS no PlayStation 4, a taxa de quadros é infinitamente mais estável que as versões no PlayStation original, permitindo uma experiência agradável.

É demais ver onde chegamos, né?

Os cenários foram todos refeitos e estão maravilhosos, a quantidade de detalhes enche os olhos e os skatistas estão super detalhados. Uma pena que a interface dos menus é um pouco lenta e “carregada”, percebo um input lag chatinho nessa parte, pelo menos durante o jogo que é onde realmente importa isso não existe.

Quanto a parte sonora, registro apenas uma única palavra: Sensacional. Eles respeitaram os fãs dos originais com a trilha sonora quase intacta e o som novo que trouxeram cai super bem com a cultura do skate. Algo que achei interessante é que boa parte das faixas agora são tocadas na íntegra, de tanto jogar o original eu lembro que as músicas tinham mais ou menos o tamanho da sessão do jogo que é de 2 minutos. Em THPS 1+2 as músicas tocam também nos menus, portanto acabamos ouvindo elas por mais tempo, bem sacado essa parte!

Warehouse Forever.

TRAGA O BARULHO

THPS 2 ainda é considerado um dos melhores jogos já feitos e não é eu que estou dizendo isso. Essa versão que temos agora é ainda melhor, mais completa, mais balanceada e mais divertida. Deu pra entender com que estamos lidando, certo? THPS 1+2 é completamente obrigatório para qualquer um que já teve pelo menos a remota vontade de andar de skate na vida ou tem algum apreço pelo esporte, além disso não é nada além do que uma carta de amor aos fãs que poderão reviver uma época tão bacana que foi o final dos anos 90 e aos novos skatistas virtuais de plantão, BRING THE NOISE!

Pros

  • Visual arrebatador, com todos os detalhes e grafites que nós merecemos
  • Controles perfeitos, precisos, um absurdo
  • Trilha sonora sem palavras, dos clássicos até o som mais atual
  • Longevidade e diversão andando de mãos juntas


Contras

  • Menus um pouco carregados
  • Alguns desafios são exclusivos do modo multi-player online

David Signorelli