Análises

Crash Bandicoot 4: It’s About Time

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A continuação que todos precisávamos
É fácil perceber que esse game é uma grande carta de amor a nós jogadores, e um título obrigatório a todos!

Me lembro que em 2008, quando Crash: Mind Over Mutant lançou, tive minha primeira experiência com esse marsupial maluco. Na época eu não conhecia os games de PS1, e acabei adorando o jogo.

Anos depois e sem nenhum novo game, eu já estava desacreditado de que em algum momento eu poderia presenciar uma nova aventura de Crash. Porém, quando Crash Bandicoot N. Sane Trilogy foi anunciado, eu finalmente poderia me aventurar mais uma vez nesse universo, e ainda por cima em remasterizações dos clássicos. Após jogar o game eu simplesmente fiquei super empolgado, fui jogar os originais e fiquei na espera de um novo jogo completamente novo da saga.

A Toys for Bob conseguiu capturar perfeitamente o clima da série.

E é aí que que a Activision lança Crash Bandicoot 4: It’s About Time, desenvolvido pela Toys for Bob e que promete ser um novo capítulo desafiador para essa grande saga. O game está disponível para Xbox One e PS4, sendo que possui uma versão confirmada para Xbox Series S e X.

Uma confusão no espaço-tempo

Três dos maiores vilões do universo, sendo eles N. Tropy, Uka Uka e o grande Neo Cortex, se juntam para mais uma vez tentar derrotar Crash e todos os seus conhecidos. Enquanto tentavam uma forma de encontrar o marsupial, Uka Uka usa todo o seu poder e cria um portal, para que assim eles pudessem viajar no tempo. Vendo essa oportunidade, N. Tropy não perde tempo e decide usar esse portal (e outros mais) para finalmente ter a sua sonhada vitória.

Crash dá uma observada na área.

Com os vilões ameaçando novamente a humanidade, Crash e Coco devem impedir que isso aconteça, e para isso terão a ajuda de Aku Aku e de outros conhecidos da franquia, isso sem contar as Máscaras Quânticas, que são as guardiãs do tempo e do espaço, e ajudarão Crash a passar pelas diferentes realidades.

A trama sem sombra de dúvidas é um dos pontos fortes do game. Poder conferir uma jornada completamente nova desse marsupial é algo fantástico, e o roteiro colabora durante toda a jogatina. Ver o Crash e a Coco interagindo com os outros personagens é algo fantástico, e acredite, nenhum é deixado de lado durante o enredo. Como sempre os vilões possuem motivações bobas e cafonas, mas isso é marca da saga, e não vejo nenhum problema nisso.

As máscaras também foram uma ótima adição ao game. Cada uma possui uma personalidade distinta, trazendo diversos momentos engraçados. O game também é uma sequência direta de Warped, e conseguimos notar que ele possui a mesma essência dos clássicos na história.

Tá mais louco que o Batman.

Durante toda a progressão pela aventura podemos notar várias referências tanto aos games clássicos quanto a outros, e isso é algo muito bom, já que quem for fã de longa data sem sombra de dúvidas irá notar. Mas não se preocupe, essas referências não influenciam na compreensão da história e servem apenas como um bom agrado aos fãs.

Não consegue, né Moisés?

Se você achou que a trilogia remasterizada já era difícil, então espere só até jogar esse game. Aqui as fases fazem um grande proveito de todo o cenário, fazendo com que você tenha que prestar muito mais atenção conforme progride por elas, já que também são bem mais longas e não é sempre que encontramos uma caixa de checkpoint.

As máscaras também trazem bons desafios para a nossa jogatina. Cada uma nos dá um poder diferente, nos obrigando assim a prestar muito mais atenção nos cenários e se conseguiremos acertar o timing (que na maioria das vezes é um bicho de sete cabeças). Os poderes das máscaras variam desde desacelerar o tempo até mudar objetos de realidade.

Coco Bandicoot dando o ar de sua graça.

As batalhas de chefes também são outro diferencial, já que estão muito mais elaboradas do que nos outros games, e exigem bons reflexos, já que os inimigos realmente farão de tudo para te derrotar e lançarão ataque pra tudo que é lado.

Mas não se engane, o jogo não é difícil por conta da jogabilidade, já que a mesma foi muito bem polida. Os controles podem até parecer confusos no início, mas após umas três ou quatro fases e você já terá se acostumado. Aqui, Crash possui movimentos bem parecidos com os últimos dois títulos originais, como o deslizamento e a possibilidade de se agachar, o que torna a gameplay muito mais dinâmica.

Aqui, sempre que Crash pula você poderá ver um indicador de onde ele irá cair, e isso é muito bom, já que podemos ter uma noção muito melhor de distância e profundidade do que nos outros games.

Sorriso colgate.

Ao iniciar o game você pode deverá escolher um dentre dois modos de jogo, sendo eles o retrô e o moderno. O primeiro modo é o clássico da franquia, em que você inicia com quatro vidas e vai adquirindo elas enquanto pega as frutas wumpa ou então ao quebrar caixas específicas, e caso você perca todas elas é obrigado a voltar do início da fase. Caso você escolha o modo moderno, não irá precisar se preocupar com vidas, já que elas são infinitas e sempre que você morrer irá voltar do último checkpoint. O segundo modo é ideal para quem quer começar a se aventurar nessa saga sem se descabelar todo, mas caso você queira aproveitar toda a dificuldade que o game tem a oferecer, o modo retrô é a melhor opção.

Em cada fase você poderá pegar gemas brancas ao completar certos desafios, como coletar 80% das frutas wumpa, destruir todas as caixas ou terminar a fase morrendo no máximo três vezes. Você pode usar essas gemas para desbloquear novos trajes para Crash e Coco, algo muito bom e que irá dar uma boa variada na gameplay, já que os trajes são bem criativos. As gemas coloridas também podem ser adquiridas nessa game, mas exigem um pouco mais de concentração e de percepção para serem descobertas. E se você já passou raiva na remasterização da trilogia ao pegar as relíquias, se prepare pois elas estão de volta e vão te dar muita dor de cabeça!

Mais louco que o Bat… ok, já tá ficando repetitivo.

Ao terminar cada fase você irá desbloquear a sua versão N. Verted, que trará paletas de cores malucas e completamente diferentes do que qualquer um esperaria, e é exatamente aí que está a graça. Passar novamente pelas fases, mas com cores completamente estanhas traz uma sensação um tanto quanto diferente, mas que no final das contas acaba sendo bem divertido, e sem contar que você pode ganhar ainda mais gemas brancas nessas versões das fases.

Você também pode jogar mais dois tipos de fases nesse game. A primeira é das fitas de flashback, que são nada mais nada menos do que gravações dos testes que Neo Cortex fazia enquanto usava Crash como cobaia em seu laboratório. É muito legal ver esse lado da história e ainda por cima em fases bem desafiadoras.

Mas sem sombras de dúvidas outro destaque desse game vai para as fases de linha do tempo, que mostram alguns acontecimentos pelos pontos de vista de outros personagens, que nós inclusive chegamos a controlar. Passar por esses níveis diferenciados é algo que nos faz variar um pouco na gameplay, já que esses personagens tem jogabilidades diferentes, e até mesmo compreender mais da história.

Aquela cara de que tá prestes a pedir um favor.

Tava bom, agora parece que melhorou

As remasterizações dos games clássicos que vieram nos últimos anos já deram uma ótima repaginada nos títulos, deixando eles modernos mas ao mesmo tempo nostálgicos. Mas em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, podemos ver uma verdadeira e incrível melhora nos gráficos, com os personagens ainda mais bem trabalhados e com um level design de cair o queixo. Passar pelas fases e ver os cenários super coloridos bem com aquela vibe dos games clássicos é algo fenomenal, e que a Toys for Bob fez com maestria.

A trilha sonora também é muito boa. As músicas continuam com a mesma essência dos outros games da série, mas ainda melhores. Elas passam a sensação de perigo de cada fase, mas ao mesmo tempo são divertidas e empolgantes.

Um é bom, mas quatro é melhor

Muitas pessoas tem o costume de passar o controle quando morrem ou chegam em um checkpoint, e aqui nesse game você pode fazer isso usando o modo “Pass N. Play”, em que até quatro jogadores podem ir revezando localmente pelas fases da maneira que preferirem.

Porém, caso você prefira uma competição, pode estar jogando a “Batalha Bandicoot”, em que até quatro jogadores podem jogar localmente dois modos para ver quem consegue ser o campeão. O primeiro modo é o Checkpoint Race, em que os jogadores devem passar pelos pontos de checagem no menor tempo possível para ver quem irá ganhar. Já no segundo modo, que é o Crate Combo, os jogadores devem ir quebrando caixas até chegar nos pontos de checagem.

Até de noite o jogo é colorido.

Esses modos multiplayer são uma ótima adição ao game, já que fazem com que possamos aproveitar ainda mais coisas após terminar o enredo, e passar um bom tempo com nossos amigos ou parentes (isso quando passarmos pela pandemia, é claro).

Veredito

Crash Bandicoot 4: It’s About Time é a continuação que todos precisávamos! Ver nosso marsupial favorito em uma aventura completamente nova é algo fantástico, e o game, ao mesmo tempo que continua com a essência dos clássicos, consegue ser moderno, para assim agradar todos os tipos de fãs da saga, desde os de longa data até os mais novos. É fácil perceber que esse game é uma grande carta de amor a nós jogadores, e um título obrigatório a todos!

Pros

  • Ótima evolução gráfica
  • Jogabilidade muito boa
  • História Cativante
  • Muito desafiador
  • Modos Multiplayer
  • Fator replay


Contras

  • Se quiser ver contras, esse não é o game

David Signorelli

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