Análises

The Outer Worlds

7
MacGyver não chega nem perto do que nosso herói pode fazer.
The Outer Worlds é um RPG de mapa aberto talvez com coisas até de mais para se fazer, cuidar e gerenciar.

Desenvolvido pela Obsidian Entertainment e publicado pela Private Division, aqui está minha análise sobre esse grande e expressivo RPG de mapa aberto, The Outer Worlds.

O RPG em primeira pessoa que foi lançado originalmente para as outras plataformas em 2019, chega agora para o Nintendo Switch, mostrando que o aparelho pode sim rodar jogos de peso. Vamos conferir um pouco mais adentro sobre o que se trata esta aventura.

Ao iniciar o game, eu achei muito bonita a apresentação num geral, o jogo está rodando lisinho, tanto as cut-scenes quanto os vastos ambientes abertos do jogo, muito do que não eram mesmo de se esperar tratando-se de um port para um hardware consideravelmente mais limitado que os atuais. 

Incrível o nível de detalhamento do jogo.

A apresentação como um todo é muito bem feita, gráficos, animação, fluência de de quadros, dublagem, e até mesmo a trilha sonora é de congratular de fato, realmente é um trabalho artístico de qualidades bem ímpares, um pouco fora do que estamos acostumados no mercado, mas de um jeito positivo no contexto geral da coisa.

Em The Outer Worlds podemos criar nosso herói e, tratando-se de um jogo em primeira pessoa, acabamos que infelizmente, quase nunca vemos nosso personagem andando por aí ou interagindo de um outro ângulo. 

Sem muitos spoilers sobre o enredo do game, seu personagem faz parte de uma expedição interespacial para os cantos mais longínquos da galáxia com a intenção de localizar e colonizar planetas alienígenas, porém algo dá errado durante a viagem e nossa nave fica à deriva, fora da rota original, enquanto todos os membros da tripulação estão em um sono induzido por criogênio. 

A inteligência artificial dos seus companheiros deixam a desejar.

Posteriormente, somos acordados (roubados) por um homem fugitivo que, às pressas, designa uma missão de emergência para nosso personagem, lançando-nos para coletarmos recursos e resgatarmos o restante da galera que ficou para trás.

Meu questionamento é do porque será que não tem versão em terceira pessoa de jogos assim, já que são perfeitamente adaptáveis ao meu ver. Algo como Skyrim por exemplo, que ficou super bem feito e que eu particularmente só jogava nesta câmera, a terceira pessoa no caso, lamentei esse fato.

Ao jogar, a impressão que eu tive ao manusear o personagem é que ele “se joga” parecido com o Dead Island misturado com Mass Effect, no sentido de troca entre armas de fogo e pancadaria física mesmo. O jogo tem várias inspirações claras também de Fallout no que diz respeito a mecânica de “hackear” e alocar pontos que determinam muito do que se pode fazer enquanto interação com os objetos e locais do jogo.

Um dos primeiros objetivos é alçar voo com nossa nave.

Durante as batalhas poderemos contar com um vasto arsenal de tipos de armas diferentes, armas brancas de curto alcance e de longo alcance que vão desde pistolinhas, espingardas e miniguns com um alto poder destrutivo. 

As armas e equipamentos deterioram-se a medida que vamos utilizando, além de consumir balas, as armas também precisam ser tratadas e recuperadas em lugares específicos para isso, o work bench. Os equipamentos mudam a aparência do nosso herói e ir atrás de maquinário novo é sempre uma atividade bem legal.

A disposição dos objetivos no mapa com o clássico “ponto de interesse” ajuda a nos guiar para nossos objetivos ou nos afastamos dele para fazer uma quest ou algo do gênero. Muitas vezes eles são meio contra-intuitivos e acabamos sendo guiados para um lugar completamente oposto do que tínhamos a intenção inicial, algo que eu digo por pura experiência própria.

Os diálogos tem uma pegada da escola de RPG americano bem forte, algumas das escolhas habilitam se você encontra o requisito X para uma linha específica (habilitadas conforme subimos de nível e, juntamente, alocando os pontos para as características que desejamos ter), como por exemplo, usar de suas habilidades de médico para curar alguém, mentir ou intimidar, além das que já estão dispostas automaticamente. 

A quantidade de opções que temos durante as aventuras podem parecer, e de fato são algumas vezes, bem massantes e confusas. O que acaba sendo um pouco amaciada pelo teor de engajamento amigável entre os membros da sua equipe. Membros cujo qual debatem com você sobre questões éticas durante uma missão, sobre se é realmente certo fazer determinada coisa para obter outra e assim por diante. 

As cidades são ricas em lojas e lugares para se explorar.

Os textos são inteligentes na maioria das vezes. Eu particularmente gosto de um pouco de humor no jogo, mas esse realmente acaba extrapolando um pouco a minha linha ali, mas novamente, é apenas minha opinião. Pravati é o melhor personagem dos 6 disponíveis que você recruta no game, pelo menos, é a menos ridícula. 

Ponto importante para algumas pessoas é a possibilidade de se jogar em português brasileiro também, dentre muitas outras línguas, exceto a dublagem. A localização ficou bem boa, os menus estão claros e os textos com bastante coerência. Ficou um trabalho de localização bem bom no final das contas, sendo assim bem gostoso de curtir no nosso idioma também.

Gostei bastante da interface dos menus, algo que eu me preocupo bastante quando eu jogo um RPG que não é japonês. Mas esse ficou bonitão, fácil de se navegar, mexer, equipar coisas e etc. Ele fica mais complexo à medida que avançamos no game, quando conseguimos ir para os outros lugares da galáxia ou até mesmo ao recrutar um novo membro de equipe, os sub-menus sobressaem-se, mas ainda sim não é de arrancar o cabelo de ninguém.

Terminei o jogo com aproximadamente 15 horas, na campanha normal. Fiquei bem surpreso dele ser curtinho assim, mas tem muito conteúdo extra que eu não fiz, e além disso, tem outros dois finais para habilitar. Finais cujo quais eu acredito ser um final ruim e um final verdadeiro, já que o que eu obtive foi bem neutro, porém satisfatório. 

Por fim, eu não acredito que realmente seja meu tipo de jogo. Apesar de eu gostar bastante de RPG,eu acho que eu não consegui me conectar tão bem com ele, porém, para fins de imparcialidade eu vou dizer que é claramente muito bom para os amantes de sand-box com ênfase em exploração, até porque a complexidade do jogo nunca trás momentos muito lentos e, ou bobos durante a jogatina. 

Pros

  • Personagens carismáticos e autênticos.
  • Variedade enorme de armas e armaduras.
  • Dungeons bem eleboradas.
  • Sistema de batalha bem feito e complexo.
  • Trilha sonora competente.
  • Gráficos lindos.

Contras

  • Muitas escolhas atrapalham o fluxo da história.
  • Inteligência artificial dos aliados é fraca.
  • Excesso de humor incomoda.

Fábio Kraft
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