Análises

Hyrule Warriors: Age of Calamity

7.5
Longe de ser uma calamidade, mas poderia ter oferecido mais

Se você é fã de Zelda e gosta de musous, acredito que vai se satisfazer plenamente com a experiência que Hyrule Warriors – Age of Calamity tem a oferecer.

Hyrule Warriors – Age of Calamity é um game de ação e aventura musou, desenvolvido Koei Tecmo e publicado pela Nintendo para Switch.

O primeiro game dessa série foi lançado para Wii U, 3DS e Switch, e foi um jogo aceito de forma mediana pela crítica. A proposta de Age of Calamity parecia ser muito melhor pelos trailers de divulgação, será que a Koei Tecmo conseguiu atingir as expectativas? Confira em nossa análise.

A ERA DA CALAMIDADE

O primeiro trailer de Age of Calamity, me trouxe dois sentimentos. O primeiro foi a surpresa de ver outro game de uma de minhas franquias favoritas apostando em musous novamente. A segunda foi o deslumbre com a proposta artística idêntica ao meu jogo favorito dessa geração e a possibilidade da lore e da história trazerem mais informações desse universo que me absorveu por centenas de horas.

O castelo de Hyrule era bem majestoso antes de Calamity Ganon acabar com a festa.

A verdade é que embora, poder conhecer mais sobre os personagens que aparecem apenas nos flashbacks em Breath of the Wild e ter um pouco mais desse universo, tenham sido gratificantes, os trailers me deixaram com um hype muito maior do que a história que o jogo entregou.

Não posso afirmar que o que os roteiristas criaram é ruim, mas posso afirmar que muitos fãs de Zelda vão se decepcionar com a história e acontecimentos dentro do game. Um jogo como esse tinha potencial enorme para entregar tudo e mais um pouco do universo criado por Eiji Anouma e seu time de desenvolvedores. O que fica é uma sensação de desperdício de oportunidade.

Daruk, Link, Urbosa e Revali.

MUZELDA

A jogabilidade é muito parecida com todos os jogos de ação musou, inclusive o combate é bem parecido com o primeiro game. Para quem nunca jogou, musous são jogos de ação com combates massivos entre exércitos, com direito a button mashing desenfreado, um pouco de estratégia e vários poderes exagerados. É um tipo de jogo que diverte, mas acaba se tornando repetitivo em pouco tempo e quase não tem profundidade mecânica.

Existem algumas mecânicas de combate novas, que variam de acordo com os personagens que temos disponíveis. Alguns objetivos diferentes também deram um carinha nova aos padrões do gênero, que te fazem basicamente chegar a um ponto no mapa, capturando pontos específicos pelo caminho. Os mapas gigantes com dominação ainda são predominantes, mas o time conseguiu dar uma recapeada para o jogador sentir menos a repetição.

Zelda dando uma olhadinha nos likes do seu insta.

Os inimigos e bosses tem uma boa variedade mecânica e visual, o que é bastante positivo dentro de um gênero tão repetitivo. Alguns deles exigem uso de poderes específicos para serem derrotados, mas é algo simples e fácil de entender. Infelizmente mais perto do final alguns bosses se tornam lutas maçantes pois exageram em suas barras de vida.

Para quem gosta de grinding e conteúdo, esse jogo é um prato cheio. Eu não tenho mais muita paciência para conteúdo sem sustância, mas acredito que quem valoriza essas tarefas mundanas, vai ter muita coisa para aproveitar. Eu demorei algo em torno de 12 e 14 horas para terminar o jogo no normal, mas testei os diversos níveis de dificuldade, refis algumas missões, grindei levemente e fiz algumas secundárias.

O jogo não é difícil, mas no hard e no very hard exige uma atenção maior com seu HP e com os ataques dos inimigos mais fortes e bosses, inclusive são dificuldades que podem ser frustrantes por conta do handicap mal implementado.

O sistema de progressão é bem simples e usa diversos elementos de Breath of the Wild para aclimatar os fãs. A cada missão você pode usar os recursos de comida para cozinhar e ganhar bônus. As diversas armas adquiridas em missões podem ser utilizadas para melhorar a sua arma mais poderosa.

Os vários itens que encontramos nas missões servem para melhorar os combos, vida e outros elementos dos personagens, abrir novos mercadores e até para liberar missões especiais e utilitários essenciais na sua jornada.

Revali no futuro vai se chamar Falco e irá pilotar uma nave no espaço.

No geral, é uma experiência musou dentro dos padrões, com um toque do último game da série Zelda, o que amplia e melhora a experiência geral no gênero. O game deve agradar mais, os que nunca jogaram nada ou quase nada desse tipo e os fãs do gênero. Os que não gostam de musous, provavelmente vão continuar não gostando.

BONITINHO, MAS RODA MAL

Joguei o game docked e portátil, e ambas as experiências são insuficientes para um título exclusivo da Nintendo. O framerate desse jogo é uma aberração, mesmo não sendo impressionante na parte técnica do visual. Alguns momentos oferecem cenas em baixa resolução, que aliada ao framerate ruim, constantemente compromete a experiência de jogo, quebrando a imersão e a diversão.

Artisticamente é um game muito bonito, usando a mesma direção de Breath of the Wild, mas alguns momentos, infelizmente temos esses problemas técnicos que vão ceifar a experiência de quem quer aproveitar um jogo de ação frenético.

Cenas como essa são bem comuns durante a jogatina.

A trilha sonora é excelente e marcante e mistura composições novas, com as clássicas de BotW, Os efeitos sonoros também foram transpostos e tem aquele teor nostálgico que a Nintendo é mestra em evocar durante a jogatina.

Joguei o game inteiro em inglês e com legendas. Infelizmente não temos nem dublagem e nem legendas em português do brasil, pelo menos por enquanto.

OS GUERREIROS DE HYRULE

A experiência que tive com Hyrule Warriors – Age of Calamity é levemente superior à que tive com o primeiro, mas pelo meu hype com as possibilidades na história e lore, também acabou sendo bem mais frustrante. Esse é um jogo que me deixou com o sentimento de que poderia ter sido muito melhor em vários sentidos.

Depois de um ano fraco pro Nintendo Switch, é triste ver esse fechamento insatisfatório em 2020. Tenho certeza que vários vão aproveitar seu tempo no game muito melhor do que eu, só que outros também terão uma experiência infortuna como a minha.

Zelda mostrando que também sabe brigar.

Eu joguei no normal por aproximadamente 13 horas até ver o final da história principal, testei o game em todos os níveis de dificuldade, que infelizmente usa o handicap padrão da indústria e que a muito tempo foi superado, e também fiz alguns extras, que para quem gosta do gênero e tem paciência, são apresentados em abundância.

Se você é fã de Zelda e gosta de musous, acredito que vai se satisfazer plenamente com a experiência que Hyrule Warriors – Age of Calamity tem a oferecer. Se você só gosta de Zelda, infelizmente existe uma boa chance deste game te decepcionar. Ele não é ruim, mas com certeza absoluta poderia ser muito melhor. Faltou polimento para um título exclusivo da Nintendo.

Pros

  • Usa a estética visual de Breath of the Wild para aprimorar a experiência de jogo.
  • Traz um pouco do background dos personagens falecidos na história de
    Breath of the Wild.
  • O combate é divertido, oferecendo novidades no gênero e bastante variedade de personagens.
  • Boa variedade de inimigos e muito conteúdo para quem curte musou.

Contras

  • Escolhas de game design que levam ao grind e repetição, como todo musou.
  • A história vendida nos trailers não é entregue e pode decepcionar os fãs.
  • O framerate do jogo é ruim e atrapalha a fluidez da jogabilidade.
  • O sistema de dificuldade é um handicap porco.

Danilo Moreira
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