Análises

Little Nightmares II

8.5
Little Nightmares II nos fala sobre como os monstros nascem e são criados dentro de um sistema sociopolítico decadente

A experiência de jogo no geral é excelente e apesar de alguns escorregões o jogo entrega uma excelente conjunto

Little Nightmares II foi desenvolvido pelo Tarsier Studios e publicado pela Bandai Namco, é um game de plataforma e puzzles que se baseia nos acertos do seu antecessor e tenta melhorar em quase todos os aspectos.

No rastro do primeiro jogo

A primeira coisa que se destaca em Little Nightmares II é que é uma sequência com cara de continuação. O trabalho do estudio Tarsier permanece o mesmo, apostando em uma mistura de plataformas e quebra-cabeças de uma perspectiva lateral em 3 dimensões.

Cenas perturbadoras como essa são bem comuns.

Little Nightmares II vai além do seu antecessor graças a dois aspectos muito específicos: os ambientes e a mecânica que aprimoram os quebra-cabeças e as seções de plataforma que são a base e o cerne da jogabilidade.

Aproveitando as três dimensões

Algo que Little Nightmares II difere de seu antecessor é a criação de ambientes mais tridimensionais. Enquanto a perspectiva lateral é mantida, Little Nightmares II brinca muito mais com a profundidade dos ambientes ao criar suas áreas de plataforma, quebra-cabeças ou até mesmo partes de ação.

O resultado é um trabalho que possui uma camada extra de profundidade que é usada com perfeição, principalmente quando se trata de resolver quebra-cabeças. A profundidade permite adicionar mais elementos na mesma área e cria espaço para tornar algumas situações um pouco mais complexas (embora sem ser frustrante ou muito difícil em qualquer caso).

Corredor polonês? Quase isso.

Quanto à plataforma, a perspectiva lateral torna difícil calcular bem a distância para realizar um pulo e por isso alguns saltos podem ser mais frustrantes para a conta por esse motivo. Felizmente, as seções de plataforma geralmente foram feitas em duas dimensões para que este pequeno problema não afete muito a experiência de jogo.

Novas mecânicas

Outra adição em Little Nightmares II em relação ao trabalho original, foi a adição de várias mecânicas. E estas normalmente são temáticas de cada fase e servem para complementar os puzzles e as seções plataforma, trazendo mais variedade e maior complexidade.

Quase todas as adições funcionam muito bem e permitem que cada fase seja bastante única, incluindo os quebra-cabeças e desafios que, pela própria natureza da mecânica e sua relação com o meio ambiente, não podem ser encontrados em nenhum outro jogo que eu tenha jogado.

A viagem fica mais suportável com um amigo.

Infelizmente temos uma mecânica específica que não funciona tão bem: a de combate. Little Nightmares II tem um combate que sem meias palavras, é uma merda. Ao longo da aventura, o jogo te a oportunidade de coletar alguns objetos contundentes possibilitando dar golpes, uma ideia, que no papel não parece ruim.

O problema é que usar essas armas são bastante imprecisas e lentas, o que pode causar bastante frustraças nas poucas seções de combate que o game oferece. Na minha visão essa mecânica poderia ser deixada de lado para dar espaço ao que realmente faz sentido e que funciona no game.

A criação de um monstro

É na narrativa que Little Nightmares II dá o maior passo em relação ao primeiro game. E o faz porque, apesar de nos remeter a uma história tirada de um pesadelo em todos os aspectos, é capaz de sacramentar este pesadelo no mundo real para articular um discurso através dele.

Apesar de macabro, o jogo tem um visual bem bonito.

A história do jogo tem um tom de ocultismo, em que são as nossas interpretações que devem moldar a relação dos dois protagonistas. Seu início e seu desfecho, estão no discurso que fundamenta o jogo inteiro, e é onde encontramos a maior evolução em Little Nightmares II.

O game nos transporta para uma cidade desgraçada, mas funcional. É uma cidade em que ainda existem habitantes; há escolas que funcionam, médicos que trabalham e transeuntes que povoam as ruas. Mas em contrapartida a esse funcionamento da cidade, descobrimos que não existem mais pessoas, somente monstros.

Através das diferentes fases de Little Nightmares II podemos encontrar a crítica de diferentes aspectos sociopolíticos contemporâneos que tratam de questões como educação, bullying, degradação ambiental ou a influência da mídia. Além de tratar destas questões através dos ambientes, a Tarsier Studios lida com essas questões usando os inimigos de cada área, os chefes e até as mecânicas de jogo.

Psicose, alguém?

Little Nightmares II nos fala sobre como os monstros nascem e são criados dentro de um sistema sociopolítico decadente. Todo o entorno da produção acompanha este pensamento. O gráfico e a arte do jogo estão entre as melhores da indústria. A excelente trilha sonora e efeitos sonoros completamentam a criação do estúdio e aprimoram ainda mais a experiência que tive no game.

Conclusão

Little Nightamres II é um dos melhores jogos de plataforma e puzzle que já joguei. Ele dura algo entre 4-5 horas, bastante intensas, e apesar de ser bem parecido com o primeiro jogo é modificado e aprimorado em todos os sentidos.

Seja a introdução de novas mecânicas ou a expansão dos ambientes, tudo serve para adicionar uma camada de complexidade ao trabalho sem descuidar do espírito original. A experiência de jogo no geral é excelente e apesar de alguns escorregões o jogo entrega uma excelente conjunto.

E por fim, a chuva!

Se você gostou do primeiro game recomendo fortemente jogar o segundo. Se você ainda não jogou nenhum dos games e se interessa pelo gênero e/ou pelo tema é praticamente obrigatório.

Pros

  • Excelentes quebra-cabeças e seções de plataforma, que aprimoram a experiência do primeiro game;
  • Aprimora a jogabilidade original com várias mecânicas que funcionam bem;
  • A Narrativa é melhor que a do primeiro game, com criações que dão sentido ao ambiente, aos inimigos e às mecânicas;
  • A ambientação é excelente graças ao design dos inimigos e dos cenários, que são grotescos, em um sentido quase Lovecraftiano;
  • Excelente construção audivisual, tanto tecnicamente quanto artisitcamente;

Contras

  • A mecânica de combate não é tão boa e sinceramente não foi uma boa adição;
  • Algumas partes com seções de plataforma não funcionam bem devido a profundidade dos ambientes;

Danilo Morim
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