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Captain Tsubasa 2: World Fighters | Vale a pena?

Futebol agora? Pois é. Depois de ver o Brasil se despedir da Copa, talvez esse não seja exatamente o momento em que o torcedor brasileiro esteja mais animado para pensar em bola rolando. Ainda dói. Mas existe uma exceção capaz de driblar facilmente esse trauma: Super Campeões. Muita gente por aqui cresceu acompanhando Oliver, Benji e companhia transformando simples partidas de futebol em batalhas épicas, com chutes impossíveis, rivalidades gigantescas e campos que pareciam não ter fim.

É justamente essa energia exagerada e apaixonada que Captain Tsubasa 2: World Fighters tenta recuperar. O jogo não quer competir com simuladores realistas, muito menos reproduzir futebol da maneira mais fiel possível. Sua proposta é transformar cada partida em espetáculo, misturando estratégia, técnicas absurdas, trabalho em equipe e aquela velha ideia de que determinação pode decidir uma partida inteira.

Futebol levado ao extremo

Captain Tsubasa 2: World Fighters parece o sonho febril de qualquer jovem completamente apaixonado por futebol. Dentro de campo, praticamente tudo ganha proporções gigantescas. Um carrinho pode parecer um duelo decisivo, um passe bem executado pode iniciar uma sequência espetacular e uma finalização especial facilmente se transforma no grande momento da partida.

Aqui está OLIVER Tsubasa, nada de Ozora!

Apesar de toda a fantasia, a base do esporte continua reconhecível. Você precisa trocar passes, recuperar a bola, encontrar espaço, defender e construir oportunidades de gol. A diferença está nas diversas técnicas especiais e sistemas adicionados a essa estrutura, incluindo recursos ligados ao trabalho em equipe e à criação de jogadas mais poderosas.

Esse equilíbrio funciona bem porque o jogo não abandona completamente o futebol em nome do espetáculo. Existe estratégia por trás das animações exageradas, e entender quando avançar, passar ou tentar roubar a bola pode ser tão importante quanto usar aquela técnica extremamente chamativa.

Uma nova história, mesmo para quem não conhece a franquia

Não é necessário conhecer toda a história de Captain Tsubasa para acompanhar a aventura. O protagonista é um personagem criado pelo próprio jogador, que começa a construir sua trajetória ao lado de diversos rostos conhecidos da franquia.

Depois de um período de treinamento no Brasil, seu personagem retorna para enfrentar novos desafios enquanto o futebol japonês tenta conquistar seu espaço entre as maiores forças juvenis do mundo. A partir daí, o jogo apresenta rivais, seleções e uma série de confrontos envolvendo jovens atletas determinados a chegar ao topo.

Sempre achei engraçado o jogo retratar o Brasil assim.

Para quem cresceu assistindo Super Campeões, essa conexão com o Brasil torna tudo ainda mais familiar. A relação da franquia com nosso futebol sempre esteve presente de alguma forma, e ver isso novamente dentro do jogo cria uma camada extra de nostalgia.

A narrativa aposta bastante naquele estilo clássico dos animes esportivos. Todo mundo parece estar tentando provar alguma coisa, as rivalidades são levadas muito a sério e qualquer desafio pode rapidamente gerar discursos sobre sonhos, amizade e superação. É um estilo claramente voltado para um público mais jovem, mas que funciona especialmente bem para quem já possui carinho pela franquia.

Mesmo quando o caminho da história parece óbvio, existe algo divertido em acompanhar personagens colocando tudo o que possuem em busca de seus objetivos. O jogo também mostra derrotas e frustrações, embora ninguém fique no chão por muito tempo. Quem perde aprende, segue em frente ou já começa a pensar na próxima revanche.

Muitas mecânicas para dominar

Dentro de campo, Captain Tsubasa 2 oferece bastante coisa para aprender. Existem técnicas ofensivas, recursos defensivos e sistemas relacionados à cooperação entre os jogadores. Felizmente, tutoriais e exercícios ajudam a apresentar essas mecânicas, enquanto alguns capítulos da história trazem objetivos específicos que incentivam o uso do que foi aprendido.

Isso não é um RPG, acredite.

O ponto positivo é que as técnicas não funcionam como um simples sistema de pedra, papel e tesoura. Não existe uma única jogada capaz de resolver todas as situações. Você ainda precisa observar o momento da partida e escolher entre tentar roubar a bola, fazer um passe ou arriscar uma finalização.

Estratégia é tão importante quanto dominar aquelas jogadas absurdamente estilosas que todo fã da série gostaria de fazer.

Essa estrutura também permite que personagens menos importantes tenham seus momentos de destaque. Nem sempre são apenas os grandes nomes da franquia que decidem uma partida. Um jogador aparentemente secundário pode recuperar uma bola importante, impedir uma finalização ou até marcar o gol decisivo. Isso reforça bastante o foco no trabalho em equipe, um dos aspectos mais interessantes do jogo.

O aprendizado pode ser complicado

A quantidade de sistemas também é uma das maiores fraquezas de Captain Tsubasa 2. Existe uma curva de aprendizado considerável, principalmente durante as primeiras partidas. Enquanto você ainda está tentando entender determinados comandos e técnicas, os adversários controlados pelo computador parecem utilizar recursos avançados com bastante naturalidade.

Ainda é possível vencer, mas algumas partidas podem passar a sensação de que você está avançando mais pela insistência do que pelo domínio completo das mecânicas. Esse problema diminui conforme o jogador pratica e entende melhor os sistemas, mas exige alguma paciência.

Oliver vs Oliver Super Saiyan

A evolução do personagem criado pelo jogador também poderia ser mais clara. Técnicas ajudam a melhorar suas capacidades, enquanto histórias paralelas podem fortalecer companheiros de equipe, mas a progressão não funciona exatamente como em um RPG tradicional. Existe experiência, porém o caminho até novas habilidades e melhorias nem sempre é explicado da melhor maneira.

Uma fórmula previsível, mas ainda divertida

Depois de algum tempo, a narrativa também começa a ficar bastante previsível. Rivalidades aparecem, desafios são lançados, emoções aumentam e alguém inevitavelmente fala sobre sonhos ou sobre a necessidade de superar os próprios limites. É praticamente o pacote completo de um anime esportivo.

Para algumas pessoas, isso pode começar a cansar. Para fãs de Captain Tsubasa, porém, parte desse exagero provavelmente será encarada como uma característica da própria franquia. O jogo sabe exatamente o tipo de história que quer contar e não tenta esconder isso.

Sheng-Long em Super Campeões? Tem tudo amigo.

Quando tudo funciona, Captain Tsubasa 2: World Fighters consegue entregar partidas rápidas, empolgantes e cheias de momentos espetaculares. Existe uma satisfação especial em começar sem entender completamente os sistemas e, pouco a pouco, perceber que você já consegue montar jogadas, escolher melhores opções e utilizar seu time de maneira muito mais eficiente.

VEREDITO

Captain Tsubasa 2: World Fighters entende muito bem aquilo que tornou a franquia especial. O futebol continua sendo tratado como uma enorme batalha de determinação, amizade e rivalidade, enquanto as técnicas especiais entregam exatamente o exagero que os fãs esperam. A curva de aprendizado poderia ser mais amigável, alguns sistemas de evolução mereciam explicações melhores e a história depende demais de clichês conhecidos. Ainda assim, existe bastante diversão para quem aceita entrar no clima.

Para os brasileiros que conheceram Oliver através de Super Campeões, existe ainda aquela sensação gostosa de reencontrar algo familiar. Depois da Copa, talvez a gente realmente precisasse de um tempo longe do futebol. Mas Super Campeões?

Aí fica difícil dizer não.

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