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Nintendo Switch Sports Resort | Vale a pena?

Imagine tentar derrubar cem pinos de uma vez. Agora imagine explicar como se faz isso a alguém que nunca segurou um Joy-Con 2. Dá para passar um bom tempo discutindo o efeito ideal da bola, mas também dá para entregar o controle, apontar para a televisão e dizer “manda ver”.

Desde os tempos em que o Wii vinha acompanhado de Wii Sports, boa parte da graça desses jogos mora aí. O primeiro tinha só cinco modalidades e já rendia disputas acaloradas na sala de casa. Nintendo Switch Sports Resort chega a doze, abre as portas de um resort inteiro e ainda deixa uma certeza no ar. Se depender da quantidade de esportes, não vai faltar fabricante disposto a vender uma raquete de plástico para encaixar no controle.

Nota sobre o idioma. Nintendo Switch Sports Resort está totalmente em português do Brasil. Como já estou acostumado aos nomes em inglês, preferi jogar nesse idioma e mantive os nomes dos modos em inglês ao longo da análise.

Da praça para a ilha

Quem passou pelo Spocco Square de Nintendo Switch Sports vai reconhecer o espírito do lugar, embora o endereço novo seja bem mais convidativo para umas férias. O Spocco Resort ocupa a Ilha Wuhu e seus arredores, com quadras, pistas e água aberta espalhadas pelo cenário. Nove das atividades cabem naquela velha brincadeira de imitar o esporte em frente à TV. Tem tiro com arco, basquete, boliche, boxe, golfe, tênis de mesa, tênis, luta de polegares e vôlei. As outras três dão um ótimo motivo para sair da quadra. Dá para pegar o skate, cortar as ondas na motonáutica ou subir num avião a hélice e descobrir como aquele mesmo pedaço de costa fica bonito visto lá de cima.

No tiro com arco, a diversão começa naquele segundo de silêncio antes de soltar a flecha. Imagem: Nintendo.

A seleção faz sentido, embora cada veterano vá sentir falta de alguma coisa. Ficaram de fora o badminton, o beisebol e o chambara, aquele duelo de espadas que já rendeu boas disputas na série. O tênis de mesa ocupa um espaço parecido com o do badminton para quem gosta de trocar rebatidas rápidas. Já o golfe com disco teria caído como uma luva nesse cenário. Ainda assim, entre os esportes que voltam de Wii Sports Resort e os estreantes, há variedade suficiente para que duas pessoas saiam de uma tarde de jogo com listas de favoritos bem diferentes.

Há também um pequeno ritual para quem liga o console todo dia. Jogar rende 1.000 Spocco Points de bônus uma vez por dia, além dos pontos que vêm do desempenho na partida. No Item Center, cada 1.000 pontos dão direito a um sorteio. Pode sair um acessório para o avatar, uma roupa ou um equipamento, e o jogo não entrega itens repetidos. É um incentivo simpático para aquela última rodada de boliche. Mesmo quando a pontuação na pista decepciona, pelo menos o próximo figurino está um pouco mais perto.

Cem pinos e uma sala cheia de palpites

Sozinho, basta escolher a modalidade para disputar uma partida avulsa. Para quem gosta de ter um objetivo, o Island Crown apresenta uma escadinha de adversários controlados pelo jogo. A dificuldade aumenta conforme o jogador sobe no ranking, e há cosméticos para acompanhar o progresso. Em grupo, dá para reunir os amigos localmente ou entrar em partidas casuais pela internet. Quem prefere jogar valendo posição encontra as disputas online ranqueadas no menu de cada esporte. As salas de amigos comportam até oito pessoas, com um detalhe bem pensado para turmas grandes. Os Huddles permitem dividir o pessoal em grupos menores. Enquanto uma parte da sala resolve uma pendência no tênis, o restante já pode começar outro esporte.

O boliche guarda o exagero mais divertido da ilha para a partida de cem pinos. Imagem: Nintendo.

É no boliche que essa vocação para animar uma reunião fica mais evidente. A modalidade de cem pinos está de volta, e ainda tem graça ver aquela multidão de pinos lá no fundo da pista e tentar imaginar por onde a bola vai abrir caminho. Nas salas de amigos, os obstáculos acrescentam outro problema à conta. Antes de pensar no strike, é preciso descobrir uma trajetória que leve a bola até os pinos. O tênis também entendeu que nem toda roda de amigos quer jogar no mesmo ritmo. Além da partida tradicional, há o Laid-Back Match, uma versão mais lenta que dá tempo de acompanhar a bola e preparar a devolução. É uma boa pedida para crianças ou para quem gostaria de experimentar uma primeira partida com mais calma.

No basquete, cada cesta pesa na disputa. Os desafios de arremesso dão bons motivos para pedir revanche. Imagem: Nintendo.

O basquete é um dos esportes que mais aproveitam a ideia de variar as regras. Three-Point Challenge, Three-Point Contest e Five-Streak Battle dão destinos diferentes àquela vontade de acertar só mais um arremesso. O tênis de mesa tem uma sacada especialmente feliz no Return Challenge. Entre devolver as bolas e mirar nas latinhas, o jogador treina justamente o controle de direção que vai fazer falta quando o adversário começar a apertar. Já tiro com arco, boxe, golfe e luta de polegares têm uma opção básica de partida cada. Faz diferença qual esporte está em questão. O arco prende a atenção só com a expectativa entre mirar e soltar a flecha. A luta de polegares perde a graça bem antes das outras.

O basquete do resort também tem espaço para resolver a jogada bem de perto. Imagem: Nintendo.

O vôlei é o melhor exemplo de como uma mudança de regra faz bem. Na partida convencional, cada lance segue uma sequência tão certinha que, depois de algumas trocas, a sensação é de estar repetindo a mesma jogada. O Bump to the Beat aproveita justamente essa cadência e coloca o ritmo no centro da brincadeira. Acertar a manchete na hora certa vira um desafio de precisão, e uma modalidade que antes ameaçava esfriar a reunião ganha lugar entre as mais divertidas do pacote.

Cinco minutos para se perder no resort

Skate, motonáutica e avião a hélice dividem uma mesma ideia de passeio. No Sightseeing Tour, o relógio dá cinco minutos para percorrer a maior parte possível do cenário e conseguir Spocco Photos nos pontos de interesse. É tempo suficiente para avistar um lugar curioso e curto o bastante para deixar outro para a próxima viagem. Quando o cronômetro começa a atrapalhar mais do que a divertir, entra o Free Play. Aí dá para refazer uma curva, experimentar outro caminho ou simplesmente seguir pelo litoral sem se preocupar com o tempo. Descobrir um ponto para fotografar também rende informações sobre a ilha. Aos poucos, o lugar que servia de pano de fundo para as partidas começa a ganhar uma geografia familiar.

Em mar aberto, mirar no próximo marcador é fácil. Fazer a curva no momento certo já exige mais cuidado. Imagem: Nintendo.

Cada veículo ainda tem uma prova própria. No avião, o desafio é recolher bolas durante o voo. Na água, entram as corridas e os anéis pelos quais é preciso passar com a moto aquática. O skate leva a disputa para percursos de corrida e aproveita o modo mouse do Joy-Con 2, um uso do controle que dá identidade à modalidade. As provas de skate e motonáutica estão entre os bons motivos para voltar depois do passeio turístico. A ressalva fica por conta das curvas na água. O controle por movimento nem sempre facilita uma mudança de direção na hora desejada, e o incômodo aparece justamente quando é preciso alinhar a moto para o próximo anel.

Do alto, fica mais fácil escolher qual pedaço da ilha merece a próxima visita. Imagem: Nintendo.

O avião é o mais consistente dos três. Funciona tanto na busca por objetivos quanto naquele voo sem compromisso em que basta inclinar o controle e escolher um rumo. E há uma diferença gostosa entre ver a ilha do alto, atravessar uma pista de skate e seguir rente à água de olho no próximo ponto de interesse. Mesmo quando as três atividades pedem uma foto, a viagem até ela muda o bastante para o passeio valer a pena.

Na ponta do Joy-Con 2

Em muitas modalidades, um único Joy-Con 2 por pessoa resolve a partida. Isso facilita o multiplayer no mesmo console e reduz aquela pausa para descobrir quem precisa de qual controle. Tiro com arco e boxe estão entre as exceções mais intuitivas, já que as duas mãos participam do gesto. No restante, a relação entre o movimento na sala e o resultado na tela costuma ser fácil de entender, e dá para consultar as instruções quando bate uma dúvida. O golfe exige mais delicadeza. Especialmente no putt, a tacada curta perto do buraco, é fácil aplicar força demais e ver a bolinha passar direto. Até pegar a mão, a parte mais difícil pode muito bem ser a última tacada do percurso.

No golfe, acertar a força da tacada dá mais trabalho do que entender o movimento. Imagem: Nintendo.

Entre as melhores escolhas para reunir gente de níveis diferentes estão tiro com arco, basquete, boliche, boxe, tênis e o vôlei no Bump to the Beat. Cada um tem um gesto fácil de explicar e espaço suficiente para uma revanche fazer sentido. O tênis de mesa funciona bem, mas o tênis tradicional acaba rendendo disputas mais gostosas. O golfe tem potencial para crescer com a prática. Já a luta de polegares e o vôlei convencional dificilmente vão segurar a turma por tanto tempo. Essa desigualdade pesa mais para quem pretende se concentrar numa única modalidade. Numa reunião, trocar de esporte quando a brincadeira esfria é parte da diversão.

No boxe, cada mão tem serviço. É uma das modalidades que melhor aproveitam a dupla de controles. Imagem: Nintendo.

Veredito

Nintendo Switch Sports Resort é aquele jogo que faz sentido deixar à mão quando chega visita. Tem espaço para a pessoa que quer disputar posição online, para quem topa uma rodada de boliche e para quem prefere passar cinco minutos pilotando um avião sem adversário nenhum. Vários dos gestos parecem viáveis até para jogar sentado, embora isso dependa da modalidade e da amplitude de movimento de cada pessoa. Na faixa de R$219,90 aqui no Brasil o pacote recupera o lugar que Wii Sports e Nintendo Switch Sports ocuparam na sala de casa. Algumas provas vão virar figurinha repetida já no primeiro fim de semana. Outras têm tudo para motivar aquele pedido que sempre foi o melhor elogio para esse tipo de jogo. “Passa o controle, só mais uma.”

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