Recentemente fiz um artigo que apontava como o Brasil é infeliz em bater recordes dos quais ninguém se orgulha, no caso, falando do nosso Xbox One ser o videogame mais caro do planeta ao custo de R$2.199,00.
Seguindo a máxima de que “recordes existem para serem quebrados”, não demorou muito pra que isso acontecesse e a Sony anunciasse o PlayStation 4 ao preço surreal de exorbitantes R$3.999,00.
Sim, o videogame da Sony, que nos Estados Unidos custa 100 dólares mais barato que o Xbox One, chega ao Brasil bem próximo de custar o dobro do concorrente. A justificativa pronta da Sony é a mesma de diversas outras empresas que “sofrem” do mesmo mal: 60% a 70% do custo são de impostos. Fazendo um cálculo em “papel de pão”, isso significa que o custo do PlayStation 4 é de R$2.400,00 a R$2.800,00, ou 60% a 70% do preço final, respectivamente. É um valor abusivo e muito alto pra ser cobrado somente em impostos realmente. Mas os impostos estão lá, e tirando as manifestações e as frases de efeito do “gigante acordou”, não há nada que possamos fazer de imediato pra mudar essa realidade.
Isso se torna ainda mais evidente quando fazemos a comparação direta ao preço do videogame concorrente, o Xbox One, que custa 2.199,00 oficialmente no Brasil. Se a Microsoft pagar os mesmos 60% a 70% de impostos (e não há motivos pra se pensar o contrário), isso significa que o Xbox One tem um custo de impostos pra empresa de R$1320,00 a R$1540,00, sobrando algo entre R$660 a R$880 de faturamento limpo por unidade vendida do aparelho. Como o console custa 500 dólares lá fora, nenhum desses valores cobre o custo efetivo do aparelho pra empresa, ou seja, podemos assumir que a Microsoft está subsidiando o videogame para o mercado nacional.
O que nos leva a conclusão de que o preço do PlayStation 4 no Brasil é um mix de duas práticas infelizes e comuns aos brasileiros: impostos abusivos + o chamado Lucro Brasil, onde a empresa aproveita a inevitável alta do preço do seu produto por conta dos impostos como uma oportunidade de embutir um lucro maior que o dos outros mercados. Com isso temos uma provável justificativa do porque a Sony deu preferência em lançar o PlayStation 4 ainda em 2013 no Brasil, sobre outros mercados mais tradicionais da empresa, como o Japão, onde o console só aparecerá em 2014.
No Brasil o PlayStation 4 dá mais dinheiro que no resto do mundo e cada PlayStation 4 vendido ao nosso preço absurdo de 4 mil reais, estará ajudando a pagar o custo das unidades vendidas a preços menores nos outros países.
Em outras palavras, o que já seria caro pelos impostos, fica ainda mais caro por conta do senso de oportunismo que o Brasil passa para o mundo. E quem paga a conta são os fãs dos games e da Sony no Brasil.
