Tales of Berseria Remastered é um jogo muito interessante porque parece menos uma remasterização e mais um port direto. Isso não é necessariamente uma falha da desenvolvedora, mas sim um testamento à direção de arte estilizada em anime do jogo original, que envelheceu muito bem. Embora este relançamento torne o título mais acessível para um público maior no Nintendo Switch, é uma pena que ele não ofereça a opção de ver a história como foi originalmente pretendida, independentemente da versão que você jogue.
Antes de começar, vale um esclarecimento. Tales of Berseria é um dos meus cinco jogos favoritos da franquia, ao lado de nomes como Rebirth, Legendia, Abyss e Destiny. No entanto, esta análise e a nota são focadas especificamente na qualidade do trabalho de remasterização e não no jogo em si.
História
Berseria é uma prequel de Zestiria. O jogo se passa no mesmo mundo, utiliza os mesmos conceitos e estabelece as bases para o que eventualmente se tornaria a construção de mundo de seu sucessor. A trama acompanha Velvet Crowe, que começa como uma garota comum de vilarejo vivendo com seu irmão mais novo, Laphicet, e seu cunhado, Artorius. Após uma tragédia onde Artorius mata Laphicet diante de seus olhos, Velvet se torna um daemon capaz de consumir outros daemons.
Após passar três anos na prisão, ela é libertada por Seres, uma malak de Artorius. Assim começa a jornada de Velvet para matar o homem que destruiu sua vida. Ao longo do caminho, ela reúne um grupo improvável de vilões e renegados que não conseguem viver dentro das bordas da respeitabilidade daquele mundo.
Gráficos
O visual de Berseria é muito bom, mesmo para quem nunca jogou um título da série. O jogo utiliza uma paleta de cores mais escura que ajuda a evitar que as batalhas se tornem um incômodo visual, algo que acontecia em Tales of Graces.
Sobre a qualidade técnica, a versão de Switch e a original são praticamente idênticas. O salto gráfico não é tão óbvio ou impressionante quanto o que vemos nos relançamentos de Graces ou Xillia, que pareciam datados no PS3. A direção de arte suave em aquarela de Berseria tem uma estética atemporal que se mantém firme mesmo uma década depois. A escolha da Bandai Namco de não alterar muito o visual foi acertada, mas por outro lado, faz com que o título passe a sensação de ser apenas um port e não um remaster de fato.
Som
Existem problemas de áudio bizarros e distrativos nesta versão, algo estranho já que Xillia e Graces não apresentavam essas falhas. Em alguns momentos, parece que o espaço entre as falas dos personagens foi encurtado, fazendo o diálogo soar estranhamente rápido. Além disso, ao finalizar uma linha de voz no campo, surge um ruído que lembra alguém desligando um microfone.
Outro ponto negativo é a mixagem dos efeitos sonoros nos menus. Ao usar itens em batalha ou conferir equipamentos, os sons parecem isolados e abafados. Usando fones de ouvido isso se torna muito irritante, pois o som parece vir da frente do jogador em contraste com todo o resto do áudio que é direcionado aos ouvidos. Parece que houve uma correção excessiva no volume desses efeitos em relação ao original.
Censura
Minha relação com este relançamento é conflituosa devido à censura. Mesmo na versão japonesa, os jogadores estão sujeitos às mudanças da versão global. Originalmente, Artorius golpeava Laphicet com uma espada, mas na versão atual ele o empala magicamente. O efeito visual parece bobo e nem sempre é editado corretamente em outras cenas, como nos flashbacks de Seres onde a espada ainda aparece.
Como Berseria não foge de mostrar sangue, concluo que a censura ocorreu apenas pelo fato de Laphicet ser uma criança, o que soa irônico dada a história de violência familiar da franquia em jogos como Tales of the Abyss.
Veredito
Como remasterização, Tales of Berseria traz pouco para a mesa e, devido à censura e aos problemas de mixagem, acaba até tirando alguns elementos. O ponto positivo é que o jogo chega mais barato que o original e já inclui os pacotes de DLC. Recomendo para quem gosta de JRPGs e nunca jogou, mas quem já possui a versão original pode simplesmente continuar com a cópia que já tem.
