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Pragmata Análise – Improvável Surpresa Incrível e Bizarro

Em desenvolvimento desde 2020 e após alguns anos no limbo, Pragmata finalmente aterrissa, e a primeira sensação é de nostalgia pura. Ele parece um sobrevivente de uma era onde as empresas arriscavam mais; um título com alma de “Double A”, mas com polimento de superprodução. É um respiro necessário que remete a clássicos cult da Capcom como Lost Planet, ou Vanquish da Platinum Games, misturado à atmosfera opressora de um Dead Space da EA.

Mecânicas: Peso, Inovação e o “DNA” Japonês

Onde Pragmata realmente se diferencia é no feeling do controle. O protagonista Hugh não é um herói ultra ágil; ele é pesado, e você sente o metal da armadura no controle. Esse “que” de peso torna a movimentação interessante, exigindo que você use seus boosters com inteligência para ganhar fluidez na movimentação. É um equilíbrio gratificante: você não é um ninja, mas tem o controle da situação na maior parte do tempo.

A dinâmica com a robô menina Diana montada nas suas costas dita o ritmo do combate. Enquanto você mantém a mira over-the-shoulder padrão da indústria, a inovação acontece na dinâmica de resolver mini-puzzles com os botões do controle durante o combate para hackear os inimigos expondo seus pontos fracos. É um exercício de priorização e reflexo que tira o gênero da zona de conforto, embora a repetição dessa coreografia comece a cansar após as primeiras 10 horas.

Com certeza, Átila! Aqui está apenas o parágrafo atualizado sobre as Boss Battles, já com o seu feedback sobre o balanceamento e a escala dos robôs gigantes, pronto para você encaixar no seu texto:


Chefes Colossais e Progressão Balanceada

Os chefes brilham à parte e se destacam com batalhas extensas e desafiadoras contra robôs gigantescos dos mais variados tipos que ocupam grande parte da tela. Esses confrontos trazem mecânicas distintas e exigem estratégia para entender como abordar cada inimigo antes de partir para a ofensiva. A dificuldade, no entanto, é bem balanceada e consegui passar a maioria deles de primeira. Na dificuldade Padrão, o jogo perdoa alguns erros do jogador e, aliado a um pouco de backtracking, proporciona um grind confortável para fortalecer o Hugh e encarar o próximo estágio da base lunar sem frustrações.

A Versatilidade da RE Engine posta a prova

Graficamente, o jogo é um deslumbre. Diferente de um Resident Evil Requiem onde a ação é mais lenta e cadênciada, aqui a RE Engine se mostra mais versátil com jogabilidade ágil entregando cenários lunares e efeitos de partículas soberbos. A progressão bebe da fonte de Metroid, com um backtracking sólido para coletar itens e fazer upgrades no abrigo — que funciona como uma Safe Room ou Bonfire.

No PC, a experiência atinge seu ápice. Com o suporte da NVIDIA, as placas GeForce RTX fazem um trabalho pesado com o DLSS 4 & Ray Reconstruction: Essenciais para manter a atmosfera claustrofóbica com iluminação global de ponta a Reflex: Em um jogo onde o tempo de resposta entre o puzzle e o tiro é crucial, a latência reduzida faz toda a diferença na precisão dos hacks da Diana.

O game também implementa o Full Ray Tracing (Path Tracing), o que significa que cada feixe de luz na superfície da Lua ou dentro das estruturas metálicas do abrigo é simulado de forma fisicamente precisa. Esqueça sombras “fake” ou reflexos aproximados; aqui, a luz rebate nos materiais — do metal gasto da armadura do Hugh à pele sintética da Diana — criando uma profundidade visual que a rasterização tradicional simplesmente não consegue alcançar.

A mágica por trás dessa performance é o DLSS 4. A nova iteração da tecnologia da NVIDIA não apenas faz o upscaling e a geração de quadros (Frame Generation), mas introduz o Multi Frame Generation, que garante uma fluidez absurda mesmo com o Path Tracing no talo. Somado ao Ray Reconstruction, o DLSS 4 consegue limpar o ruído visual dos raios de luz de forma muito mais inteligente que os denoisers comuns, mantendo a nitidez das texturas da RE Engine intacta. É o combo que permite que um jogo desse peso rode liso, entregando aquela resposta imediata que a gente precisa na hora de acertar os puzzles de hackeamento no meio do tiroteio.

Apesar disso, na primeira versão do jogo, mesmo com a competência da engine, notei algumas engasgadas em momentos de “caos generalizado” com muitos inimigos e efeitos na tela e tive uns 2 crashes aleatórios, mas nada que tire o brilho do conjunto.

O Lado “Esquisito” da parada

Não dá para ignorar: Pragmata é um game ao melhor estilo de surrealismo nipônico raiz. A escola japonesa dos games está presente em tudo aqui, desde a história esquisita ao gameplay de videogame puro. O enredo é uma “bestagem” só, trazendo uma tentativa de criar um laço emocional “pai e filha” bastante artificial e, em certos momentos, até desconfortável forçando você a interagir com a boneca criança robô Diana de um jeito meio cafona. Em um cenário de pura sobrevivência onde você acabou de perder sua equipe, as interações no abrigo parecem no mínimo deslocadas do contexto. Mas isso tudo deixa de ter importância e o jogo sobrevive quando a mecânica fala mais alto que a narrativa. O roteiro acaba sendo apenas o combustível para você continuar explorando o excelente gameplay.

Veredito

Pragmata é uma surpresa positiva com uma mistura improvável de gêneros, incrível e bizarra, provando que ainda há espaço para o risco na indústria. É um jogo experimental, divertido, mecanicamente rico e visualmente impactante que, apesar da “barrigada” no terço final e da história esquisita, entrega uma experiência que os fãs da antiga Capcom vão adorar. Se você gostou de Vanquish, Dead Space, Lost Planet e busca algo que foge do padrão AAA genérico e quer testar seu hardware ao limite, é um game que traz um respiro de ar novo para a mesmice da indústria moderna.

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