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28 de outubro de 2026
8.5
Que a Força esteja com você. Porque o plano, definitivamente, não está

Zero Company talvez não seja a aventura de Star Wars que muita gente esperava, mas é justamente essa mudança de direção que faz dele uma das propostas mais interessantes da franquia nos videogames. Afinal, nem sempre é preciso dominar a Força para vencer uma guerra. Às vezes, basta saber exatamente onde posicionar seus soldados.

Star Wars Zero Company | Vale a pena?

Esqueça os Jedi invencíveis. Desta vez, uma boa estratégia vale mais do que um sabre de luz.

Star Wars finalmente encontrou um excelente motivo para abraçar a estratégia por turnos. Desenvolvido pela Bit Reactor em colaboração com a Respawn Entertainment e a Lucasfilm Games, Zero Company transporta os conflitos das Guerras Clônicas para um jogo que mistura combate tático, gerenciamento de esquadrão e uma aventura original ambientada nos bastidores da guerra. O resultado é uma experiência que faz justiça ao universo de George Lucas, embora a versão para PlayStation 5 ainda apresente algumas arestas que merecem atenção.

Ficha técnica

Jogo: Star Wars Zero Company
Desenvolvedora: Bit Reactor, em colaboração com Respawn Entertainment e Lucasfilm Games
Distribuidora: Electronic Arts
Gênero: Estratégia tática por turnos
Plataforma de referência: PlayStation 5
Outras plataformas: PC, Xbox Series X|S
Lançamento: 27 de agosto de 2026
Jogadores: 1
Idioma: Textos em português brasileiro; vozes em inglês e alemão

Uma guerra muito além dos sabres de luz

Durante décadas, os videogames de Star Wars nos colocaram na pele de cavaleiros Jedi, pilotos de X-Wing e soldados enfrentando exércitos inteiros praticamente sozinhos. Mas e se, desta vez, a solução para os problemas da galáxia não estivesse na velocidade de nossos reflexos, mas na capacidade de pensar alguns movimentos à frente? Essa é a proposta de Star Wars Zero Company, um jogo que troca a ação desenfreada dos títulos mais conhecidos da franquia por combates estratégicos nos quais uma decisão equivocada pode colocar toda a operação em risco. A inspiração em XCOM é evidente desde os primeiros conceitos, mas seria injusto tratar o projeto como uma simples cópia com personagens de Star Wars. A Bit Reactor conseguiu adaptar boa parte das ideias consagradas do gênero para um universo que sempre pareceu perfeito para esse tipo de experiência, explorando justamente o lado mais sujo, perigoso e imprevisível das Guerras Clônicas.

Posicionamento, cobertura e escolha das armas são fundamentais. Em Zero Company, um disparo bem planejado pode mudar completamente o rumo de uma batalha.

A história acontece por volta de 20 BBY, nos momentos finais do conflito entre a República e os Separatistas. Nosso protagonista é Hawks, um antigo oficial republicano que agora lidera a Companhia Zero, um grupo de mercenários formado por personagens de diferentes espécies e origens. A situação muda quando a Inteligência da República recruta a equipe para investigar a Espiral Infinita, um culto ligado aos Separatistas e comandado por Kundri Fathom. O grupo está associado à misteriosa Praga Sombria, uma ameaça que pode transformar a já complicada situação da galáxia em algo muito pior. A premissa combina elementos de espionagem, operações clandestinas e ficção científica com a atmosfera característica de Star Wars. É uma história que funciona particularmente bem como justificativa para as missões, embora nem sempre alcance o mesmo nível de interesse de seus personagens e das batalhas.

Quando cada movimento vale uma vida

O grande destaque de Zero Company é, sem dúvida, seu sistema de combate. As batalhas são organizadas em turnos, com os integrantes do esquadrão utilizando pontos de ação para se movimentar, atacar, procurar cobertura e executar habilidades especiais. Parece simples, mas a quantidade de possibilidades transforma cada confronto em um interessante exercício de planejamento. Um disparo pode eliminar um droide antes que ele represente uma ameaça, enquanto uma posição mal escolhida pode deixar um companheiro completamente exposto. Existe também a possibilidade de preparar ataques de reação, utilizar explosivos e combinar habilidades de diferentes personagens para controlar o campo de batalha. E, como não poderia deixar de ser, Jedi, Mandalorianos, soldados clones e droides astromecânicos possuem maneiras bastante distintas de contribuir para a equipe. O que torna tudo especialmente interessante é que nenhuma dessas ferramentas elimina a necessidade de pensar. Ter um sabre de luz ajuda bastante, mas avançar sem considerar os inimigos e o terreno continua sendo uma péssima ideia.

A interface permite avaliar inimigos e preparar ataques especiais, reforçando o caráter estratégico dos combates por turnos.

A composição do esquadrão é outro aspecto fundamental da experiência. Hawks pode ser personalizado em aparência e especialização, enquanto os demais integrantes possuem equipamentos, habilidades e possibilidades de desenvolvimento próprias. O jogo permite recrutar personagens originais e mercenários personalizados, construindo equipes adaptadas a diferentes estratégias. Mais importante, entretanto, é o sistema de relacionamentos. Companheiros que participam de missões juntos desenvolvem laços que podem desbloquear habilidades e vantagens durante os confrontos, incentivando o jogador a pensar não apenas nas capacidades individuais de cada integrante, mas também na maneira como eles funcionam em conjunto. Existe ainda a possibilidade de morte permanente, tornando determinadas decisões particularmente difíceis. É justamente essa combinação entre progressão, estratégia e consequências que consegue transformar um grupo de personagens em algo muito mais interessante do que uma simples coleção de unidades descartáveis.

A galáxia não descansa enquanto você organiza seu esquadrão

Quando não estamos enfrentando soldados e droides inimigos, Zero Company apresenta outra camada de gerenciamento. O Covil funciona como a base de operações da equipe, permitindo conversar com companheiros, desenvolver instalações, melhorar equipamentos e preparar as próximas missões. A partir de um mapa holográfico, podemos selecionar atividades relacionadas à campanha, investigar acontecimentos e enviar integrantes para operações que nem sempre envolvem combates diretos. Essas decisões influenciam o desenvolvimento da equipe e ajudam a estabelecer uma conexão entre as batalhas. Não estamos diante de uma sucessão de mapas independentes, mas de uma campanha na qual o planejamento continua importante mesmo quando os blasters estão guardados. A liberdade não é absoluta, já que a progressão da história pode impedir que todas as oportunidades sejam aproveitadas, mas essa limitação acrescenta uma dose interessante de responsabilidade às escolhas.

Explosões, ataques à distância e habilidades especiais transformam os campos de batalha em verdadeiros quebra-cabeças táticos.

A apresentação também merece elogios. Zero Company utiliza muito bem a estética de Star Wars, com cenários industriais, instalações militares, paisagens alienígenas e uma direção artística que recupera a atmosfera dos filmes e da série The Clone Wars. O trabalho sonoro acompanha essa proposta, utilizando uma trilha orquestral que reforça o clima de aventura e tensão. A câmera aproxima a ação durante determinados ataques, tornando os confrontos visualmente mais interessantes do que a tradicional perspectiva elevada poderia sugerir. Evidentemente, a história original não possui a mesma força de alguns dos melhores momentos da franquia, e determinados personagens secundários poderiam receber maior desenvolvimento. Ainda assim, o elenco ajuda a dar personalidade a uma aventura que poderia facilmente ter se limitado à estratégia pura.

Nem tudo funciona perfeitamente no PlayStation 5

Infelizmente, a versão de PlayStation 5 também apresenta problemas que merecem ser considerados. As avaliações técnicas realizadas no lançamento identificaram oscilações na taxa de quadros, pequenas interrupções na fluidez, problemas ocasionais com texturas e sombras, além de comportamentos inconsistentes da câmera. Foram relatados inclusive erros capazes de interromper o progresso de determinadas missões. São limitações especialmente desagradáveis em um jogo de estratégia, no qual a clareza das informações e a resposta dos comandos são fundamentais para tomar decisões. A presença de modos gráficos diferentes não foi suficiente para eliminar completamente essas inconsistências na versão original, demonstrando que ainda existia espaço para um trabalho mais cuidadoso de otimização.

Entre uma missão e outra, a base de operações permite preparar o esquadrão, administrar recursos e tomar decisões que influenciam o andamento da campanha.

É importante destacar, entretanto, que a Bit Reactor não abandonou o jogo após o lançamento. A atualização 1.1, disponibilizada em setembro, corrigiu problemas de estabilidade, erros relacionados à precisão dos disparos e diversas inconsistências nas habilidades. Já o patch 1.2, lançado em outubro, acrescentou modificadores de campanha que permitem personalizar a dificuldade, as regras de ferimentos e morte permanente e outros aspectos das batalhas. A atualização também trouxe novas correções de desempenho, câmera e interface, incluindo problemas específicos do PlayStation 5. Isso representa uma evolução importante em relação ao lançamento, embora a existência dessas correções, por si só, não permita afirmar que todas as limitações técnicas foram definitivamente resolvidas.

Veredito

Star Wars Zero Company é uma excelente demonstração de que a franquia ainda possui muito espaço para explorar gêneros diferentes. Em vez de apostar novamente em combates tradicionais com sabres de luz, a Bit Reactor apresenta uma experiência que valoriza estratégia, planejamento e trabalho em equipe, aproveitando muito bem a diversidade de personagens e conflitos das Guerras Clônicas. O sistema de combate é profundo sem se tornar excessivamente complicado, a personalização oferece boas possibilidades e os relacionamentos entre os integrantes do esquadrão acrescentam uma dimensão interessante às decisões. A campanha poderia apresentar uma narrativa mais marcante e os problemas técnicos registrados no PS5 prejudicam uma produção que merecia chegar ao mercado em condições melhores, mas suas qualidades são suficientes para recomendar atenção especial ao título.

Zero Company talvez não seja a aventura de Star Wars que muita gente esperava, mas é justamente essa mudança de direção que faz dele uma das propostas mais interessantes da franquia nos videogames. Afinal, nem sempre é preciso dominar a Força para vencer uma guerra. Às vezes, basta saber exatamente onde posicionar seus soldados.

David Signorelli

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