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31 de março de 2026
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Deixem as chamas da raiva arderem lentamente

Tales of Berseria Remastered é um jogo muito interessante porque parece menos uma remasterização e mais um port direto. Isso não é necessariamente uma falha da desenvolvedora, mas sim um testamento à direção de arte estilizada em anime do jogo original, que envelheceu muito bem. Embora este relançamento torne o título mais acessível para um público maior no Nintendo Switch, é uma pena que ele não ofereça a opção de ver a história como foi originalmente pretendida, independentemente da versão que você jogue.

Tales of Berseria Remastered

Tales of Berseria Remastered é um jogo muito interessante porque parece menos uma remasterização e mais um port direto. Isso não é necessariamente uma falha da desenvolvedora, mas sim um testamento à direção de arte estilizada em anime do jogo original, que envelheceu muito bem. Embora este relançamento torne o título mais acessível para um público maior no Nintendo Switch, é uma pena que ele não ofereça a opção de ver a história como foi originalmente pretendida, independentemente da versão que você jogue.

Antes de começar, vale um esclarecimento. Tales of Berseria é um dos meus cinco jogos favoritos da franquia, ao lado de nomes como Rebirth, Legendia, Abyss e Destiny. No entanto, esta análise e a nota são focadas especificamente na qualidade do trabalho de remasterização e não no jogo em si.

História

Berseria é uma prequel de Zestiria. O jogo se passa no mesmo mundo, utiliza os mesmos conceitos e estabelece as bases para o que eventualmente se tornaria a construção de mundo de seu sucessor. A trama acompanha Velvet Crowe, que começa como uma garota comum de vilarejo vivendo com seu irmão mais novo, Laphicet, e seu cunhado, Artorius. Após uma tragédia onde Artorius mata Laphicet diante de seus olhos, Velvet se torna um daemon capaz de consumir outros daemons.

O visual da Velvet é bem único, mas se quiseres trocar essa versão vem com um monte de roupinhas!

Após passar três anos na prisão, ela é libertada por Seres, uma malak de Artorius. Assim começa a jornada de Velvet para matar o homem que destruiu sua vida. Ao longo do caminho, ela reúne um grupo improvável de vilões e renegados que não conseguem viver dentro das bordas da respeitabilidade daquele mundo.

Gráficos

O visual de Berseria é muito bom, mesmo para quem nunca jogou um título da série. O jogo utiliza uma paleta de cores mais escura que ajuda a evitar que as batalhas se tornem um incômodo visual, algo que acontecia em Tales of Graces.

Bonitinho, porém rodando apenas 30 fps no Switch, versão da análise.

Sobre a qualidade técnica, a versão de Switch e a original são praticamente idênticas. O salto gráfico não é tão óbvio ou impressionante quanto o que vemos nos relançamentos de Graces ou Xillia, que pareciam datados no PS3. A direção de arte suave em aquarela de Berseria tem uma estética atemporal que se mantém firme mesmo uma década depois. A escolha da Bandai Namco de não alterar muito o visual foi acertada, mas por outro lado, faz com que o título passe a sensação de ser apenas um port e não um remaster de fato.

Som

Existem problemas de áudio bizarros e distrativos nesta versão, algo estranho já que Xillia e Graces não apresentavam essas falhas. Em alguns momentos, parece que o espaço entre as falas dos personagens foi encurtado, fazendo o diálogo soar estranhamente rápido. Além disso, ao finalizar uma linha de voz no campo, surge um ruído que lembra alguém desligando um microfone.

O sistema de batalha continua sendo o ponto mais forte do jogo, assim como praticamente todos os Tales of.

Outro ponto negativo é a mixagem dos efeitos sonoros nos menus. Ao usar itens em batalha ou conferir equipamentos, os sons parecem isolados e abafados. Usando fones de ouvido isso se torna muito irritante, pois o som parece vir da frente do jogador em contraste com todo o resto do áudio que é direcionado aos ouvidos. Parece que houve uma correção excessiva no volume desses efeitos em relação ao original.

Censura

Minha relação com este relançamento é conflituosa devido à censura. Mesmo na versão japonesa, os jogadores estão sujeitos às mudanças da versão global. Originalmente, Artorius golpeava Laphicet com uma espada, mas na versão atual ele o empala magicamente. O efeito visual parece bobo e nem sempre é editado corretamente em outras cenas, como nos flashbacks de Seres onde a espada ainda aparece.

Infelizmente o jogo sofreu censuras e essa imagem não tem nada a ver com essa afirmação.

Como Berseria não foge de mostrar sangue, concluo que a censura ocorreu apenas pelo fato de Laphicet ser uma criança, o que soa irônico dada a história de violência familiar da franquia em jogos como Tales of the Abyss.

Veredito

Como remasterização, Tales of Berseria traz pouco para a mesa e, devido à censura e aos problemas de mixagem, acaba até tirando alguns elementos. O ponto positivo é que o jogo chega mais barato que o original e já inclui os pacotes de DLC. Recomendo para quem gosta de JRPGs e nunca jogou, mas quem já possui a versão original pode simplesmente continuar com a cópia que já tem.

David Signorelli
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