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12 de março de 2026
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties

Poucas séries nos videogames são tão completas quanto a de Yakuza, da Ryu Ga Gotoku Studio. Ano após ano, os caras entregam algo novo e, sinceramente, parece que eles simplesmente não sabem errar. Claro, não é uma franquia que agrada todo mundo e dá pra entender isso. Mas eu cresci jogando esses jogos. Sempre adorei como eles conseguem ser completamente absurdos e engraçados num momento… e, no seguinte, te arrancar lágrimas sem pestanejar.

Com Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, o estúdio não apenas refez um jogo antigo: ele praticamente recriou a experiência. O resultado é um remake que muitas vezes parece um título totalmente novo. Entre todos os Kiwami lançados até hoje, este é facilmente o mais ambicioso e também o mais bem executado.

Dois lados da mesma história

O pacote traz duas campanhas. A principal revisita os eventos de Yakuza 3, acompanhando novamente o lendário Kazuma Kiryu. Já Dark Ties apresenta uma história inédita focada em Yoshitaka Mine, um dos personagens mais interessantes do jogo original.

Kiryu e sua camisa floral.

A campanha de Mine é bem mais sombria. Enquanto a jornada de Kiryu ainda encontra espaço para humor e momentos leves, Dark Ties mergulha num tom muito mais pesado. É ótimo ver conteúdo realmente novo dentro de um remake, mas sendo bem direto: o que realmente impressiona aqui é a reconstrução de Yakuza 3.

O jogo é cheio de momentos emocionantes como esse.

Dá para perceber claramente a influência de Like a Dragon: Infinite Wealth no ritmo, na apresentação e na forma como as camadas da narrativa são construídas.

Kiryu tentando viver em paz… tentando

Depois dos eventos dos Kiwami anteriores, Kiryu decide se afastar de vez do mundo da yakuza. Ele entrega o futuro do Clã Tojo a Daigo Dojima e tenta viver uma vida tranquila cuidando do orfanato Morning Glory, em Okinawa. Mas se tem uma coisa que a série já deixou claro é: Kiryu nunca consegue ficar fora disso por muito tempo.

Eu sempre me impressiono com a fidelidade gráfica dos jogos da série Yakuza, parece até uma foto!

Parafraseando The Godfather Part III: quando ele acha que saiu… puxam ele de volta. Uma conspiração envolvendo o governo japonês acaba arrastando Kiryu novamente para o caos. Entre Okinawa e Kamurocho, a história se transforma em uma trama enorme envolvendo Japão, China e Estados Unidos, cheia de reviravoltas, confrontos e momentos emocionais.

O coração da história está nos pequenos momentos

Apesar da escala gigantesca da narrativa, o que realmente faz Yakuza funcionar são os momentos menores. Kiryu sempre foi um personagem extremamente estoico, mas ao mesmo tempo tem um coração gigantesco. Um dos momentos mais marcantes envolve ajudar seu novo amigo Rikiya Shimabukuro a terminar sua tatuagem depois que o artista responsável morre antes de concluir o trabalho. São situações assim que dão peso às relações entre os personagens. A série sempre soube equilibrar drama épico com momentos íntimos e aqui isso continua funcionando perfeitamente.

Personagens que realmente importam

O elenco está excelente. Rikiya passa por uma jornada de autodescoberta muito interessante. Haruka Sawamura tenta equilibrar sua infância com a responsabilidade de ajudar a cuidar das crianças do orfanato. Já Shigeru Nakahara enfrenta seus próprios dilemas criando a filha que decidiu adotar.

É aqui que a mágica acontece.

E claro, os antagonistas também fazem seu trabalho. Ryohei Kanda é simplesmente desprezível, daquele tipo de personagem que você odeia profundamente. Goh Hamazaki também não fica muito atrás. E então temos Mine, que brilha ainda mais quando sua própria história entra em cena em Dark Ties.

Combate mais enxuto e melhor por causa disso

O combate sempre foi um dos pilares da série, e aqui ele está melhor do que nunca. Diferente de outros jogos da franquia que exageravam na quantidade de estilos, Kiryu agora usa apenas dois:

  • Dragon Style, o clássico da série, focado em golpes pesados e precisos.
  • Ryukyu Style, novo estilo inspirado nas artes marciais de Okinawa, muito mais rápido e voltado para enfrentar grupos.

O Ryukyu Style permite alternar armas rapidamente durante o combate, criando um ritmo muito mais dinâmico nas lutas contra vários inimigos.

As habilidades vão sendo desbloqueadas ao longo da campanha, com várias Heat Actions novas e ataques especiais liberados ao encher uma barra de energia. Alternar entre os estilos pelo direcional deixa as batalhas bem mais fluidas e estratégicas.

Kamurocho e Okinawa: dois mundos diferentes

Como sempre, a série entrega dois cenários cheios de coisas para fazer.

Em Kamurocho, você encontra os clássicos da franquia:

  • arcades
  • boliche
  • dardos
  • sinuca
  • karaokê

Além disso, é possível personalizar o celular de Kiryu com antenas, adesivos e charms, algo bem parecido com o sistema visto em Infinite Wealth.

Nunca jogue o karaokê em inglês.

Há também desafios de fotografia, restaurantes, lojas de roupa, jogos para Game Gear e músicas para o player portátil.

Okinawa tem ainda mais coisas para fazer

Okinawa oferece uma vibe completamente diferente, lembrando até o clima de Hawaii em alguns momentos. Um dos maiores destaques é o minigame Baddie Battles. Uma gangue de motoqueiros está causando problemas na região, e Kiryu acaba ajudando um grupo de garotas motociclistas a enfrentá-los.

Essa série é completamente sem noção.

Essas batalhas acontecem enquanto você atravessa áreas de moto enfrentando ondas de inimigos. Dá para recrutar novos membros para a gangue, melhorar as motos, comprar armas e fortalecer sua equipe. É caótico, exagerado e extremamente divertido, exatamente como a série gosta.

A vida no orfanato Morning Glory

Outro grande foco do jogo é o orfanato Morning Glory. Aqui você participa de uma enorme variedade de minigames para aumentar o seu Daddy Rank. Mas mais importante que as recompensas é a relação com as crianças.

Itadakimasu!

Cada uma delas lida de forma diferente com o fato de ser órfã e Kiryu acaba se tornando uma figura paterna para todas.

Entre as atividades disponíveis:

  • cultivar vegetais no jardim
  • cuidar de animais
  • cozinhar em minigames
  • costurar roupas
  • ajudar nas tarefas de casa
  • capturar insetos em competições contra outras crianças
  • pescar

Sério: o orfanato poderia facilmente ser um jogo inteiro por conta própria. E, curiosamente, mesmo com tanta coisa acontecendo na história principal, sempre dá vontade de voltar ali para ajudar as crianças.

Dark Ties: mais sombrio, mais direto

Dark Ties é uma experiência mais enxuta. A história acompanha a ascensão de Mine dentro do Clã Tojo após perder tudo na vida. O tom é muito mais pesado e brutal.

Não se preocupe, o jogo está em pt-BR.

O combate de Mine usa uma mistura de boxe e kickboxing. Ele não é tão satisfatório quanto o de Kiryu, mas possui uma mecânica interessante chamada Shackled Hearts. Durante as lutas, corações são acumulados e podem ser consumidos para liberar ataques muito mais poderosos.

Atividades paralelas de Mine

As atividades paralelas também são mais limitadas. Em Kanda’s Damage Control, você realiza tarefas por Kamurocho para melhorar a reputação do seu chefe. Já Hell’s Arena funciona como um grande dungeon: Mine desce cada vez mais fundo enfrentando chefes para ganhar dinheiro e recompensas.

Achou que tinha muito conteúdo? Viu nada.

A vibe lembra bastante algo inspirado em Squid Game, e serve como um bom respiro entre os momentos pesados da campanha.

Um jogo absurdamente cheio de conteúdo

Mesmo com tudo isso, ainda parece que estou arranhando a superfície. Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é absurdamente denso. Há dezenas de substories, minigames e atividades paralelas. Dá para passar horas tentando fazer strikes no boliche, completar histórias absurdas ou gastar tempo demais nas malditas máquinas de garra.

Esse jogo é divertido pacas! Experimente todos os arcades disponíveis.

O mais impressionante é que nada parece filler. O estúdio simplesmente encheu o jogo de coisas interessantes para fazer e a maioria delas realmente vale a pena.

Veredito

Mesmo que Dark Ties não alcance o mesmo nível da campanha principal, ainda é um ótimo complemento. Mas o grande destaque é mesmo a jornada de Kiryu. A história dele tentando proteger o orfanato mantém você preso até o final e as batalhas contra chefes são algumas das melhores da franquia. Visualmente, o jogo está incrível, joguei no Switch 2, rodando a 30 fps cravadinhos. A dublagem é excelente. E a quantidade de conteúdo é simplesmente absurda. Inspirado pelos jogos mais recentes da série Like a Dragon, este remake consegue superar todos os anteriores.

David Signorelli

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