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17 de outubro de 2025
8.5
Uma segunda chance que valeu a pena

Yooka-Replaylee é mais do que um remake, é uma redenção. A Playtonic olhou para trás com humildade, reconheceu as falhas e decidiu reconstruir sua criação sem abrir mão da essência. O resultado é um 3D platformer polido, divertido e cheio de personalidade, digno de figurar ao lado dos grandes nomes do gênero.Nem tudo acerta em cheio, mas é impossível não admirar o esforço e o carinho envolvidos aqui.

Yooka-Replaylee

O primeiro Yooka-Laylee surgiu como a grande promessa de reviver a era dourada dos coletathons 3D — e embora tenha conquistado uma base fiel de fãs, nunca conseguiu realmente escapar da sombra de suas inspirações. Problemas como fases inchadas e seções de plataforma pouco inspiradas acabaram ofuscando o brilho que muitos esperavam reencontrar.

Mas a Playtonic Games parece ter aprendido com o passado. Yooka-Replaylee não é apenas uma versão “melhorada”: é praticamente uma reconstrução completa do jogo original, e o resultado é surpreendentemente positivo. Tive a oportunidade de jogar antes do lançamento e saí com uma sensação clara que esse é o Yooka que sempre deveria ter sido.


História e ambientação

A história é contada de forma metalinguística: Yooka e Laylee narram sua própria aventura enquanto tentam reunir as “Pagies”, páginas perdidas do livro mais valioso do universo — um livro capaz de tornar realidade tudo o que está escrito nele. É uma proposta simples, mas charmosa, com uma bela integração entre narrativa e jogabilidade.

Cenários coloridos e vastos o aguardam.

O vilão Capital B retorna, claro, com seu plano capitalista de sempre. Ele espalha as Pagies propositalmente e faz os heróis trabalharem para ele sem saber. É um conceito que poderia gerar uma dinâmica hilária, mas o enredo acaba preferindo o caminho seguro, mantendo heróis e vilões quase sempre separados. Ainda assim, o humor leve e as quebras ocasionais da quarta parede tornam tudo muito divertido. A dupla funciona bem: Yooka é o “sério”, enquanto Laylee é o caos em forma de morcego.


Jogabilidade e movimentos

É aqui que Yooka-Replaylee realmente brilha. A Playtonic acertou o ritmo, o peso e a fluidez de cada movimento e a sensação de controle é deliciosa. Diferente do original, o jogador tem acesso ao moveset completo logo no início, algo que poderia gerar monotonia, mas que aqui funciona muito bem graças ao design inteligente de fases.

Não é Donkey Kong Country não.

Cada mundo utiliza suas habilidades de formas criativas, desde o rolar contínuo de Yooka até o sonar que revela segredos, sem falar na língua pegajosa usada para absorver power-ups temporários. O jogo mantém o frescor até o fim, apresentando ideias novas o tempo todo, sem reciclar desafios. A câmera, que antes era um problema, agora é responsiva e estável, o que faz toda a diferença.


Design de mundo e colecionáveis

Se há algo viciante aqui, é a sensação constante de progresso. Cada mundo é denso, cheio de segredos e recompensas. O mapa é claro e funcional, e o hub central — agora mais interativo — também oferece suas próprias missões e colecionáveis.

Clássica fase da água está presente.

Há um sistema de dicas interessante: é possível pagar uma taxa a NPCs para revelar a localização de uma Pagie que você ainda não encontrou. Não é obrigatório, mas é uma ajuda bem-vinda para quem busca os 100%. Ainda assim, o jogo recompensa mais quem explora por conta própria.

As missões variam bastante: desafios de plataforma, batalhas contra chefes, estágios 2D de carrinho de mina e até segmentos isométricos retrô estrelados por Rex, um personagem claramente inspirado nos jogos antigos da Rare. Nenhuma dessas seções se estende demais, e todas acrescentam algo diferente à experiência. As transformações, marca registrada da franquia, aparecem de forma pontual — o suficiente para divertir sem quebrar o ritmo. As batalhas não são o foco, mas cumprem bem seu papel e oferecem variedade o bastante para manter o interesse.


Tonics, cosméticos e apresentação

O único ponto que realmente desaponta está nas recompensas compráveis. Os “Tonics” e cosméticos vendidos por Vendi são, em grande parte, superficiais. Metade deles altera apenas a aparência dos personagens ou do cenário, e os modificadores de gameplay — como dano de queda ou ataques instantâneos — deveriam estar em um menu de acessibilidade, e não como itens de compra.

Os textos são bem bobinhos.

Já a loja de Trowzer é muito mais satisfatória, oferecendo melhorias permanentes de vida e habilidades com moedas específicas de cada mundo. É o tipo de progressão que motiva e dá propósito à exploração.Visualmente, Yooka-Replaylee é um espetáculo. Os mundos são vibrantes, cheios de personalidade, e o desempenho no PS5 se mantém estável, salvo raros bugs visuais. A trilha sonora, composta por veteranos como David Wise e Grant Kirkhope, é um verdadeiro deleite nostálgico.


Veredito

Yooka-Replaylee é mais do que um remake, é uma redenção. A Playtonic olhou para trás com humildade, reconheceu as falhas e decidiu reconstruir sua criação sem abrir mão da essência. O resultado é um 3D platformer polido, divertido e cheio de personalidade, digno de figurar ao lado dos grandes nomes do gênero.Nem tudo acerta em cheio, mas é impossível não admirar o esforço e o carinho envolvidos aqui.

David Signorelli

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