Yooka-Replaylee
O primeiro Yooka-Laylee surgiu como a grande promessa de reviver a era dourada dos coletathons 3D — e embora tenha conquistado uma base fiel de fãs, nunca conseguiu realmente escapar da sombra de suas inspirações. Problemas como fases inchadas e seções de plataforma pouco inspiradas acabaram ofuscando o brilho que muitos esperavam reencontrar.
Mas a Playtonic Games parece ter aprendido com o passado. Yooka-Replaylee não é apenas uma versão “melhorada”: é praticamente uma reconstrução completa do jogo original, e o resultado é surpreendentemente positivo. Tive a oportunidade de jogar antes do lançamento e saí com uma sensação clara que esse é o Yooka que sempre deveria ter sido.
História e ambientação
A história é contada de forma metalinguística: Yooka e Laylee narram sua própria aventura enquanto tentam reunir as “Pagies”, páginas perdidas do livro mais valioso do universo — um livro capaz de tornar realidade tudo o que está escrito nele. É uma proposta simples, mas charmosa, com uma bela integração entre narrativa e jogabilidade.

O vilão Capital B retorna, claro, com seu plano capitalista de sempre. Ele espalha as Pagies propositalmente e faz os heróis trabalharem para ele sem saber. É um conceito que poderia gerar uma dinâmica hilária, mas o enredo acaba preferindo o caminho seguro, mantendo heróis e vilões quase sempre separados. Ainda assim, o humor leve e as quebras ocasionais da quarta parede tornam tudo muito divertido. A dupla funciona bem: Yooka é o “sério”, enquanto Laylee é o caos em forma de morcego.
Jogabilidade e movimentos
É aqui que Yooka-Replaylee realmente brilha. A Playtonic acertou o ritmo, o peso e a fluidez de cada movimento e a sensação de controle é deliciosa. Diferente do original, o jogador tem acesso ao moveset completo logo no início, algo que poderia gerar monotonia, mas que aqui funciona muito bem graças ao design inteligente de fases.

Cada mundo utiliza suas habilidades de formas criativas, desde o rolar contínuo de Yooka até o sonar que revela segredos, sem falar na língua pegajosa usada para absorver power-ups temporários. O jogo mantém o frescor até o fim, apresentando ideias novas o tempo todo, sem reciclar desafios. A câmera, que antes era um problema, agora é responsiva e estável, o que faz toda a diferença.
Design de mundo e colecionáveis
Se há algo viciante aqui, é a sensação constante de progresso. Cada mundo é denso, cheio de segredos e recompensas. O mapa é claro e funcional, e o hub central — agora mais interativo — também oferece suas próprias missões e colecionáveis.

Há um sistema de dicas interessante: é possível pagar uma taxa a NPCs para revelar a localização de uma Pagie que você ainda não encontrou. Não é obrigatório, mas é uma ajuda bem-vinda para quem busca os 100%. Ainda assim, o jogo recompensa mais quem explora por conta própria.
As missões variam bastante: desafios de plataforma, batalhas contra chefes, estágios 2D de carrinho de mina e até segmentos isométricos retrô estrelados por Rex, um personagem claramente inspirado nos jogos antigos da Rare. Nenhuma dessas seções se estende demais, e todas acrescentam algo diferente à experiência. As transformações, marca registrada da franquia, aparecem de forma pontual — o suficiente para divertir sem quebrar o ritmo. As batalhas não são o foco, mas cumprem bem seu papel e oferecem variedade o bastante para manter o interesse.
Tonics, cosméticos e apresentação
O único ponto que realmente desaponta está nas recompensas compráveis. Os “Tonics” e cosméticos vendidos por Vendi são, em grande parte, superficiais. Metade deles altera apenas a aparência dos personagens ou do cenário, e os modificadores de gameplay — como dano de queda ou ataques instantâneos — deveriam estar em um menu de acessibilidade, e não como itens de compra.

Já a loja de Trowzer é muito mais satisfatória, oferecendo melhorias permanentes de vida e habilidades com moedas específicas de cada mundo. É o tipo de progressão que motiva e dá propósito à exploração.Visualmente, Yooka-Replaylee é um espetáculo. Os mundos são vibrantes, cheios de personalidade, e o desempenho no PS5 se mantém estável, salvo raros bugs visuais. A trilha sonora, composta por veteranos como David Wise e Grant Kirkhope, é um verdadeiro deleite nostálgico.
Veredito
Yooka-Replaylee é mais do que um remake, é uma redenção. A Playtonic olhou para trás com humildade, reconheceu as falhas e decidiu reconstruir sua criação sem abrir mão da essência. O resultado é um 3D platformer polido, divertido e cheio de personalidade, digno de figurar ao lado dos grandes nomes do gênero.Nem tudo acerta em cheio, mas é impossível não admirar o esforço e o carinho envolvidos aqui.
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