Metroid Prime 4: Beyond
Sou fã dos jogos first-party da Nintendo e, em especial, da série Metroid Prime. Por isso, Metroid Prime 4: Beyond sempre foi um dos jogos que mais acompanhei com expectativa. Ao mesmo tempo, a mudança de direção da Nintendo, com foco maior em liberdade e áreas abertas, já levantava dúvidas sobre como isso funcionaria dentro de uma franquia conhecida por exploração mais contida e atmosférica.
A confirmação de uma motocicleta e de uma grande área semiaberta reforçou esse receio. Após finalizar o jogo, fica claro que Metroid Prime 4 tenta fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas não consegue equilibrar todas elas. Há ideias interessantes, mas também excesso, escolhas narrativas estranhas e uma progressão que não empolga tanto quanto deveria.
Ah, vale lembrar que o jogo está totalmente em pt-BR, ponto pra Big N!
História e personagens
A história acompanha Samus Aran em uma missão no planeta Viewros, agora atuando ao lado da Federação Galáctica. Durante a jornada, ela conhece a raça Lamorn, que lhe concede novas habilidades psíquicas, e reencontra Sylux, antigo rival que retorna como uma ameaça constante e bem construída.

Samus permanece fiel à sua identidade. Ela continua sendo uma caçadora experiente, silenciosa e imponente. O problema está no elenco secundário. Os soldados da Federação têm pouco carisma, diálogos fracos e acabam quebrando a atmosfera de isolamento que sempre definiu a série.

O uso excessivo de comunicação por rádio reforça esse problema. Diferente de Metroid Prime 3, que soube equilibrar narrativa e clima, Prime 4 exagera nas falas e no tom explicativo. Isso fica ainda mais evidente na parte final do jogo, que perde ritmo e se torna cansativa.
Gameplay e exploração
No gameplay, Metroid Prime 4 entrega uma experiência inconsistente. Em seus melhores momentos, o jogo resgata a sensação clássica de descoberta da trilogia original. Explorar ambientes, escanear cenários, encontrar upgrades e enfrentar inimigos variados ainda funciona muito bem. As batalhas contra chefes são o grande destaque. Mesmo simples, elas exigem o uso inteligente do arsenal de Samus e acompanham bem a evolução do jogador ao longo da campanha.

Por outro lado, a enorme área desértica é o ponto mais fraco do jogo. Apesar do tamanho, o mapa é vazio, repetitivo e pouco memorável. A motocicleta até tem uma boa sensação de controle, mas é pouco explorada. Ela serve basicamente para atravessar longas distâncias, sem desafios ou mecânicas realmente criativas.

A principal atividade nessa região é a coleta de cristais verdes para troca no Altar of Legacy. Embora as recompensas sejam úteis, o processo rapidamente se torna repetitivo e pouco envolvente. As novas habilidades psíquicas trazem variedade, mas os puzzles raramente desafiam o jogador. O jogo é bastante linear e parece evitar soluções mais complexas, o que reduz o impacto da exploração e da progressão.
Gráficos, som e desempenho
Tecnicamente, Metroid Prime 4 é um jogo muito bem acabado. A trilha sonora é um dos pontos mais altos da experiência, com músicas atmosféricas e marcantes. Os gráficos representam um avanço em relação aos títulos anteriores, com bons ambientes e modelos de personagens.

No Switch 2, o desempenho é estável e consistente(120fps é uma delícia). Os diferentes esquemas de controle funcionam muito bem, seja com Joy-Cons separados, giroscópio ou mouse, mostrando um cuidado técnico que merece destaque.
Veredito
Metroid Prime 4: Beyond não chega a ser um fracasso, mas também está longe de alcançar o nível dos melhores jogos da série. Ele acerta em alguns aspectos, especialmente na parte técnica e nas batalhas contra chefes, mas erra ao se afastar demais da essência que consagrou Metroid Prime. Para novos jogadores, pode funcionar como um ponto de entrada. Para fãs antigos, fica a sensação de que a ambição falou mais alto do que o cuidado com a identidade da franquia.
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