Final Fantasy VII Remake Intergrade
O novo Final Fantasy VII Remake Intergrade, desenvolvido e distribuído pela Square Enix, finalmente chega a um console da Nintendo, algo que, até pouco tempo atrás, parecia impensável.
Depois de revisitar Midgar mais uma vez, agora no Switch 2, a sensação permanece a mesma: é maravilhoso, sem tirar nem pôr. O que a Square entrega aqui é uma releitura extremamente especial, fiel em espírito, emocionalmente poderosa e, ao mesmo tempo, corajosa o suficiente para ser diferente do original. Isso elimina qualquer tipo de fanboyísmo cego, o jogo se sustenta sozinho, pelo que ele é.

Como já é amplamente conhecido, o Remake é estruturado em capítulos e cobre apenas o arco de Midgar, algo que pode lembrar a divisão vista em Final Fantasy XIII. Mas isso não significa, nem de longe, um jogo incompleto. Existe início, meio e fim, com direito a uma batalha final de verdade e um encerramento que faz jus à grandiosidade do projeto, mesmo com o cliffhanger inevitável. É a parte 1 de uma história maior, mas é uma experiência robusta e plenamente satisfatória por si só.
Sou fã de Final Fantasy VII desde sempre. Perdi as contas de quantas vezes finalizei o jogo original e seus derivados, incluindo uma jogatina relativamente recente no PlayStation 4. Existe algo muito particular nessa obra: uma combinação de momento de vida, construção de caráter, apego aos personagens e ao universo como um todo. Já se passaram mais de 25(quase 30…) anos desde que muitos de nós pisamos em Midgar pela primeira vez, e reviver esse clássico moderno continua sendo algo profundamente especial.

E aqui fica claro um dos maiores méritos do Remake: ele funciona perfeitamente tanto para veteranos quanto para novatos. Estamos falando de um universo expandido gigantesco, Final Fantasy VII, Crisis Core, Dirge of Cerberus, Before Crisis, Advent Children e até animações, e o Remake consegue costurar tudo isso de forma mais coesa. Ele segue a espinha dorsal do original, mas adiciona reviravoltas, aprofunda personagens, preenche lacunas narrativas antigas e brinca com conceitos de linha do tempo de uma forma que gera tanto impacto quanto questionamentos.
Personagens que antes eram quase figurantes, especialmente nos primeiros atentados da Avalanche, agora possuem muito mais profundidade. A Avalanche deixa de ser apenas Barret e Tifa e passa a funcionar como um grupo de verdade. A cidade inteira de Midgar respira: pessoas vivem ali, trabalham, sofrem consequências reais após a explosão dos reatores. O pânico, a perda de empregos, familiares soterrados, o debate moral sobre os métodos da Avalanche,tudo isso ganha peso narrativo. O contraste com os Slums do Sector 7, nosso “favelão”, reforça ainda mais essa desigualdade brutal.

As conversas de NPCs são totalmente dubladas, aparecendo de forma dinâmica na tela, sem quebrar o ritmo da exploração. É um detalhe simples, mas que contribui muito para a sensação de mundo vivo.
No gameplay, a mudança é radical e extremamente bem-vinda. O combate deixa de ser por turnos e passa a ser uma mistura muito bem ajustada de ação em tempo real, algo entre Kingdom Hearts e Crisis Core, mas com identidade própria. É possível correr, esquivar, trocar de personagem em tempo real e, ao mesmo tempo, pausar a ação para selecionar habilidades, magias e itens. O sistema de matérias continua sendo o coração da estratégia, agora ainda mais dinâmico, com combinações inteligentes, buffs, debuffs, invocações e habilidades aprendidas via proficiência com equipamentos.
As side quests também entram em cena, expandindo Midgar com áreas inéditas e atividades variadas, nada de missões genéricas sem graça. Cloud pode aceitar trabalhos, ajudar moradores e até colaborar com um NPC específico para criar novas matérias. Tudo isso adiciona camadas à progressão e à imersão.

O combate é intenso o tempo todo. Alternar personagens para criar sinergias, atordoar inimigos, proteger a equipe com Barrier e finalizar com habilidades devastadoras é extremamente satisfatório. Destaque absoluto para a batalha contra o Airbuster, um espetáculo técnico e de design.
A trilha sonora é simplesmente absurda. São dezenas de faixas rearranjadas com um carinho fora do comum, misturando nostalgia e modernidade ao longo de uma campanha que facilmente passa das 40 horas. Algumas versões alternativas podem ser encontradas em CDs espalhados pelo jogo, tocando no bar da Tifa, e sim, a música do Stamp é um charme à parte.
A dublagem, tanto em inglês quanto em japonês, é de altíssimo nível. Particularmente, acabei preferindo a versão em inglês, algo raro para mim. E claro, o destaque vai para a localização em português, com menus totalmente traduzidos e diálogos cheios de personalidade. Barret rouba a cena com seus xingamentos, tiradas e até cantando o tema de vitória para “aliviar o estresse”. Fenomenal.
O conteúdo Intergrade
A versão Intergrade incluída no Switch 2 traz o episódio adicional estrelado por Yuffie, algo que não estava presente no lançamento original. Esse conteúdo extra adiciona algumas horas de campanha focadas na personagem, apresentando novos estilos de combate, mecânicas próprias e uma perspectiva paralela aos eventos principais em Midgar. É um complemento excelente, que expande ainda mais o universo e ajuda a integrar melhor Yuffie à narrativa geral da trilogia.

Parte técnica no Switch 2
Graficamente, Final Fantasy VII Remake Intergrade no Switch 2 é uma grata surpresa. O jogo roda a 30fps, assim como no PS4, mas utiliza boa parte dos aprimoramentos visuais da versão PS5 Intergrade. Em especial, o trabalho com texturas é significativamente melhor do que no PS4 original. As famigeradas portas borradas dos Slums do Sector 7 agora aparecem nítidas, assim como paredes, placas e texturas de solo, muitas vezes se aproximando mais do padrão visto no PS5, embora nem todos os assets estejam no nível máximo.

O Switch 2 entrega uma curiosa mistura: alguns elementos claramente herdados do PS5, outros ainda equivalentes ao PS4. Faz sentido, considerando as limitações de memória e streaming do hardware. As sombras seguem mais próximas do padrão do PS4, enquanto a iluminação, especialmente após os ajustes do Intergrade — se beneficia bastante de volumetria e ajustes artísticos mais realistas.
O jogo utiliza DLSS como técnica principal de anti-aliasing e upscaling. Em modo docked, a resolução final é 1080p, com uma imagem surpreendentemente limpa e estável, muitas vezes comparável ao modo performance do PS5. Em movimento, alguns artefatos aparecem, especialmente em cabelos e partículas, além de padrões de dithering sob certas condições de iluminação. Em modo portátil, o jogo parece escalar de algo próximo a 720p para 1080p, com perdas mais visíveis, mas ainda assim impressionantes para um título desse porte rodando de forma portátil.

Em termos de performance, o resultado é excelente. O jogo mantém 30fps praticamente cravados durante exploração e combates, tanto no modo docked quanto no portátil. Pequenas quedas podem ocorrer em cenas específicas, como áreas abertas próximas à casa da Aerith, mas são raras. O tempo de carregamento também é muito bom, especialmente quando instalado no SSD interno do Switch 2, ficando bem à frente do PS4 e apenas atrás do PS5.
Conclusão
Final Fantasy VII Remake Intergrade no Switch 2 é uma realização. Um RPG lindíssimo, emocionalmente poderoso e tecnicamente competente, que envelheceu muito bem e agora encontra um novo público no ecossistema Nintendo. Não é a versão definitiva em termos técnicos absolutos, mas é impressionante pelo equilíbrio entre qualidade visual, performance e portabilidade. Se você gosta de RPGs, e especialmente de Final Fantasy VII, esta é uma experiência obrigatória. Um clássico moderno, revisitado com respeito, ambição e muito carinho. Agora, resta apenas aguardar ansiosamente pelos próximos capítulos dessa jornada.
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