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1 de agosto de 2025
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O exército é sem alma, mas o jogo definitivamente não é

Este remaster do obscuro título de 2006 é bem-feito e competente, mesmo sem trazer inovações ousadas além da transição do combate por turnos para tempo real. Embora o enredo não ofereça uma experiência investigativa de verdade para o jogador, ele mergulha fundo no sobrenatural bizarro que cativa qualquer fã da franquia — e foi o suficiente para manter meu interesse até os créditos finais.

Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army

A gigante dos JRPGs, Atlus, consolidou sua influência na indústria durante meados dos anos 2010 com títulos como Persona 3, Persona 4 e Shin Megami Tensei III: Nocturne. Essa era de aventuras com coleta de demônios também se destacou por sua trilha sonora vibrante de jazz e pop, interfaces elegantes e design de personagens marcantes — características que estabeleceram um padrão de excelência para o estúdio.

Mas foi em 2006 que surgiu o discreto Raidou Kuzunoha XIV, um jovem silencioso incumbido de proteger a capital da região de Kanto nos anos 1930. Uma mudança drástica de cenário se comparado aos ambientes contemporâneos ou apocalípticos da série. O título de estreia de Raidou manteve as figuras folclóricas e o estilo característico da franquia, mas introduziu uma abordagem radicalmente diferente de jogabilidade. Sai o combate por turnos cuidadoso e entra uma batalha em tempo real, rápida e dinâmica, com direito a até dois demônios companheiros lutando ao seu lado.

Raidou Kuzunoha XIV.

Raidou Remastered: The Mystery of the Soulless Army pode ser considerado quase um spin-off de outro spin-off, lançado originalmente sob o selo eclético Devil Summoner, dentro da franquia MegaTen. Para os fãs mais antigos da série, quase tudo o que se ama está presente aqui: mais de cem demônios dublados, vindos de diferentes títulos da série, com rostos familiares (e alguns novos) para enfrentar, fundir, negociar e recrutar. A dublagem é, para mim, o recurso “novo” mais interessante do remaster, com faixas em inglês e japonês cobrindo generosamente a maior parte dos diálogos. A trilha sonora traz jazz empolgante, os antigos cenários pré-renderizados(agora em 3D, porém com câmera fixa) remetem à era PlayStation 2 e os menus são bonitos e funcionais. Em resumo: é uma produção MegaTen feita para agradar tanto fãs de Persona quanto de Shin Megami Tensei.

Investigações no Japão da Era Taishō

O décimo quarto protetor da capital e seu guia, um gato falante chamado Gatou, percorrem o Japão urbano do início do século XX como detetives da Agência de Detetives Narumi. A missão inicial envolve investigar o desaparecimento de um adolescente, o que leva a uma dinastia têxtil abastada, envolta em uma maldição familiar — e também em uma conspiração militar. Para os fãs da série (mas talvez não tanto para quem espera um enredo de investigação envolvente), a trama rapidamente toma rumos absurdos, mergulhando em bizarrices sobrenaturais dignas da galeria mitológica da franquia.

Muito legal explorar as cidades dessa era, fugindo bastante do Japão moderno que tantos jogos abordam.

Ao longo de cerca de uma quantidade considerável de capítulos, Raidou encontra uma variedade de clientes e suspeitos no mundo físico, antes de adentrar uma versão sombria e paralela das mesmas localidades. Nessa realidade alternativa, o jogador enfrenta e recruta demônios que vagam pelas ruas familiares. De volta ao Japão “real”, os demônios podem ser invocados para influenciar o humor de NPCs (num estilo parecido com Ni No Kuni), explorar áreas inacessíveis e ajudar a resolver diversos arquivos de casos (missões secundárias).

Cruel com os demônios

A maior reviravolta no jogo de estreia de Raidou está no sistema de combate. É aqui que esse título menos conhecido da série SMT tanto brilha quanto tropeça. Encontrar um demônio no mundo sombrio inicia uma batalha em arena, com o jogador e dois demônios alternáveis enfrentando os inimigos. Raidou pode atacar, desviar e usar habilidades até derrotar ou recrutar todos os oponentes. O combate é rápido, mas limitado em opções: ataques leves para recuperar pontos de magia, ataques pesados, esquivas e ocasionais ataques especiais ou de atordoamento. A maioria dessas opções está disponível desde o início, cabendo ao jogador variar os demônios acompanhantes para obter vantagem em combates mais difíceis.

As batalhas ficaram ainda mais divertidas aqui no Remastered.

Os demônios agem bem de forma autônoma, explorando fraquezas inimigas e apoiando o time sem exigir microgerenciamento — exceto nas batalhas contra chefes. No entanto, com o repertório limitado de ações de Raidou e a ausência de mecânicas de arena mais variadas, os combates acabam se tornando repetitivos com certa rapidez.

Ainda assim, as batalhas contra chefes são satisfatórias. Exigem domínio do sistema, movimentação constante para evitar ataques telegrafados, padrões de laser devastadores e projéteis. Nos momentos certos, o jogo exige uso inteligente de itens, retirada tática dos demônios e interrupção de padrões de ataque. Funciona bem quando há desafios mais elaborados — embora eu gostaria de ter enfrentado mais do que a dúzia de chefes únicos presentes nas minhas 35 horas de jogo.

Combates contra chefes exigem recuar estrategicamente seus demônios para evitar ataques devastadores

Raidou Remastered é consideravelmente mais curto do que outros JRPGs da série MegaTen, mas se beneficia de um ritmo mais equilibrado, que deve agradar aos jogadores contemporâneos. Cada episódio segue uma estrutura clara: atualização do caso principal, exploração do mundo sombrio da localidade em foco (incluindo lutas contra demônios e, talvez, um chefe), e uma cutscene final para encerrar a narrativa. A média de duração de cada episódio é de duas a três horas, com missões secundárias que surgem ao longo do progresso. Em termos de mecânica, os arquivos de caso geralmente são missões de coleta com algumas variações. Usando a viagem rápida pela capital, nunca precisei “grindar”, mas ainda assim senti que o nível de dificuldade acompanhava bem minha evolução.


VEREDITO

Minhas impressões iniciais sobre Raidou Remastered foram bastante positivas. O novo sistema de combate em tempo real, a dublagem, a trilha sonora, a apresentação e o ritmo — tudo foi ajustado para oferecer uma experiência mais alinhada ao público atual. Apesar de reunir os melhores elementos de seus “irmãos” mais famosos, nenhum deles é executado de forma mais marcante aqui, tampouco me cativou como os títulos principais de SMT e Persona.

Taca fogo na galera!

Este remaster do obscuro título de 2006 é bem-feito e competente, mesmo sem trazer inovações ousadas além da transição do combate por turnos para tempo real. Embora o enredo não ofereça uma experiência investigativa de verdade para o jogador, ele mergulha fundo no sobrenatural bizarro que cativa qualquer fã da franquia — e foi o suficiente para manter meu interesse até os créditos finais.

David Signorelli
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