Super Woden Rally Edge
Existem jogos de corrida que parecem exigir volante, cockpit, três monitores e a concentração de alguém disputando uma etapa real de rali. Super Woden Rally Edge prefere outra abordagem. O spin-off criado pela ViJuDa pega o espírito retrô da série Super Woden e o coloca em especiais de rali nas quais seu maior adversário quase sempre é o cronômetro. Não há interesse em simular cada parafuso do carro ou punir o jogador por não conhecer técnicas avançadas de pilotagem. A proposta é muito mais simples: acelerar, aprender uma pista, fazer uma curva melhor e descobrir que aqueles míseros décimos de segundo perdidos agora se tornaram uma questão pessoal.
Enquanto os jogos anteriores da série utilizavam uma perspectiva isométrica, Rally Edge aproxima a câmera e adota uma visão traseira elevada. A mudança funciona muito bem. Além de aumentar consideravelmente a sensação de velocidade, ela permite enxergar um pouco mais do que está pela frente, algo especialmente útil quando o cenário resolve colocar uma sequência de curvas fechadas justamente no momento em que você estava começando a achar que sabia dirigir. E quando tudo dá errado, pelo menos a batida costuma ensinar alguma coisa para a próxima tentativa.
Arcade sem vergonha de ser arcade
A dirigibilidade deixa claro desde os primeiros minutos que Rally Edge não está tentando ser um simulador. E isso é uma ótima notícia. Acelerar, frear e usar o freio de mão é praticamente tudo que você precisa aprender antes de começar a perseguir tempos melhores. O jogo encontra seu prazer justamente nessa simplicidade. Você termina uma etapa, percebe que perdeu a liderança por menos de um segundo e imediatamente pensa que consegue melhorar aquela curva. Cinco tentativas depois você continua pensando exatamente a mesma coisa.

Os carros das classes iniciais são bem menos empolgantes e alguns deles parecem pequenos tijolos com rodas, mas a experiência melhora bastante conforme máquinas mais rápidas começam a entrar na garagem. Derrapagens controladas e mudanças rápidas de direção passam a fazer parte da rotina e existe uma satisfação enorme quando uma sequência complicada finalmente encaixa. Para quem não quiser sofrer sozinho, há também multiplayer local em tela dividida para até quatro jogadores, um recurso que combina perfeitamente com a natureza arcade do jogo. A versão vendida na PlayStation Store brasileira oferece suporte para um a quatro jogadores offline.
Uma carreira simples que funciona
O coração da experiência está no modo carreira, dividido entre cinco categorias de veículos que vão da classe E até a A. Terminar eventos no pódio rende estrelas, enquanto as premiações em dinheiro são usadas para comprar e melhorar carros. Tanto os veículos quanto seus aprimoramentos podem pesar no orçamento, o que torna cada nova aquisição uma pequena conquista. O jogo ainda entrega alguns carros como recompensa ao longo do caminho, ajudando a manter uma sensação constante de progressão.

É um sistema extremamente simples, mas que funciona porque Rally Edge sabe explorar aquela necessidade quase irracional de conquistar mais uma estrela ou melhorar mais um tempo antes de desligar o videogame. Arcade e Time Trial complementam o pacote sem tentar inflá-lo artificialmente com dezenas de modos que provavelmente seriam ignorados depois de algumas partidas.
As pistas são as verdadeiras estrelas
Rally Edge é um projeto independente de orçamento claramente limitado. Não espere carros oficialmente licenciados, modelos absurdamente detalhados ou uma apresentação comparável aos gigantes do gênero. Os veículos são interpretações bastante óbvias de modelos reais e o visual deliberadamente retrô não está interessado em impressionar pela tecnologia. Curiosamente, nada disso incomoda muito porque o design das pistas compensa boa parte dessas limitações.

O Japão oferece estradas estreitas e cheias de variações de elevação, a Espanha aposta em sequências de curvas fechadas e a Suécia naturalmente traz neve para tornar sua vida um pouco mais complicada. As curvas funcionam quase como pequenos quebra-cabeças. Entrar cedo demais, frear tarde ou posicionar o carro alguns metros para o lado errado pode destruir um tempo excelente. O mais importante é que novos traçados aparecem em um ritmo muito bom durante a campanha, evitando aquela sensação de simplesmente repetir as mesmas pistas com carros cada vez mais caros.
Existe ainda um modo fotografia para registrar tanto aquelas raras situações em que você parece um piloto profissional quanto o momento em que destruiu uma tentativa perfeita ao entrar completamente errado na última curva. É difícil não respeitar o quanto há aqui considerando que Super Woden Rally Edge nasceu essencialmente do trabalho de um único desenvolvedor.
VEREDITO
No Brasil, Super Woden Rally Edge custa atualmente R$ 85,50 na PlayStation Store, com direito às versões de PS4 e PS5. Não é um jogo enorme e também não tenta fingir que é. A quantidade de modos é relativamente enxuta, a apresentação é modesta e quem procura uma experiência de simulação provavelmente estará procurando no lugar errado.
Por outro lado, o que está aqui funciona extremamente bem. Existe variedade suficiente nas pistas, uma progressão viciante e uma dirigibilidade acessível que consegue proporcionar profundidade sem exigir horas de aprendizado. Considerando o preço e principalmente a capacidade absurda que o jogo possui de fazer uma tentativa virar dez sem você perceber, o pacote acaba sendo fácil de recomendar para quem sente falta de jogos de corrida que simplesmente querem ser divertidos.
Super Woden Rally Edge entende uma coisa que às vezes parece esquecida pelo gênero: nem toda corrida precisa ser uma simulação perfeita. Às vezes basta um carro, uma boa pista e a certeza de que você consegue tirar mais 0,13 segundo daquela volta.
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