Já reparou que nos últimos tempos a Square Enix andou meio na sua, jogando sempre no seguro? Foi Final Fantasy pra cá, remake de Dragon Quest pra lá, um Mana aqui, um SaGa ali… Nada contra, viu, mas a gente sabe que essa turma é capaz de coisa muito mais doida quando quer!.
E “The Adventures of Elliot: The Millennium Tales” é a prova viva disso. Um Action-RPG com aquela cara de Mana turbinado com Zelda, que lembra muito mais as apostas malucas tipo Harvestella, Nanashi no Game, Sigma Harmonics e Voice of Cards do que qualquer coisa “seguranção” que a gente andou vendo por aí. Tem uns tropeços aqui e ali, não vamos negar, mas o clima de ousadia e as ideias na manga deixam qualquer fã de RPG com aquele sorriso bobo na cara.
A HISTÓRIA: LÁ VAMOS NÓS PELO TÚNEL DO TEMPO!
A aventura começa no reino de Huther, durante a chamada Age of Safekeeping. Nosso herói Elliot é um órfão que cresceu e virou aventureiro pra sustentar o orfanato que o criou, que fofura, hein? Quando umas ruínas misteriosas aparecem do nada, seu amigo Euygene dá aquela força e o recomenda ao rei e à Princesa Heuria como o cara de confiança pra explorar o rolê. Depois de encarar duas ruínas na vizinhança do reino, Elliot esbarra na tal Porta do Tempo e conhece uma fadinha camarada chamada Faie. E é aí que a mágica acontece: com essa parceria, ele passa a viajar entre diferentes eras, encarando missões em cada uma delas e literalmente mudando o rumo da história! Maneiro, né?
NA PANCADARIA: UM COMBATE QUE FLUI GOSTOSO DEMAIS
Como já avisamos, o clima aqui é bem Mana com uma pitada forte de Zelda, principalmente aquele gostinho de Oracle of Ages e Ocarina of Time. Elliot pode empunhar um arsenal e tanto: espadas, lanças e martelos pro corpo a corpo, além de arcos e bumerangues pra detonar à distância. Ainda dá pra levantar o escudo e aparar pancada, e equipar Magicite pra pegar bônus passivos e efeitos elementais.
A sacada legal é que dá pra equipar duas armas ao mesmo tempo, montando combos daqueles e ataques na hora. Combinações certas de Magicite também fazem toda diferença no estrago causado. A dupla espada-e-escudo inicial já manda bem sozinha, e dava até pra ficar só nela a depender da situação. Mas confesso que curti demais sair com arco, correntes e foices, ficando ali na retaguarda abatendo os inimigos de longe.
E olha, o combate É SUAVE DEMAIS. Trocar de arma na roda é moleza, e tanto o ataque corpo a corpo quanto o à distância acertam com aquele peso satisfatório. Encadear combo, contra-atacar e se defender também sai numa boa, e o bônus de drop que a gente ganha por ficar detonando geral sem tomar um arranhão é a cereja do bolo. Até aquelas armas mais “sem graça”, tipo bomba e martelo, viram essenciais na hora de quebrar cenário e destravar caminhos novos… então nada aqui é bagunça inútil no inventário!
VIAJANDO NO TEMPO (E NO ESPAÇO TAMBÉM!)
Como a pegada é passear entre eras diferentes, a gente acaba revisitando os mesmos cantos de Philabieldia só que em épocas distintas. Isso muda tanto as missões principais quanto as secundárias, e ainda mexe direto no cenário: o que você faz lá atrás no passado reflete lá na frente, no futuro! Isso é um baita incentivo pra ficar circulando entre as eras, não só pra cumprir aquela missão obrigatória, mas pra descobrir baú novo ou área que abriu.
Claro que isso também significa repetir um bocado de bioma e cenário, mas faz todo sentido dentro da história, então relevamos numa boa. E como sempre tem coisa nova pra achar, tipo santuários em lugares diferentes, junto com aquele sistema de teleporte nos pontos de aventureiro (tanto no mapa aberto quanto nas masmorras principais), a repetição nunca vira saco cheio.
PODERES DA FADINHA E AQUELE VISUAL DE CAIR O QUEIXO
Sendo um Zelda-like com tempero de Mana que é, óbvio que não podia faltar evolução de poderes, aqui na forma da fada Faie indo destravando novos truques com o tempo. Tem poder que é praticamente um facilitador raiz: a Corrida serve pra atravessar mapa que é uma beleza, e o Tornado puxa tudo pro centro que nem um ímã. Nenhum deles é “over”, tudo tem utilidade real na exploração e deixa a locomoção bem mais gostosa.
E cá pra nós: o visual tá impecável! A Square Enix e seu time estão mandando muito bem no estilo HD-2D, e no PlayStation 5 então, nem se fala, visualmente é de babar. Curti muito também aqueles efeitos automáticos de transparência, que evitam que a câmera fique tampada quando a gente entra numa área cheia de árvore. A direção de arte é um show à parte. A perspectiva escolhida deixa fácil enxergar os inimigos nas masmorras e conduzir as lutas contra chefes, e até as partes de plataforma, que a gente temia que fossem osso, ficaram bem tranquilas de encarar. E olha, tem até uma capa vendida na lojinha da Age of Safekeeping que deixa o Elliot flutuar, e outra que anula dano de queda. Aliviou legal a mão na certas partes!
E A HISTÓRIA, HEIN?
Beleza, chegou a hora de falar do que ainda não comentamos: o roteiro. Rolou um feedback depois da demo de que a Princesa Heuria e a Faie tagarelam pra caramba enquanto o Elliot tá explorando o mundo. Tanto é que muita gente já ficou comparando a Faie com a Navi, aquela fadinha de Ocarina of Time que todo mundo ama odiar. Mas garantimos: essa conversa toda não incomodou tanto assim, e quem tiver receio pode simplesmente ativar a opção para amenizar isso nas configurações e deixar as companheiras mais caladinhas, besteira ao meu ver.
Dá pra entender a jogada da equipe: o Elliot passa boa parte do tempo sozinho, então faz sentido quererem preencher esse vazio com diálogo, ainda mais sendo um jogo com pegada bem narrativa. No geral, já vimos jogo de Mana e Zelda com história mais redondinha, com certeza, algumas eras têm personagens e tramas mais envolventes que outras. Mas garantimos que curtimos MUITO a história de Elliot, principalmente porque conseguimos o tal final “verdadeiro”, que amarra tudo direitinho no fim das contas.
VEREDITO FINAL
“The Adventures of Elliot: The Millennium Tales” tem aquela cara de Square Enix se arriscando de verdade, e é exatamente por isso que a gente se apaixonou por esse Action-RPG! Tem uns probleminhas de nada aqui e ali, mas o combate é uma delícia e o conceito é empolgante que só. E convenhamos: é ótimo ver um jogo em HD-2D ousando num gênero diferente, ao invés de virar mais um RPG de turno igual todo mundo já fez. A Square Enix apostou alto dessa vez, e merece todos os aplausos por isso!
