SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS -
6 de maio de 2026
9
Onde o cotidiano encontra o surrealismo e a sua única função é assistir o circo pegar fogo

Mais do que uma simples sequência, Tomodachi Life: Living The Dream no Switch 2 é uma máquina de gerar histórias absurdas. Sem o controle direto dos simuladores tradicionais, o jogador se torna o espectador de uma novela caótica protagonizada por seus próprios amigos (ou pelo elenco de Friends). Entre rejeições amorosas inesperadas e diálogos sem sentido sobre burritos e celebridades, o jogo prova que, nas mãos da Nintendo, a falta de lógica é o maior trunfo do entretenimento.

Tomodachi Life: Living The Dream – O “The Sims” da Nintendo

Eu mergulhei em Tomodachi Life: Living The Dream sem nunca ter jogado o original e sem acompanhar muito as notícias sobre ele. Ou seja: eu estava totalmente despreparado para a experiência surreal que me aguardava.

Comecei criando a mim mesmo, o que é o padrão em jogos de “simulação de vida”. Eu era o primeiro residente de uma ilha minúscula e vazia. Viva! Mas, poucos segundos depois, o jogo me mandou criar mais moradores para “eu” interagir; eu não ficaria sozinho por muito tempo. Após pensar um pouco, decidi que os próximos habitantes seriam a turma de Friends. Eu já investi tanto tempo assistindo às reprises de Ross, Rachel, Joey e o restante da turma, e sei tanto sobre a vida deles, que achei que seria uma ótima oportunidade para “conviver” com esses personagens aos quais sou tão apegado.

Onde a loucura começa

E foi aí que as coisas ficaram realmente bizarras. Com poucos dias de jogo, o Ross se apaixonou perdidamente por “mim” e, então, “eu” o rejeitei porque “eu” estava a fim da Rachel. O resultado? Ross ficou deprimido em casa , acabando com a energia da cidade por dias. Para piorar, a Rachel estava a fim do Joey e começou a passar um tempão com ele na nova lanchonete que eu construí. Ou seja: sobrou para “mim”.

Um dos jogos mais engraçados da minha vida, pena que a falta de pt-BR vai afastar muita gente.

Enquanto isso, a Phoebe se juntou com a Monica, e a Monica começou a correr pela cidade tentando falar com todo mundo sobre sexo. O que é muito estranho, considerando o quão metódica ela é. Eu estou genuinamente pensando em substituir falas das minhas histórias por coisas que a Monica soltou nesse jogo.

Tudo começa assim…

Todo dia que faço log nesta mistura de Animal Crossing com Salvador Dalí, a experiência consegue ficar mais maluca e, consequentemente, mais divertida. Mas é aqui que eu devo fazer uma pausa e explicar o que realmente acontece no game para quem nunca jogou.


Como funciona o caos?

Em um nível básico, é como Animal Crossing, só que você não controla um personagem diretamente. Em vez disso, você observa os bonecos viverem suas vidas, embora eles frequentemente tentem chamar sua atenção para pedir conselhos. Um exemplo comum: um personagem quer ser amigo de outro… ou declarar seu amor. Você decide o que eles devem dizer para quebrar o gelo.

Voltando ao meu exemplo: o Ross decidiu que estava apaixonado por “mim” e me perguntou sobre o que deveria vir falar comigo. Eu sugeri “Ana De Armas” um tópico que “eu” deveria me interessar. Imagine minha surpresa quando “eu” dei um fora no Ross mesmo assim? (Acho que não estávamos dando um tempo!).

Sempre dá um susto quando começa a Breaking News ou o Plantão da Globo, como preferir. Bem, essa é a ideia.

Conforme o jogo avança, você é incentivado a criar mais gente, talvez o Chandler ou o Gunther. A cidade cresce e ganha instalações que permitem mudar a decoração das casas, dar roupas novas e comprar comida para mantê-os felizes. A rede de conexões cresce, a dinâmica social explode em uma complexidade muito estranha e, de repente, você percebe que está vivenciando uma das narrativas emergentes mais incríveis já feitas.


Mecânicas e Limitações

Mecanicamente, Tomodachi Life é bem limitado. Como você não controla os personagens diretamente, ele não tem a profundidade de um The Sims. Se o apelo dependesse puramente do “gameplay” tradicional, o jogo perderia o fôlego rápido.

Dá pra fazer de tudo com o criador de personagem.

Mas nenhum outro jogo me deixa conviver com os personagens de Friends e me puxa para uma novela ridícula com quatro triângulos amorosos entrelaçados. Nenhum outro jogo me deixa mandar meus personagens terem discussões sérias sobre a melhor atriz de sua geração. Ou burritos.

Ah, não posso esquecer de mencionar a parte técnica, eu joguei ele no Switch e no Switch 2, ambos rodam o game a 30 quadros por segundo e tem um visual bem limpo, só não espere melhorias significativas no novo console da Nintendo. Quanto as músicas, bem… elas estão tocando na minha cabeça faz semanas.

Veredito

Tomodachi Life: Living The Dream é, ao mesmo tempo, uma sátira dos simuladores de vida e o mais divertido do gênero que já joguei. É uma diversão caótica, frenética e cada segundo é um deleite. Eu adoraria compartilhar prints de quão ridícula ficou a relação entre o Ross e “eu”, mas a Nintendo tornou bem difícil tirar capturas de tela do Switch 2. Eles sabiam exatamente que tipo de loucura as pessoas fariam com seus Miis.. é, a Nintendo nos conhece bem demais.

David Signorelli

Posts Relacionados

Donkey Kong Country Returns HD

Dependendo de com quem você fala e da plataforma em que eles jogaram, você ouvirá que Donkey Kong Country Returns é melhor…

The Rogue Prince of Persia

Fãs de roguelikes certamente conhecem Dead Cells, um dos títulos mais celebrados do gênero nos últimos anos. E é impossível…

Everybody 1-2-Switch!

A Nintendo entende de diversão como poucas outras empresas e já possui jogos multiplayer com um componente social para jogadores…

TOP