Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian
A série Atelier tem sido uma presença constante para mim desde que comecei a escrever sobre a indústria de videogames em 2013. Cada novo título apresenta diferentes elementos de sistemas de JRPG — seja no combate, na criação, na construção de mundos ou no design de personagens. Nos últimos anos, a série passou a apostar em ambientes expansivos e em uma exploração mais livre, além de aprofundar as mecânicas de simulação que se conectam ao ciclo tradicional da franquia.
Ainda assim, os sistemas de personalização de cidades e de alquimia da série nunca me encantaram tanto — até agora. A Koei Tecmo conseguiu trazer o foco de volta ao essencial, adicionando melhorias modernas com o lançamento de Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian. O que começou como um jogo mobile foi transformado em um lançamento completo, que aproveita alguns elementos do antigo título para celulares, mas também adiciona novos personagens, amplia as regiões e reúne alquimistas amados em um só pacote. Eu esperava algo simples no início, mas ficou claro que a equipe se esforçou para tornar este um dos jogos mais ricos em recursos da série, ao mesmo tempo em que adota ideias das trilogias Secret e Mysterious.
História e Personagens
Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian acompanha dois protagonistas principais: Rias Eidreise e Slade Clauslyter. E sim, a própria Resleriana aparece de vez em quando, mas não é o foco principal. Você não precisa ter jogado a versão mobile para entender a história, o que torna este um ponto de entrada acolhedor. Rias e Slade são os primeiros protagonistas duplos com um personagem masculino desde Escha & Logy, o que certamente chama a atenção dos fãs de longa data. No início, você escolhe quem liderará a aventura — essa decisão muda algumas cenas, mas ambos continuam centrais para o enredo, independentemente da escolha.

A franquia Atelier sempre foi conhecida por retratar o cotidiano, mas os jogos mais recentes amadureceram em tom e temas. Resleriana se passa doze anos após uma névoa vermelha destruir a cidade natal de Rias e Slade. Eles retornam movidos pelo desejo de reconstruir e descobrir a verdade por trás do desastre, escondida em uma masmorra próxima. Rias pode parecer um pouco ingênua no início, mas logo demonstra determinação e propósito, tornando seu crescimento algo prazeroso de acompanhar. Slade, por outro lado, é mais complexo: sua busca gira em torno do “Núcleo Geist”, que lhe permite acessar dimensões alternativas e levanta questões sobre sua própria existência.

Ambos estão ligados por promessas antigas, e sua jornada ganha novas camadas quando Rias descobre uma alquimia oculta relacionada aos Caminhos Dimensionais — o que introduz fadas e novas tramas. Um dos aspectos mais interessantes é a forma como protagonistas de outros Ateliers aparecem neste mundo como “Andarilhos”, misteriosamente transportados para lá. É uma sacada inteligente, especialmente quando figuras como Raze Meitzen de Mana Khemia 2: Fall of Alchemy surgem, trazendo nostalgia e boas referências.
Uma fraqueza no elenco
A desvantagem é que nem todos os Andarilhos são jogáveis — e alguns nem mesmo têm dublagem. O grupo permanece limitado a seis personagens, o que restringe as opções de combate. Fãs vão reconhecer nomes como Ryza e Ayesha, mas elas não podem ser usadas no elenco principal. Em vez disso, aparecem em missões secundárias que nem sempre exploram suas personalidades, embora permitam um breve reencontro. Esses personagens também podem ser enviados para buscar itens, mas com mais de vinte rostos conhecidos retornando, é decepcionante que tantos fiquem subaproveitados. Para um jogo que celebra o legado da série, isso é uma falha notável.
Jogabilidade e Síntese
Apesar disso, o loop de jogabilidade de Atelier Resleriana é extremamente coeso. Você administra uma loja de itens, financia projetos de reconstrução, explora regiões em busca de materiais, batalha em Caminhos Dimensionais, aprimora fórmulas de síntese e depois reabastece o estoque da sua loja. O progresso está atrelado à descoberta de novos livros e receitas, e não a níveis de personagem. O sistema Remix é um destaque: ele permite transformar itens em novos produtos, dependendo dos ingredientes utilizados. Os menus são bonitos, intuitivos e a função de marcar itens no mapa para rastrear seus locais é uma das melhores adições da série.

A acessibilidade é um ponto forte — os sistemas vão sendo desbloqueados aos poucos, até o Capítulo 6, para que o jogador aprenda no seu ritmo. Por exemplo, na loja, é possível designar fadas para cuidar de tarefas ou automatizar o processo para resultados rápidos. Muitos sistemas encontram um meio-termo interessante entre profundidade e conveniência. Assim como nos jogos anteriores, a alquimia do final do jogo exige mais planejamento, o que mantém a sensação de progresso.

A síntese gira em torno da combinação de cores dos materiais para criar efeitos adicionais. Os “traços” funcionam como habilidades, mas só se tornam relevantes mais adiante. No início, o jogador pode ignorar os detalhes sem ser penalizado. É um sistema fluido, com alto potencial de complexidade — mas o jogo deixa claro que o progresso é intencionalmente espaçado, o que evita sobrecarga e incentiva a aproveitar a história.
Exploração e Combate
A exploração usa ferramentas exclusivas de cada protagonista: Rias pode atravessar fendas, enquanto Slade destrói barreiras. Conforme a trama avança, gemas coloridas desbloqueiam novas áreas. Os mapas são amplos e repletos de materiais e inimigos, mas a coleta foi simplificada — você não precisa mais trocar de ferramenta, basta se aproximar dos pontos de coleta. Versões douradas das ferramentas permitem obter itens raros, mantendo o ritmo recompensador.

O combate é por turnos, com três personagens ativos e três reservas. Trocar de personagem durante a batalha permite criar combos. Ataques básicos geram PA, usados em golpes de acompanhamento e habilidades especiais. As afinidades elementares adicionam estratégia, mas a árvore de habilidades é genérica, pois compartilha pontos entre todos os personagens. Os menus de missões e equipamentos também são um pouco confusos, mas funcionais.

A dificuldade geral é baixa, com exceção de alguns picos em chefes e desafios secretos no final do jogo. As batalhas comuns se tornam repetitivas rapidamente, devido ao limite de personagens e à necessidade constante de coletar materiais — felizmente, há opções de aceleração e a possibilidade de evitar combates, o que ameniza o cansaço.
Apresentação e Trilha Sonora
A trilha sonora continua sendo um dos maiores encantos da série — Resleriana mantém essa tradição, trazendo até faixas clássicas que despertam nostalgia. A dublagem é de ótima qualidade, apesar de limitada. A ausência de vozes em inglês é uma pena, mas o elenco japonês faz um trabalho excelente. Ouvir dubladores veteranos reprisando papéis antigos, como Nazuka-san como Totori, é uma grata surpresa.
Veredito Final
Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian manda bem naquele equilíbrio entre o velho e o novo, sabe? Os dois protagonistas seguram a bronca e a história realmente prende, enquanto os personagens clássicos aparecem pra dar aquele quentinho no coração de quem já acompanha a franquia faz tempo. Dá pra jogar de boa, só curtindo, ou se perder nos detalhes e sistemas se você for desses mais hardcore. Agora, nem tudo são flores. O combate e o elenco deixam um pouco a desejar, meio limitados, mas olha… a parte de síntese, exploração e o visual compensam bonito. Pros fãs antigos, é um jogo digno que não faz feio na coleção. E pra quem tá chegando agora, pode ir sem medo – não precisa saber nada dos anteriores pra curtir.
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