SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS -
14 de agosto de 2026
7.5
No fim do mundo, todo mundo precisa de um Koo

Em Beast of Reincarnation, a Game Freak sai de Pokémon pra apresentar Emma, uma seladora marcada pela Blight que caça malefacts ao lado do fiel cão Koo. O combate mistura ação em tempo real com comandos táticos, a exploração vertical é criativa do início ao fim, e a trilha de Michiru Oshima fecha a experiência com chave de ouro, só a história que podia ser melhor.

Beast of Reincarnation: vale a pena jogar?

A Game Freak não é só a “empresa do Pokémon”. De tempos em tempos o estúdio japonês resolve sair da rotina de monstrinhos fofos pra experimentar outra coisa, e Beast of Reincarnation é, de longe, o experimento mais ambicioso que já vi sair de lá. É um jogo que acerta em cheio em exploração e combate, mas que ainda revela um estúdio meio perdido na hora de contar uma boa história.

Uma seladora, um cão e uma praga chamada Blight

A história se passa no ano de 4026, num mundo devastado onde a humanidade sobrevive em colônias isoladas. A protagonista é Emma, uma “seladora” infectada pela Blight, uma doença que a torna, aos olhos de todo mundo, algo menos que humano. O trabalho dela é caçar os malefacts, criaturas monstruosas que ameaçam essas colônias, e sua missão principal é chegar até a Capital, derrotar os Nushi (versões poderosas desses malefacts) e, no fim, enfrentar o próprio Beast of Reincarnation que dá nome ao jogo.

Não esqueça de usar o Koo pra te ajudar a sair de situações como essa.

Ao longo do caminho, Emma ganha companhia: Koo, seu cão leal, Kagura, uma jovem serva, e Brad, um mentor mais velho. Tem também Violet, uma presença fantasmagórica que só Emma consegue ver e ouvir. No começo o jogo intercala bastante exploração com cenas de diálogo pra apresentar esse grupo, e funciona, principalmente pela relação entre Emma, fria e emocionalmente travada, e Kagura e Koo, que vão aos poucos derretendo essa casca.

O problema é o resto do elenco. Alguns personagens (Brad incluso) parecem existir só pra jogar informação de lore em cima do jogador nas últimas horas, sem construir vínculo nenhum antes disso. Dava pra sentir que o clímax perderia bem menos força se a Game Freak tivesse cortado metade dessa exposição forçada e focado só no crescimento de Emma junto de Kagura e Koo.

Explorar o mundo é onde o jogo realmente brilha

Passadas as quase 42 horas de campanha, fica claro que exploração é o coração de Beast of Reincarnation. Emma, por ser uma “blightborn”, consegue fazer galhos crescerem do próprio cabelo e usá-los como plataformas, um mecanismo simples no papel, mas que abre um leque enorme de rotas alternativas e quebras de sequência genuinamente criativas.

Apesar de não ser tecnicamente forte, a direção de arte ajuda a embelezar o título.

Os cenários ajudam bastante nisso: as zonas abertas do jogo têm uma pegada bem vertical, pensada pra combinar com essa mobilidade da Emma. Um detalhe que me marcou foi a chuva “blighted”, que faz árvores crescerem do nada no meio do mapa e muda completamente sua noção de espaço, de um jeito proposital e bem executado.

O combate: um duelo entre ação pura e comando tático

Se a exploração já é boa, o combate é o ponto mais forte do jogo. Emma se controla como em qualquer action RPG tradicional, com foco pesado em parries bem cronometrados que enchem uma barra de comando do Koo. A qualquer momento dá pra pausar o ritmo, abrir o menu do cachorro e escolher entre uma lista de habilidades customizáveis pra ele executar.

Clássico entardecer sempre dando aquele clima melancólico.

É um sistema que permite jogar de mais de um jeito: dá pra ir no estilo character action puro, usando Koo só como suporte de fundo, ou jogar de forma mais defensiva, priorizando os projéteis da Emma e microgerenciando os comandos do cão com precisão cirúrgica. Os dois estilos funcionam, e alternar entre eles durante uma mesma luta é onde o combate mostra sua profundidade.

Cenas lindas como essa dão um charme ao jogo.

Existem ainda mods pra essas habilidades do Koo, que adicionam efeitos especiais em troca de um custo maior e é aí que surgem as combinações mais divertidas, como aplicar status negativos no inimigo e recuperar pontos de ação com o mesmo golpe, ou acoplar a habilidade única da espada da Emma com um skill barato pra ir com tudo pra cima do adversário.

Trilha sonora e apresentação

A trilha de Michiru Oshima merece destaque à parte: é uma trilha onírica, que em vários momentos lembra o trabalho de Monaca (dupla por trás da trilha de NieR). Combinado com a direção de arte e a variedade das zonas abertas, o resultado é um mundo que dá vontade de explorar cada cantinho, mesmo com a performance na versão PS5(dessa análise) deixando a desejar em alguns trechos.

Emma e Koo, sempre juntos.

VEREDITO

No fim das contas, o roteiro é o único ponto realmente fraco de Beast of Reincarnation, e mesmo assim ele só atrapalha de verdade lá pelo final, quando tenta explicar lore demais de uma vez. Tirando isso, o jogo entrega um combate criativo, uma exploração vertical muito bem pensada e uma direção de arte e trilha sonora à altura. Se história não for prioridade pra você, tem jogo de sobra aqui pra compensar.

David Signorelli

Posts Relacionados

Splatoon Raiders

Se tem uma coisa que sempre incomodou quem gosta do universo de Splatoon, mas não tem paciência para enfrentar hordas…

Rayman: 30th Anniversary Edition

Quando o assunto é história dos videogames, eu confesso sem vergonha nenhuma: sou daqueles que amolece fácil. Ainda mais quando…

Call of Duty: Modern Warfare II

Call of Duty: Modern Warfare II é a continuação do título que retornou a franquia ao seu lugar e inaugurou o…

TOP