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17 de março de 2026
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Até quem é ruim de combo vai querer apanhar nesse aqui

BlazBlue chuta o balde dos jogos de luta num roguelite técnico e visceral. Combate "na manteiga", herança de avatares insana e desafio para quem tem dedo firme.

BlazBlue Entropy Effect X

Se tem um gênero que define a minha trajetória nos games, é o de luta. Sou do tipo que gasta horas no Training Mode estudando hitboxes e decorando a frame data de cada overhead. Por isso, minha relação com a franquia BlazBlue sempre foi de extrema afinidade e respeito pela sua complexidade técnica.

No entanto, nem sempre o formato tradicional de luta permite explorar o universo denso da Arc System Works de maneira orgânica. Foi com essa mentalidade que mergulhei em BlazBlue Entropy Effect, originalmente lançado pela 91Act. E se você achou que a transição para o gênero action roguelite diluiria a essência técnica da série, prepare-se para ser provado do contrário.

Combate delicioso.

A versão Entropy Effect X não é apenas um “port” para consoles; é uma reengenharia completa. Ela pega a base sólida de combate e a envelopa em uma narrativa reestruturada, transformando o que antes parecia um “spin-off” experimental em um título robusto que honra o legado de Ragna e companhia. Após dissecar cada mecânica desta nova versão, posso afirmar: a profundidade que buscamos nos jogos de luta foi transportada com maestria para este novo campo de batalha.

O Despertar no Lab: Narrativa com Propósito

A mudança mais impactante na estrutura de Entropy Effect X é o seu ponto de partida. O hub genérico e frio da versão anterior foi substituído pelo The Lab. Aqui, você não é apenas um espectador; você é Ace, um indivíduo operando em uma instalação de pesquisa humana sob o comando do enigmático Dr. Mercurius. A missão é clara: salvar o mundo explorando o “Mar de Possibilidade”.

No começo essas informações todas na tela parecem complicadas, mas depois de umas 2 runs você já pega o jeito!

Diferente do original, onde a história parecia fragmentada e sem peso, a versão X utiliza um elenco compacto de pesquisadores que dão rosto e urgência ao apocalipse iminente. Para um veterano da série, o verdadeiro brilho está nos Shards of Possibility. Ao coletá-los, você presencia eventos cruciais estrelados pelo elenco clássico de BlazBlue. Ver o traço da MAPPA e a escrita de veteranos como Mako Komao e Akihito Kumagawa integrados à progressão torna a experiência narrativa muito mais recompensadora. Pela primeira vez em um jogo derivado, senti que a história estava sendo contada através do gameplay, e não apesar dele.

Gameplay: Onde o Frame de Impacto Encontra a Estratégia

Para quem respira jogos de luta, o combate de Entropy Effect X é um deleite técnico. Esqueça o esmagamento de botões; aqui, o sucesso depende de timing, leitura de telegraphs e o uso inteligente de cancelamentos.

  • A Alma do Combate: Cada avatar retém a identidade visual e mecânica de sua contraparte de luta. Controlar o Hakumen ou a Noel exige mentalidades completamente diferentes. Os ataques são pesados, as animações de hitstop são precisas e o feedback tátil é digno da linhagem da Arc System Works.
  • A Reestruturação do Lab: A 91Act ouviu as críticas sobre a navegação confusa do primeiro jogo. No Lab, as facilidades de upgrade foram centralizadas entre os quatro pesquisadores. Isso elimina o tempo morto entre as “runs” e permite que você foque no que interessa: aprimorar sua performance técnica.
  • Diversidade de Builds: O jogo oferece uma quantidade absurda de Potentials e Tactics. Enquanto os Potentials alteram a árvore de golpes do seu personagem (permitindo novos combos aéreos ou extensões de ataques especiais), as Tactics adicionam camadas elementais. A sinergia entre eletricidade, fogo e gelo cria um ecossistema de combate onde você pode customizar um personagem focado em controle de grupo ou em dano massivo contra chefes.

O Desafio da Entropia e a Engenharia de Progressão

Um dos sistemas mais fascinantes é o de Entropia. Antes de iniciar uma jornada, você pode aplicar modificadores de desafio que aumentam o HP inimigo, alteram o comportamento das IA ou reduzem sua própria cura. Para um jogador de alto nível, isso não é apenas dificuldade artificial; é o teste definitivo de habilidade. Alcançar 50 pontos de Entropia desbloqueia a Extreme Zone, um território onde apenas aqueles com domínio total sobre os frames de invencibilidade da esquiva conseguem sobreviver.

Esse estilo visual sempre será bonito.

Isso se conecta diretamente à Herança de Avatar. Ao final de cada ciclo, o “estado” do seu personagem é registrado. Você pode transferir talentos e táticas de um avatar para outro, criando combinações que seriam impossíveis em um jogo de luta tradicional. Imagine a mobilidade de um personagem herdando a força bruta e os buffs passivos de outro. É uma camada de estratégia de “meta-jogo” que estende a vida útil do título por centenas de horas.

Veredito: O Padrão Ouro dos Action Roguelites

Como se o conteúdo base não fosse suficiente, Entropy Effect X entrega de bandeja os personagens de colaboração que eram DLC no PC: The Beheaded (Dead Cells) e ICEY. Ambos foram integrados com tutoriais dedicados e mecânicas que respeitam seus jogos de origem, tornando o pacote verdadeiramente definitivo.

Se você, assim como eu, tem uma afinidade profunda por jogos de luta e exige rigor técnico, BlazBlue Entropy Effect X é uma compra obrigatória. Ele prova que é possível sair do “ringue” tradicional sem perder a alma competitiva e a profundidade mecânica que tornaram BlazBlue um ícone. A 91Act não apenas sobreviveu às dificuldades de desenvolvimento; ela entregou um clássico instantâneo que merece o selo de ouro em qualquer revista de respeito.

David Signorelli

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