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26 de fevereiro de 2026
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Mais brilho, menos alma e um combate que esqueceu de te levar a sério

No fim, Code Vein II é um jogo funcional, mas que carece daquela faísca de genialidade e ambição que colocou seu antecessor no mapa.

Code Vein II

O primeiro Code Vein nunca teve a pretensão de ser um souls-like perfeito ou tecnicamente impecável, mas ele tinha algo raro hoje em dia: personalidade própria.

Ele abraçava o “estilo anime” sem vergonha, oferecendo um porto seguro para quem queria um desafio decente, mas passava longe da estética sombria e gótica da FromSoftware. Era um jogo com um mundo vampiresco intrigante, um sistema de RPG extremamente flexível e um combate que exigia respeito. Infelizmente, Code Vein 2 parece um projeto que se perdeu pelo caminho, agindo como se tivesse vergonha da própria identidade e tentando substituí-la por algo supostamente mais maduro, mas que no fim das contas se revela genérico e sem alma.

A arte do jogo é excelente, isso é inegável.

O pedigree do original dava aos fãs todo o direito de esperar uma sequência que lapidasse as arestas brutas do passado. Esperávamos que a Bandai Namco Studios pegasse aquela base sólida e a transformasse em um novo padrão para o gênero. No entanto, a surpresa ao dar o “play” é decepcionante. O que encontramos é um jogo visualmente mais pobre, estranhamente mais fácil e com uma nítida redução na densidade de conteúdo. Não parece uma evolução natural, mas sim um passo lateral que tropeçou no próprio cadarço.

Um dos melhores character creator de todos os tempos, sem exagero algum.

A maior ironia de Code Vein II reside no seu sistema de combate. No papel, ele é tecnicamente mais veloz e fluido, mas na prática a satisfação passou longe. No primeiro jogo, cada vitória contra um inimigo comum parecia o clímax de um episódio épico de anime, onde você sentia que tinha superado um obstáculo real. Agora, os desenvolvedores optaram por uma agressividade vazia. As animações são curtas e os cancelamentos de movimento são generosos demais, o que tira o peso estratégico da jogada. O resultado é um combate que parece uma dança frenética de luzes(pense em Kingdom Hearts), mas sem qualquer tensão ou senso de risco. Você golpeia sem sentir o impacto e se movimenta sem o medo de ser punido por um erro milimétrico.

Espada para Cloud nenhum botar defeito.

Para piorar essa dinâmica, o jogo caiu na armadilha da preguiça de design ao transformar os inimigos em verdadeiras esponjas de dano. Os monstros padrão aguentam uma quantidade absurda de pancada, o que não torna a luta mais difícil, apenas mais entediante. O sistema de equilíbrio e atordoamento está totalmente desregulado, forçando o jogador a apertar os mesmos botões repetitivamente até que a barra de fôlego se esvazie. Para os veteranos que amam o xadrez mental de um Souls clássico, essa simplificação é um golpe duro. O jogo flerta demais com o estilo casual, tentando agradar a todos e acabando por não satisfazer totalmente ninguém.

Infelizmente os visuais são bem abaixo do que se esperava.

O sistema de Blood Codes, que era o grande diferencial do primeiro título, aqui parece ter sido incluído apenas por obrigação. No antecessor, mudar sua build mudava completamente a forma como você encarava os desafios. Agora, as diferenças entre as classes são tão sutis que mal influenciam o ritmo da partida. Não importa se você quer ser um samurai pesado ou um assassino ágil, o ritmo do combate acaba sendo o mesmo. Além disso, a morte raramente parece ser culpa de uma decisão errada do jogador. Na maioria das vezes, você morre porque a tela virou uma confusão de efeitos visuais e partículas que impedem a leitura dos movimentos do inimigo, ou porque a câmera decidiu se perder atrás de um pilar.

Momentos de paz.

Os parceiros de inteligência artificial também são um ponto crítico de frustração. Eles retornaram com as mesmas falhas de antigamente, mas com novos problemas de balanceamento. Com um companheiro ativo, o jogo se torna fácil demais. Os chefes, que deveriam ser os pontos altos da jornada, tornam-se obstáculos banais que a IA resolve metade do trabalho para você. Por outro lado, se você decidir jogar sozinho para ter um desafio real, percebe que o mapa não foi desenhado para isso. Os inimigos são agressivos demais e atacam em janelas de tempo impossíveis de prever sem ajuda. O parceiro deixou de ser uma opção de estilo de jogo para se tornar uma muleta obrigatória.

No que diz respeito ao visual e performance no PlayStation 5, o cenário não melhora muito. É difícil acreditar que estamos diante de um jogo da atual geração. Em diversos momentos, a iluminação oscila de forma bizarra e as texturas de cenários abertos parecem ter sido herdadas de consoles de duas gerações atrás. Mesmo usando a Unreal Engine 5, o jogo sofre com o “pop-in” constante de objetos surgindo do nada no horizonte e uma falta geral de detalhes em mapas que são grandes, mas vazios. O design de níveis perdeu o ritmo coeso do primeiro jogo em favor de áreas maiores que não oferecem recompensas que valham o tempo de exploração.

Sobre a trilha sonora, eu achei que as músicas durante as lutas contra chefes e em algumas das sequências mais longas de “dungeons” estão boas, mas é estranhamente silencioso no mundo aberto e até mesmo na base MagMell durante boa parte do jogo. Sinceramente, achei que meu jogo estava com algum bug no começo… enfim, mais um bom trabalho de Go Shiina.

VEREDITO

No fim, Code Vein II é um jogo funcional, mas que carece daquela faísca de genialidade e ambição que colocou seu antecessor no mapa.

David Signorelli
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