SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS -
7 de janeiro de 2026
7
Um Prime diferente, para o bem e para o mal

Metroid Prime 4: Beyond não chega a ser um fracasso, mas também está longe de alcançar o nível dos melhores jogos da série. Ele acerta em alguns aspectos, especialmente na parte técnica e nas batalhas contra chefes, mas erra ao se afastar demais da essência que consagrou Metroid Prime. Para novos jogadores, pode funcionar como um ponto de entrada. Para fãs antigos, fica a sensação de que a ambição falou mais alto do que o cuidado com a identidade da franquia.

Metroid Prime 4: Beyond

Sou fã dos jogos first-party da Nintendo e, em especial, da série Metroid Prime. Por isso, Metroid Prime 4: Beyond sempre foi um dos jogos que mais acompanhei com expectativa. Ao mesmo tempo, a mudança de direção da Nintendo, com foco maior em liberdade e áreas abertas, já levantava dúvidas sobre como isso funcionaria dentro de uma franquia conhecida por exploração mais contida e atmosférica.

A confirmação de uma motocicleta e de uma grande área semiaberta reforçou esse receio. Após finalizar o jogo, fica claro que Metroid Prime 4 tenta fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mas não consegue equilibrar todas elas. Há ideias interessantes, mas também excesso, escolhas narrativas estranhas e uma progressão que não empolga tanto quanto deveria.

Ah, vale lembrar que o jogo está totalmente em pt-BR, ponto pra Big N!


História e personagens

A história acompanha Samus Aran em uma missão no planeta Viewros, agora atuando ao lado da Federação Galáctica. Durante a jornada, ela conhece a raça Lamorn, que lhe concede novas habilidades psíquicas, e reencontra Sylux, antigo rival que retorna como uma ameaça constante e bem construída.

Alguns cenários como esse do comecinho do jogo são deslumbrantes.

Samus permanece fiel à sua identidade. Ela continua sendo uma caçadora experiente, silenciosa e imponente. O problema está no elenco secundário. Os soldados da Federação têm pouco carisma, diálogos fracos e acabam quebrando a atmosfera de isolamento que sempre definiu a série.

Sensação de escala surpreende em certos momentos.

O uso excessivo de comunicação por rádio reforça esse problema. Diferente de Metroid Prime 3, que soube equilibrar narrativa e clima, Prime 4 exagera nas falas e no tom explicativo. Isso fica ainda mais evidente na parte final do jogo, que perde ritmo e se torna cansativa.


Gameplay e exploração

No gameplay, Metroid Prime 4 entrega uma experiência inconsistente. Em seus melhores momentos, o jogo resgata a sensação clássica de descoberta da trilogia original. Explorar ambientes, escanear cenários, encontrar upgrades e enfrentar inimigos variados ainda funciona muito bem. As batalhas contra chefes são o grande destaque. Mesmo simples, elas exigem o uso inteligente do arsenal de Samus e acompanham bem a evolução do jogador ao longo da campanha.

Esse deserto podia ter sido mais bem implementado.

Por outro lado, a enorme área desértica é o ponto mais fraco do jogo. Apesar do tamanho, o mapa é vazio, repetitivo e pouco memorável. A motocicleta até tem uma boa sensação de controle, mas é pouco explorada. Ela serve basicamente para atravessar longas distâncias, sem desafios ou mecânicas realmente criativas.

Que frio!

A principal atividade nessa região é a coleta de cristais verdes para troca no Altar of Legacy. Embora as recompensas sejam úteis, o processo rapidamente se torna repetitivo e pouco envolvente. As novas habilidades psíquicas trazem variedade, mas os puzzles raramente desafiam o jogador. O jogo é bastante linear e parece evitar soluções mais complexas, o que reduz o impacto da exploração e da progressão.


Gráficos, som e desempenho

Tecnicamente, Metroid Prime 4 é um jogo muito bem acabado. A trilha sonora é um dos pontos mais altos da experiência, com músicas atmosféricas e marcantes. Os gráficos representam um avanço em relação aos títulos anteriores, com bons ambientes e modelos de personagens.

Depois do frio intenso, ambientes quentes como esse fazem parte da jornada.

No Switch 2, o desempenho é estável e consistente(120fps é uma delícia). Os diferentes esquemas de controle funcionam muito bem, seja com Joy-Cons separados, giroscópio ou mouse, mostrando um cuidado técnico que merece destaque.


Veredito

Metroid Prime 4: Beyond não chega a ser um fracasso, mas também está longe de alcançar o nível dos melhores jogos da série. Ele acerta em alguns aspectos, especialmente na parte técnica e nas batalhas contra chefes, mas erra ao se afastar demais da essência que consagrou Metroid Prime. Para novos jogadores, pode funcionar como um ponto de entrada. Para fãs antigos, fica a sensação de que a ambição falou mais alto do que o cuidado com a identidade da franquia.

David Signorelli
Últimos posts por David Signorelli (exibir todos)

Posts Relacionados

Sniper Elite 5

É inegável que a franquia Sniper Elite criou um enorme sucesso e, atualmente, possui uma boa legião de fãs. Desde…

LUNAR Remastered Collection

Confesso que já havia perdido as esperanças que pudesse ver novamente Lunar nos dias de hoje, até que em Setembro…

Nikoderiko: The Magical World

Estou surpreso em dizer que Nikoderiko: The Magical World é o primeiro jogo da desenvolvedora Vea Games, sediada no Chipre.…

TOP