SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS -
25 de março de 2026
9
Uma maneira totalmente nova de curtir Pokémon.

Pokémon Pokopia explodiu todas as barreiras do que eu esperava de um spin-off. É o tipo de jogo que, mesmo se você ligar o console só para conferir uma construção por cinco minutos, acaba te sugando por horas. Quando você olha no relógio, já se foi meia hora e você ainda está lá, hipnotizado, decorando sua ilha ou caçando artefatos. É uma experiência que tem algo a oferecer para todo tipo de fã, dos colecionistas aos arquitetos de plantão.

Pokémon Pokopia

O ano de 2026 está sendo um verdadeiro rolo compressor para quem já garantiu o Switch 2. A biblioteca do novo console da Big N está ficando simplesmente absurda, com um suporte de first e third-parties que dá gosto de ver. Vou mandar a real para vocês: nos últimos meses, o sucessor do Switch virou minha sombra. É gratificante ver tantos títulos de peso rodando liso em uma máquina que a gente joga no busão ou na fila do pão.

Quando Pokémon Pokopia deu as caras pela primeira vez nos anúncios, confesso que não senti aquele “hype” imediato. Parecia só mais um spin-off experimental. Só que o bicho pegou conforme os trailers novos iam saindo; a curiosidade bateu forte. Para completar, comecei a ver metade da minha lista de amigos mergulhada no game e as notícias de que o título estava esgotado em tudo que é loja física. Como a próxima aventura da linha principal da franquia só dá as caras ano que vem, decidi que era hora de parar de enrolar e descobrir o que, afinal de contas, torna esse jogo tão apaixonante para tanta gente.

O mistério do mundo sem humanos

A nossa história em Pokémon Pokopia começa com um protagonista inusitado: um Ditto solitário que desperta e descobre que não consegue encontrar seu Treinador em lugar nenhum. No meio dessa confusão, ele tromba com um Tangrowth de coloração única que se apresenta como Professor Tangrowth. É aí que o balde de água fria vem: o mundo que conhecíamos agora está completamente deserto de seres humanos… e, estranhamente, de outros Pokémon também.

Aqui os Pokémons falam… em inglês, mas falam.

Mas o nosso herói gelatinoso tem um truque na manga. Esse Ditto consegue se transformar em uma forma que lembra um ser humano. Se você é da velha guarda e lembra daquele episódio clássico do anime onde o Ditto não conseguia reproduzir os rostos direito (ficando com aqueles olhinhos de pontinho), a vibe é exatamente essa! No entanto, essa habilidade de mimetismo vai além do visual; ele consegue copiar movimentos de outros Pokémon de uma maneira que ajuda a reconstruir o ecossistema.

Todo fã da série que se preza sabe que os 3 iniciais de Kanto são os melhores.

Isso nos joga direto no loop de jogabilidade, que é a alma do negócio. O sistema é de uma simplicidade que assusta, mas a profundidade que ele alcança é coisa de louco. Seu objetivo principal aqui é elevar o chamado Nível Ambiental, e existem mil e uma maneiras de fazer isso. Dentro do seu Pokédex, você tem uma aba chamada Habitat Dex. Ali, o jogo te dá várias dicas de cenários através de fotos e descrições. O desafio é: você precisa decorar e configurar o terreno para que ele fique o mais parecido possível com aquela imagem. Depois de montar tudo, é só segurar a ansiedade por uns minutinhos e pronto: um Pokémon vai aparecer para se estabelecer naquele local.

Só que a vida de “síndico de Pokémon” não para por aí. Não basta o monstrinho chegar; você precisa mantê-lo feliz. Vira e mexe eles vão pedir mudanças no habitat: pode ser um brinquedo específico, uma caminha nova ou até pedir para você mudar o habitat de lugar. Conforme você atende esses mimos e personaliza cada canto, o Nível Ambiental daquela área sobe. E vale notar que eu disse “daquela área”, porque o mapa é dividido em setores. Conforme você limpa as missões principais, portões são abertos e você ganha acesso a biomas totalmente diferentes.

Parece Animal Crossing, mas todo jogo que tenha um Psyduck é automaticamente superior.

O que mais me prendeu, por incrível que pareça, foi colecionar documentos escritos por humanos que estão espalhados pelos quatro cantos do mapa. O jogo não joga a história na sua cara por meio de cutscenes infinitas, mas esses papéis estão cheios de pistas sobre o que aconteceu com a civilização. Comecei a criar teorias mirabolantes e cada novo documento achado era motivo de comemoração. Buscar soluções criativas para os puzzles das quests me manteve vidrado na tela por horas a fio.

No tempo do relógio (e da paciência!)

Um dos pontos que mais dividiu opiniões, mas que eu achei genial, é que o tempo em Pokémon Pokopia corre de acordo com o relógio da vida real. Isso muda toda a dinâmica. Se você decidir restaurar uma estrutura em ruínas ou construir uma casa nova, o game vai te avisar: “Volte daqui a algumas horas” ou, na maioria das vezes, “Isso ficará pronto amanhã”. Existem até eventos especiais que só rolam em datas específicas do calendário.

Vai demorar, mas logo você terá construído seu primeiro centro Pokémon.

Bateu a ansiedade? Bom, para quem gosta de dar aquele “jeitinho”, o jogo não pune quem usa o truque clássico de alterar o relógio interno do Switch. Porém, se você me perguntar, eu diria que essa não é a forma que os desenvolvedores planejaram para você curtir a experiência. Pokopia é, na essência, um jogo para relaxar depois de um dia pesado de trabalho. Eu garanto que você sempre vai achar algo para te prender, seja avançando na trama principal ou apenas observando a vida passar no seu habitat, mesmo que você resolva jogar de madrugada.

Mas nem tudo são Berries doces. Tive uns pequenos “ranços” durante a jogatina. Gerenciar os itens estocados, por exemplo, vira um pesadelo conforme você libera mais áreas. Se você não tiver um caderninho físico ou um bloco de notas à mão para anotar onde guardou o quê, vai se perder. Dá para pintar as caixas de armazenamento e criar um código de cores para ajudar, mas ainda assim, é um sistema que exige disciplina. Nesse ponto, admito que a culpa é mais da minha falta de organização do que do design do jogo em si.

Outro detalhe é a própria Habitat Dex. Algumas fotos e dicas são vagas até demais. O habitat “Rain Dance”, por exemplo, não explica de forma clara que as bonecas precisam estar posicionadas em uma parede totalmente plana. Outros cenários de grama alta aceitam várias combinações, o que pode confundir. Com o tempo você pega o jeito e o botão X serve para conferir a lista de itens obrigatórios, mas eu realmente queria que as imagens de exemplo fossem mais nítidas para evitar o “tentativa e erro”.

Galera reunida e o tal do GameShare

No multiplayer, Pokémon Pokopia mostra a que veio. Você pode visitar o mundo dos seus amigos via conexão local ou online (usando os famosos Link Codes). Mas fica o aviso de amigo: se você entrar no mapa de alguém que já zerou o jogo ou está muito à frente na história, o game vai te dar um alerta de spoiler, já que você pode acabar nascendo em um bioma que ainda não liberou no seu save. O mais legal é que os Pokémon e habitats que você encontrar no mundo do seu amigo são registrados no seu Pokédex. É uma mão na roda, mas confesso que descobri coisas que queria ter visto sozinho primeiro, então sigam o aviso do jogo!

Pokopia não é top gráficos, mas pode ser bem bonito dependendo do ângulo.

Se você quer botar a mão na massa com a galera, existem dois modos distintos. O primeiro é a Cloud Island, que é gerada aleatoriamente. Você não pode levar os itens de volta para o seu mundo, mas ela é um “playground” perfeito, com seu próprio Nível Ambiental e Pokémon exclusivos. Precisa de internet o tempo todo, mas é o melhor jeito de construir com os amigos sem medo de bagunçar o seu progresso individual.

O segundo método envolve o Palette Town, outra ilha aleatória onde você pode usar o recurso de GameShare com até três jogadores. Aqui, apenas o host (quem criou a sala) tem acesso ao Pokédex e à Habitat Dex, o que dá uma limitada na autonomia dos convidados. Mas, tirando esse detalhe, a diversão é total: você pode construir, destruir e decorar à vontade. É um dos raros casos onde o GameShare faz todo o sentido do mundo e funciona de forma orgânica.

Veredito

Pokémon Pokopia explodiu todas as barreiras do que eu esperava de um spin-off. É o tipo de jogo que, mesmo se você ligar o console só para conferir uma construção por cinco minutos, acaba te sugando por horas. Quando você olha no relógio, já se foi meia hora e você ainda está lá, hipnotizado, decorando sua ilha ou caçando artefatos. É uma experiência que tem algo a oferecer para todo tipo de fã, dos colecionistas aos arquitetos de plantão.

Atenção: Este review foi realizado com uma cópia cedida gentilmente pela Nintendo para o Switch 2.

David Signorelli

Posts Relacionados

New Super Mario Bros. U Deluxe

Quando se trata de desenvolvimento de videogame, há algo a ser dito sobre “acertar da primeira vez”. A primeira versão…

Análise – Donkey Kong Country Tropical Freeze

O anúncio de Donkey Kong Country: Tropical Freeze para o Nintendo Wii U durante a última E3 deixou muitos jogadores…

Pokémon Legends: Z-A

Quando anunciaram Pokémon Legends: Z-A, bateu aquela mesma curiosidade de sempre. Afinal, o que faz um jogo ser “Legends” de…

TOP