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28 de outubro de 2026
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Uma viagem de mil milhas começa com um único corte de cabelo

Não é a versão tecnicamente mais impressionante de Dragon's Dogma 2, mas é uma excelente maneira de conhecer esse universo, especialmente para quem valoriza a possibilidade de levar uma aventura gigantesca para qualquer lugar.

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen (Switch 2) | Vale a pena?

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen chega ao Nintendo Switch 2 reunindo o jogo original e uma expansão considerável, oferecendo uma das experiências de RPG de ação mais interessantes da atualidade. Com combates excelentes, um mundo que recompensa a curiosidade e um sistema de companheiros praticamente único, a Capcom entrega uma adaptação ambiciosa que, apesar de algumas limitações técnicas, preserva aquilo que torna a franquia tão especial.

Existem RPGs que fazem questão de mostrar exatamente para onde devemos ir, o que precisamos fazer e quais inimigos podemos enfrentar. Dragon’s Dogma 2 definitivamente não pertence a esse grupo. Lançado originalmente em 2024, o título da Capcom apresenta um mundo de fantasia medieval onde praticamente qualquer viagem pode terminar em uma situação completamente inesperada. Podemos sair de uma cidade com a simples intenção de completar uma missão secundária e acabar enfrentando um ciclope no meio da estrada, encontrando uma caverna escondida ou precisando fugir desesperadamente de alguma criatura muito mais poderosa do que nosso grupo. Essa imprevisibilidade é uma das maiores qualidades da franquia, embora também seja responsável por algumas de suas maiores frustrações. Agora, com a chegada de Dark Arisen ao Nintendo Switch 2, temos a oportunidade de conhecer essa aventura em uma versão que incorpora diversas melhorias implementadas desde o lançamento original e ainda acrescenta uma quantidade generosa de conteúdo inédito.

Um mundo que não gira ao nosso redor

A história acompanha o Arisen, um indivíduo escolhido por um dragão e envolvido em uma disputa pelo trono de Vermund. Embora a premissa seja interessante, especialmente pelos mistérios envolvendo a identidade do protagonista e o próprio funcionamento daquele universo, a narrativa nunca foi exatamente o ponto mais forte de Dragon’s Dogma 2. Alguns personagens poderiam ter recebido maior desenvolvimento, certas missões terminam de maneira pouco satisfatória e a progressão da campanha pode parecer estranha para quem está acostumado com RPGs mais tradicionais. Entretanto, tudo isso acaba ficando em segundo plano quando começamos a explorar o mundo. A ausência de uma orientação excessiva, as mudanças provocadas pelo ciclo de dia e noite e a necessidade de administrar recursos durante expedições longas criam uma sensação de aventura bastante particular. Nem sempre o jogo respeita nosso tempo, especialmente quando precisamos atravessar regiões já conhecidas, mas existe algo extremamente interessante em uma experiência que permite ao jogador descobrir seu próprio caminho em vez de simplesmente seguir uma sequência interminável de marcadores.

Jogar de mago continua sendo uma experiência diferenciada.

Boa parte dessa identidade vem do excelente sistema de peões, companheiros controlados pela inteligência artificial que acompanham o protagonista durante praticamente toda a jornada. Além de criar nosso próprio peão principal, podemos recrutar outros dois personagens, inclusive aqueles desenvolvidos por jogadores de diferentes partes do mundo. O resultado é um grupo de quatro aventureiros que não apenas participa dos combates, mas também oferece informações, identifica perigos e ajuda durante a exploração. É um sistema fascinante justamente porque os companheiros parecem participar ativamente da aventura, mesmo quando suas decisões estão longe de ser inteligentes. Os comentários repetitivos e algumas atitudes questionáveis podem incomodar, mas poucas franquias conseguiram desenvolver algo semelhante. Quando combinamos tudo isso com as dez vocações disponíveis, que oferecem estilos de combate realmente diferentes, encontramos um dos sistemas mais interessantes do gênero.

Combates espetaculares e uma expansão de respeito

Se existe algo que Dragon’s Dogma 2 faz particularmente bem, é o combate. A experiência mistura elementos tradicionais de RPG com a intensidade dos jogos de ação da Capcom, oferecendo confrontos que valorizam posicionamento, utilização de habilidades e trabalho em equipe. Enfrentar criaturas gigantescas continua sendo um espetáculo, especialmente pela possibilidade de escalar seus corpos, atingir pontos vulneráveis e aproveitar as características de cada vocação. Guerreiros, ladrões, arqueiros e magos oferecem abordagens distintas, enquanto as especializações mais avançadas ampliam consideravelmente as possibilidades. O resultado é um sistema que consegue permanecer interessante durante dezenas de horas, mesmo que alguns confrontos acabem se tornando repetitivos. A câmera também pode atrapalhar em situações mais movimentadas, mas são problemas relativamente pequenos diante da qualidade geral das batalhas.

Use e abuse do Photo Mode!

A expansão Dark Arisen procura aproveitar justamente essas qualidades. A principal novidade é Norgan, uma região congelada localizada ao norte, onde acompanhamos a misteriosa Eir em uma investigação envolvendo o chamado Dragão Caído. Além das novas histórias e criaturas, a região introduz um sistema de avaliação de relíquias que permite obter equipamentos e recursos poderosos. Também foram acrescentados os Rituais Perdidos, um conjunto de doze masmorras espalhadas pelo mundo original que oferecem desafios adicionais e recompensas especiais. Não estamos diante de uma reformulação completa da experiência, mas de uma expansão que amplia o conteúdo de maneira significativa, principalmente para quem gosta de explorar, desenvolver personagens e enfrentar inimigos cada vez mais perigosos. As novas opções de personalização, incluindo penteados e tatuagens, complementam um pacote que já era bastante generoso em sua versão original.

E como fica no Nintendo Switch 2?

Transportar Dragon’s Dogma 2 para o console da Nintendo não era exatamente uma tarefa simples. Afinal, estamos falando de um título que enfrentou problemas consideráveis de desempenho até mesmo no PlayStation 5 e em computadores poderosos quando chegou ao mercado. A Capcom precisou realizar uma série de otimizações, e o resultado é uma adaptação surpreendentemente competente, ainda que distante da apresentação visual encontrada nas plataformas mais poderosas. A versão de Switch 2 apresenta reduções na resolução interna, na qualidade de determinados elementos do cenário e na densidade da vegetação, especialmente no modo portátil. Mesmo assim, a direção artística consegue preservar boa parte da atmosfera original, e a possibilidade de explorar um mundo dessa dimensão em um aparelho portátil é um atrativo considerável.

A exploração continua sendo um dos grandes atrativos de Dragon’s Dogma 2, agora com a possibilidade de percorrer seu vasto mundo no Nintendo Switch 2.

O jogo oferece opções para limitar a taxa de quadros a 30 fps ou utilizar uma configuração variável, além de contar com geração de quadros por meio do FSR 3. Esse último recurso pode proporcionar uma sensação maior de fluidez, mas também introduzir artefatos visuais e inconsistências na imagem, dependendo da situação. Os tempos de carregamento, especialmente nas transições envolvendo os peões, também são mais longos do que nas versões para consoles mais poderosos. Portanto, embora o resultado seja positivo considerando as exigências do jogo, não estamos diante de uma conversão tecnicamente perfeita. Existe um equilíbrio bastante evidente entre qualidade visual e desempenho, e jogadores mais sensíveis às oscilações na fluidez certamente perceberão essas concessões.

Os confrontos contra criaturas gigantescas permanecem entre os momentos mais espetaculares do RPG da Capcom, exigindo estratégia e cooperação entre o Arisen e seus companheiros.

Outro aspecto importante é que Dark Arisen se beneficia das atualizações realizadas pela Capcom ao longo dos últimos meses. Melhorias na movimentação, ajustes de desempenho, novas opções de salvamento e facilidades relacionadas à viagem rápida ajudam a tornar a experiência menos inconveniente do que era originalmente. Algumas dessas mudanças podem desagradar quem apreciava justamente as dificuldades impostas pela franquia, mas considero bastante razoável oferecer alternativas para quem deseja explorar esse universo sem precisar repetir determinados trajetos inúmeras vezes. É uma maneira de tornar Dragon’s Dogma 2 mais acessível sem transformar completamente sua identidade.

Veredito

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen continua sendo um RPG com personalidade de sobra, capaz de proporcionar experiências que dificilmente encontramos em outros representantes do gênero. A narrativa irregular, as inconveniências durante a exploração e algumas limitações técnicas da versão para Switch 2 impedem que o resultado seja impecável, mas o excelente sistema de combate, os peões e a liberdade oferecida ao jogador compensam boa parte desses problemas. A expansão acrescenta conteúdo relevante, enquanto as atualizações tornam a aventura mais agradável do que em seu lançamento original. A Capcom conseguiu adaptar um de seus projetos mais ambiciosos para o console da Nintendo sem comprometer aquilo que realmente importa. Não é a versão tecnicamente mais impressionante de Dragon’s Dogma 2, mas é uma excelente maneira de conhecer esse universo, especialmente para quem valoriza a possibilidade de levar uma aventura gigantesca para qualquer lugar.

David Signorelli

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