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8 de janeiro de 2026
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Um novo horizonte para Zemuria — e o ponto mais alto da história de Trails

A transição da série para essa nova fase começou de forma instável com Trails through Daybreak, passou por ajustes em sua sequência, e finalmente atinge a maturidade plena em Trails Beyond the Horizon. Não encontramos qualquer problema técnico na versão de PS5, e as melhorias de qualidade de vida são abundantes: modo de alta velocidade, pulo de animações, avisos claros de ponto sem retorno e até detalhes sutis como a posição dos nomes dos NPCs nos diálogos. Mesmo com o final em aberto, é impossível não sair dessa jornada impressionado.

The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon

Mal dá pra acreditar que finalmente o Ocidente alcançou o Japão nos lançamentos da série Trails. Estamos vivendo uma era realmente única para os fãs da franquia. The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon é o décimo-terceiro jogo da série e, sem qualquer exagero, representa o auge absoluto da Falcom como desenvolvedora. É o melhor jogo que a empresa já produziu, superando inclusive o excelente Trails in the Sky 1st Chapter, remake lançado em 2025 que até então parecia inalcançável dentro da própria série.

Um mundo à beira do espaço

Trails Beyond the Horizon se passa apenas três meses após o final de Trails through Daybreak II. Nesse curto intervalo, o presidente Roy Gramheart anuncia publicamente o ambicioso programa espacial de Calvard. Um primeiro voo de testes, que colocou um satélite em órbita, já foi realizado com sucesso, e logo no início do jogo testemunhamos outro marco: o êxito do segundo lançamento experimental.

Van, Agnès e seu dog dando uma charlada em Riverside durante um Connect Event.

A história se desenrola ao longo de um período relativamente curto, os dias que antecedem o primeiro voo espacial tripulado da humanidade. Toda a nação de Calvard está tomada por um entusiasmo enorme diante desse feito histórico. É um cenário extremamente raro em videogames: lojas vendem produtos temáticos sobre espaço e foguetes, transmissões de TV exibem astronautas promovendo smartphones, e a sensação de que o mundo está prestes a mudar paira constantemente no ar.

Emilia é uma das protagonistas desse jogo, ela é demais.

Mas, como é típico da série Trails, nada é tão simples quanto parece.

Por trás do brilho e da euforia, o programa espacial apresenta motivações suspeitas e elementos pouco claros. Pessoas marginalizadas começam a desaparecer misteriosamente, e Kevin Graham surge em Calvard como representante da Igreja Septiana para investigar algo que, inicialmente, permanece envolto em segredo.


Três protagonistas, três caminhos

Um dos grandes destaques de Trails Beyond the Horizon é o retorno do sistema de múltiplas rotas, introduzido em Trails into Reverie e reaproveitado em Trails through Daybreak II. Aqui, ele atinge sua forma mais refinada.

O jogo apresenta três protagonistas distintos, cada um com sua própria rota narrativa, que não se cruzam diretamente:

  • Van Arkride, acompanhado de seu grupo habitual
  • Rean Schwarzer, protagonista da saga Cold Steel, ao lado de Altina, Fie e Crow (com Towa atuando como personagem de suporte fora do combate)
  • Kevin Graham, protagonista de Trails in the Sky the 3rd, que finalmente retorna como personagem jogável pela primeira vez desde 2007

Kevin é acompanhado por Rufus, Swin, Nadia e Lapis, contratados como mercenários para um trabalho específico. Assim como Towa, Lapis atua apenas como suporte fora das batalhas. A ausência de Ries Argent, parceira clássica de Kevin, é explicada por motivos narrativos relevantes abordados ao longo da história.

Saudades da Class VII?

Embora as equipes de Rean e Kevin sejam mais fixas devido ao número reduzido de membros, todas as rotas contam ocasionalmente com personagens convidados, alguns totalmente jogáveis, outros atuando como um quinto membro controlado pela IA.


Exploração e Grim Garten

Enquanto Kevin e Rean visitam cidades apresentadas em Trails through Daybreak que não apareceram na sequência, Van passa a maior parte do tempo em Edith, mas também visita uma nova localidade: Anchorville, mencionada anteriormente em Cold Steel e terra natal de Judith.

Explorar Edith durante a noite também é muito divertido.

O conteúdo opcional também retorna com força total. O dungeon secundário Märchen Garten, presente em Trails through Daybreak II, volta reformulado e agora sob domínio da Ouroboros, sendo renomeado para Grim Garten. Inicialmente, os personagens exploram áreas separadas do Garten, mas eventualmente se encontram, permitindo que o jogador misture membros das três rotas livremente, um prato cheio para fãs antigos.

Save the Date.

Diferente do jogo anterior, não há conteúdo pós-game no Garten: tudo deve ser concluído antes do confronto final. Sua estrutura foi simplificada, funcionando como um tabuleiro onde o jogador escolhe caminhos e só entra em pequenos andares de dungeon quando cai em espaços específico, sendo possível completar áreas inteiras com pouquíssimos combates. As recompensas são generosas ao extremo. É fácil encontrar Poms que dropam quantidades absurdas de dinheiro e sepith, garantindo que o jogador nunca se sinta limitado por recursos.

Você irá se impressionar com o conteúdo do Grim Garten.

Grande parte das recompensas do Grim Garten vem por meio de um sistema de gacha interno, usando uma moeda obtida exclusivamente no jogo. Itens como trajes e músicas são exclusivos desse sistema, o que pode frustrar jogadores completionistas, mesmo após limpar todo o Garten, este reviewer precisou grindar por várias horas adicionais para obter os últimos cosméticos restantes. Ainda assim, vale destacar que não há qualquer monetização real envolvida, e o sistema existe apenas como mecânica interna.


Combate refinado ao extremo

O sistema de combate permanece familiar, mas com melhorias substanciais. As Field Battles agora contam com o sistema de Awakening, que permite ativar formas poderosas ao encher um medidor quebrando objetos no cenário, e esse estado se mantém ao entrar em batalhas por turno(Command Battles).

O sistema de batalha continua viciante.

Já as Command Battles recebem o sistema BLTZ, onde personagens de suporte, inclusive alguns não jogáveis, como Lapis e Towa, intervêm com ataques extras ou buffs especiais. O sistema ZOC também entra em cena, desacelerando inimigos nas Field Battles ou concedendo turnos extras nas AT Battles, ao custo de recursos específicos.

O S-Craft de Rean é um dos mais legais de toda a franquia.

EX Chains foram reequilibradas, tornando-se menos dominantes, enquanto S-Crafts retornam ao custo de uma barra de Boost, mantendo os cooldowns de Trails through Daybreak II. O resultado é um combate muito mais balanceado, ainda que jogadores experientes consigam montar builds absurdamente poderosas, como manda a tradição da série.


Menos minigames, mais foco

O número de minigames foi drasticamente reduzido em relação ao jogo anterior. Pesca e hacking aparecem com mais frequência, enquanto sequências com drones surgem de forma pontual. As perseguições retornam, mas são raras e muito melhor implementadas. Já o infame jogo de cartas Seventh Hearts foi completamente removido, sem substituto. Blackjack e pôquer(bleh, dispenso) aparecem apenas em cassinos opcionais. Aqui, Trails Beyond the Horizon acerta em cheio: minigames suficientes para variar o ritmo, sem nunca se tornarem um fardo.

Quanto brilho!

O sistema de scan, introduzido anteriormente, também foi ajustado. Agora, pontos de interesse possuem iluminação diferenciada no cenário, tornando o uso do scan opcional e não uma obrigação constante.


Narrativa, escolhas e eventos de conexão

O sistema de alinhamento L.G.C. continua existindo, mas ainda parece redundante e impossível de completar em uma única jogada. Ao menos, ele se limita a desbloquear itens, sem travar eventos importantes, como no primeiro Trails through Daybreak.

Fie e Feri curtindo um visu.

Os Connect Events retornam em peso, disponíveis em praticamente todas as cidades e para todas as rotas. A grande novidade é a possibilidade de assistir eventos perdidos através de consumíveis obtidos no Grim Garten, permitindo ver 100% dos eventos em uma única jogada, algo que os fãs pediam há anos.


Uma história ousada

Narrativamente, Trails Beyond the Horizon certamente dividirá opiniões. A história é propositalmente incompleta, levanta mais perguntas do que respostas e termina no maior cliffhanger da série desde Trails of Cold Steel III. Isso não é um defeito, mas uma escolha ousada. Diferente de Trails through Daybreak II, este jogo avança de forma clara o arco geral da série e estabelece um ponto de virada definitivo para o futuro de Zemuria.

As side-quests são extremamente bem elaboradas, não deixe de lado!

Há alguns problemas de ritmo no início(aquele banquete no começo…), especialmente na primeira rota de Van, que pode facilmente ultrapassar 15 horas em uma jogada, mas o elenco forte e o peso dos acontecimentos compensam.

Mesmo assim, o jogo mantém a tradição da franquia: uma campanha que passa tranquilamente das 100 horas, especialmente para quem busca explorar tudo, completar o Grim Garten e absorver cada detalhe desse mundo riquíssimo.


Veredito

A transição da série para essa nova fase começou de forma instável com Trails through Daybreak, passou por ajustes em sua sequência, e finalmente atinge a maturidade plena em Trails Beyond the Horizon. Não encontramos qualquer problema técnico na versão de PS5, e as melhorias de qualidade de vida são abundantes: modo de alta velocidade, pulo de animações, avisos claros de ponto sem retorno e até detalhes sutis como a posição dos nomes dos NPCs nos diálogos. Mesmo com o final em aberto, é impossível não sair dessa jornada impressionado.

David Signorelli
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