SIGA-NOS EM NOSSAS REDES SOCIAIS -
6 de novembro de 2026
9
Aloha na estrada, internet no retrovisor

The Crew Motorfest não perdeu o que o tornou especial em 2023. O Havaí continua convidativo, a dirigibilidade arcade diverte sem exigir grandes formalidades e a estrutura por Playlists ainda é uma maneira excelente de celebrar várias facetas da cultura dos carros. Depois de onze temporadas, há muito mais motivos para permanecer nesse universo, seja pelas novas ilhas, pelos modos adicionais ou pela quantidade enorme de veículos e desafios disponíveis.

The Crew Motorfest(Switch 2) | Vale a pena?

Há jogos que encontram seu melhor caminho quando deixam de tentar ser maiores do que todos os concorrentes. The Crew Motorfest é um deles. Depois de dois episódios que apostavam no tamanho quase absurdo de seus mapas, a Ubisoft Ivory Tower trocou as longas viagens pelos Estados Unidos por uma celebração da cultura automobilística no Havaí. A mudança deu resultado: desde a estreia em 2023, Motorfest se consolidou como o capítulo mais interessante da franquia, graças a um mundo aberto mais convidativo, uma direção arcade agradável e, principalmente, às excelentes Playlists que organizam as corridas em pequenos programas temáticos.

Três anos e onze temporadas depois, o festival desembarca no Nintendo Switch 2 com um desafio diferente: acomodar toda essa estrutura em um console híbrido sem perder a personalidade. A boa notícia é que a adaptação convence. A má notícia é que a decisão mais antipática do jogo original também pegou carona — e no portátil ela consegue irritar ainda mais.

O Havaí continua sendo um ótimo lugar para acelerar

Se a proposta lembra imediatamente a série Forza Horizon, isso não chega a ser um segredo ou um problema. O objetivo aqui é colocar o jogador diante de um imenso parque de diversões automotivo, repleto de estradas, desafios e oportunidades para experimentar máquinas diferentes. Motorfest encontra sua própria identidade ao dar menos importância a uma campanha tradicional e mais espaço às Playlists: sequências de eventos organizados em torno de marcas, estilos de pilotagem, períodos históricos e subculturas do universo dos carros.

Uma Playlist pode ser uma homenagem aos esportivos japoneses; outra apresenta a história de uma fabricante ou propõe disputas sobre terrenos bem diferentes. Essa abordagem dá sentido à coleção de veículos e permite que uma mesma ilha assuma várias personalidades. Honolulu, as praias, as serras e as estradas em meio à vegetação aparecem sob perspectivas diferentes conforme o evento. É uma forma inteligente de fazer o mundo parecer maior do que os quilômetros efetivos que ele ocupa.

The Crew Motorfest Nintendo Switch 2 imagem oficial de gameplay divulgada pela Nintendo 1
Imagem oficial da versão de Nintendo Switch 2: a proposta continua sendo explorar um grande festival automobilístico no arquipélago havaiano.

A dirigibilidade continua essencialmente arcade, e é exatamente o que se espera de um jogo com essa proposta. Os carros são responsivos, os comandos são fáceis de assimilar e há espaço suficiente para aperfeiçoar curvas e trajetórias sem exigir a disciplina de um simulador. As motocicletas, os barcos e os aviões reforçam a variedade, mesmo que dirigir carros permaneça, de longe, a parte mais convincente da experiência. O prazer de simplesmente sair pela estrada, mudar de veículo e descobrir um desafio continua intacto.

Também não faltam distrações. Há atividades espalhadas pelo mapa, desafios de velocidade, competições online, provas que misturam categorias de veículos e eventos semanais. O outro lado dessa abundância é uma interface que nem sempre sabe ficar quieta: notificações, recompensas e chamadas para novas atividades surgem com frequência. Não chega a estragar a festa, mas em alguns momentos Motorfest parece ter medo de deixar o jogador aproveitar a paisagem em paz.

The Crew Motorfest Nintendo Switch 2 imagem oficial de gameplay divulgada pela Nintendo 2
A variedade de tipos de prova e veículos segue sendo um dos melhores argumentos a favor de Motorfest.

De 2023 a 2026: onze temporadas de novidades

Quem jogou Motorfest no PS5 em setembro de 2023 vai encontrar um jogo substancialmente maior hoje. A Ubisoft não se limitou a adicionar carros em pequenas atualizações: novas Playlists, regiões exploráveis, ferramentas e modos ajudaram a ampliar o festival. Em vez de transformar esta análise em uma enciclopédia de atualizações, vale relembrar o principal de cada fase.

Temporadas 1 a 4: a primeira apresentou a base do festival e passeou por culturas automobilísticas americanas, japonesas e europeias; a segunda trouxe a parceria com a Hoonigan e a paixão pela Gymkhana; a terceira apostou nas acrobacias de cinema e na atmosfera de Hollywood; e a quarta celebrou as extravagâncias visuais de donks, lowriders e preparações de rua. Foram expansões que reforçaram a ideia de que cada Playlist deveria contar uma história diferente sobre carros.

Temporadas 5 a 8: a quinta representou um salto importante com a inclusão gratuita de Maui, além da chegada das perseguições do Chase Squad como conteúdo específico. A sexta apostou na Red Bull e em desafios de velocidade; a sétima destacou os fabricantes de luxo europeus; e a oitava trouxe novas experiências de corridas de rua, com atenção especial à tradição da BMW Motorsport e à personalização.

The Crew Motorfest Season 5 Maui poster oficial Ubisoft
A Temporada 5 expandiu gratuitamente o mapa com a ilha de Maui, uma das maiores novidades da vida útil do jogo. Arte oficial da Ubisoft.

Temporadas 9 e 10: em 2026, o jogo recebeu conteúdo inspirado na NASCAR, os carrinhos de controle remoto e a ferramenta TrackForge para criar e compartilhar pistas. Depois, a décima temporada adicionou novas histórias, segredos, propostas de Playlist e o Hawaii Grand Tour. O festival passou a oferecer opções que vão muito além de completar uma corrida convencional e comprar outro automóvel.

The Crew Motorfest arte promocional oficial temporada 9
NASCAR, carrinhos de controle remoto e TrackForge ajudaram a diversificar o festival na Temporada 9. Arte oficial da Ubisoft.

A Temporada 11: Expedições, lançada em outubro de 2026, acompanha a estreia do jogo no Switch 2 e talvez seja a melhor demonstração de como Motorfest cresceu. A ilha de Kauai foi adicionada gratuitamente, com exploração off-road, novas estradas, animais para fotografar e o recurso de guincho em veículos selecionados. O evento ainda recebeu uma colaboração com Tomb Raider, que leva os jogadores a uma aventura ambientada em Ni’ihau. Vale a distinção: a ilha de Kauai e sua Playlist fazem parte da atualização gratuita, mas a experiência de Tomb Raider é conteúdo pago à parte. A temporada também inclui novidades como o Bugatti Tourbillon e mais ferramentas para pistas de terra.

The Crew Motorfest Season 11 imagem oficial Kauai
Kauai é a grande novidade gratuita da Temporada 11, que amplia as possibilidades de exploração fora do asfalto. Imagem oficial da Ubisoft.

Somadas, essas novidades fazem do Motorfest atual uma experiência muito mais recheada do que aquela que recebeu nossas primeiras impressões em 2023. Isso não significa, porém, que todo pacote adicional seja gratuito ou venha necessariamente incluído na edição básica: quem quiser colecionar todo o conteúdo premium precisa prestar atenção aos passes anuais e aos DLCs vendidos separadamente.

The Crew Motorfest Tomb Raider Secrets of Niihau imagem promocional oficial
A colaboração com Tomb Raider acrescenta uma aventura própria em Ni’ihau, disponível por DLC pago. Imagem oficial da Ubisoft.

O Switch 2 aguenta o tranco?

A resposta curta é sim. A Ubisoft confirmou 1080p e 30 quadros por segundo, tanto com o console conectado à TV quanto no modo portátil. Naturalmente, a experiência não tem a fluidez dos modos de 60 fps disponíveis em máquinas mais potentes, e a redução é perceptível principalmente para quem já conhece a edição de PS5. Ainda assim, reduzir a qualidade deste porte à diferença de quadros seria injusto. Motorfest continua bonito, colorido e muito competente no Switch 2.

As paisagens havaianas continuam valorizadas pela direção de arte, os veículos preservam boa apresentação e as cores ajudam a vender a atmosfera de férias permanentes. A imagem não precisa enfrentar uma comparação quadro a quadro com a dos outros consoles para se mostrar agradável. O que importa é que a sensação de participar de um festival de corrida de grande escala foi preservada, algo particularmente interessante quando pensamos na quantidade de atividades e de veículos que o jogo precisa administrar.

The Crew Motorfest Nintendo Switch 2 captura de tela oficial Nintendo 3
O Switch 2 apresenta Motorfest a 1080p e 30 fps nos modos TV e portátil, segundo os dados oficiais da Ubisoft.

Há uma satisfação especial em explorar o Havaí com o console nas mãos. Uma corrida rápida, um desafio secundário ou uma volta sem compromisso pelo mapa combinam muito bem com sessões de jogo mais curtas. Não se trata apenas de levar um grande jogo de console para uma tela menor; o ritmo de Motorfest favorece esse tipo de uso, com eventos que podem ser iniciados sem um longo compromisso narrativo. Em teoria, seria uma combinação quase perfeita.

The Crew Motorfest Nintendo Switch 2 captura de tela oficial Nintendo 4
As Playlists mantêm seu apelo no Switch 2, especialmente para sessões curtas entre uma atividade e outra.

O problema é que a Ubisoft não deixa o portátil ser portátil

Acontece que há uma contradição difícil de ignorar. The Crew Motorfest exige conexão constante com a internet mesmo quando você está jogando sozinho. O requisito existia nas outras plataformas e continua no Switch 2, mas aqui a irritação ganha uma dimensão nova. Um aparelho feito para ser suspenso, guardado e retomado a qualquer momento não deveria depender tanto de uma sessão online para deixar alguém percorrer o mapa sem companhia.

O incômodo não se limita a viajar sem Wi-Fi. Na prática, ao sair para o menu HOME e depois retornar ao jogo, a sessão pode cair e devolver o jogador à tela inicial. E isso pode acontecer mesmo quando a intenção era apenas disputar eventos single-player. O que deveria ser uma pausa rápida vira uma pequena burocracia para voltar à estrada. Num jogo de corrida tradicional para consoles de mesa, já seria um inconveniente; num híbrido cuja maior vantagem é a conveniência, é uma decisão particularmente frustrante.

The Crew Motorfest Nintendo Switch 2 captura de tela oficial Nintendo 5
Mesmo nas atividades para um jogador, a obrigatoriedade de conexão pode interromper a conveniência do modo portátil.

Não é preciso transformar isso num julgamento de todo o componente online. As Grand Races, os desafios competitivos e o conteúdo compartilhado fazem sentido dentro do festival. O problema é estender a mesma exigência às atividades que funcionariam perfeitamente sem outras pessoas. Se o Switch 2 entrar em suspensão, perder o sinal ou simplesmente não conseguir retomar a sessão, a promessa de jogar onde quiser fica condicionada à qualidade de uma conexão — exatamente o contrário do que se espera de um portátil.

Existem ainda alguns detalhes práticos a considerar. O jogo oferece progressão e salvamento compartilhados entre plataformas compatíveis(o que foi ótimo pra mim pois pude continuar meu progresso!), mas isso não transfere automaticamente as compras de DLC de outras lojas. O Switch 2 também não possui cross-play completo em todos os modos, embora compartilhe competições específicas e placares com outras plataformas. Para os modos multijogador, é necessário Nintendo Switch Online; para a experiência solo, a conta Ubisoft e a conexão com a internet continuam obrigatórias.

VEREDITO

The Crew Motorfest não perdeu o que o tornou especial em 2023. O Havaí continua convidativo, a dirigibilidade arcade diverte sem exigir grandes formalidades e a estrutura por Playlists ainda é uma maneira excelente de celebrar várias facetas da cultura dos carros. Depois de onze temporadas, há muito mais motivos para permanecer nesse universo, seja pelas novas ilhas, pelos modos adicionais ou pela quantidade enorme de veículos e desafios disponíveis.

No Nintendo Switch 2, a Ubisoft consegue preservar boa parte desse encanto em uma versão tecnicamente sólida, que trabalha a 30 fps e apresenta um visual caprichado. Para quem busca um jogo de corrida em mundo aberto para o console da Nintendo, é uma opção de peso. O único problema é que a própria Ubisoft parece não ter entendido por completo a vantagem de colocar Motorfest num aparelho portátil: exigir internet o tempo inteiro, com o risco de voltar à tela inicial depois de passar pelo HOME, compromete uma liberdade que deveria ser natural.

O resultado é um ótimo festival de corrida que cabe na mochila, desde que a mochila esteja perto de um sinal de internet. Vale a viagem, sem dúvida. Só seria melhor se pudéssemos aproveitar todo o percurso sem pedir autorização ao servidor.

David Signorelli

Posts Relacionados

Tom Clancy’s Rainbow Six Extraction

É fato que Tom Clancy’s Rainbow Six Siege foi um enorme sucesso no seu lançamento, e continua sendo até hoje.…

Hot Wheels Unleashed

Me lembro que desde a época do PlayStation 2 eu adorava os games baseados em Hot Wheels. Desde Ultimate Racing até Beat That!, eu…

Análise – Watch Dogs

Anunciado durante a E3 de 2012, como uma nova franquia da Ubisoft, Watch Dogs causou um grande barulho, mostrando gráficos nunca…

TOP