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23 de fevereiro de 2026
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Tony Hawk's Pro Shooter

É uma experiência criativa, vibrante e mecanicamente sólida que merece um lugar de destaque na sua biblioteca do Xbox. O fato de rodar de forma competente no Series S, mesmo com as concessões visuais, só mostra que o jogo foi bem otimizado para alcançar o maior número de jogadores possível.

High on Life 2

Eu estaria mentindo descaradamente se não confessasse que o meu santo não batia muito com a ideia de uma sequência para High on Life.

Agradecimentos à Microsoft pelo código. Review realizada no Xbox Series S.

O primeiro jogo foi todo construído em cima do marketing pesado em torno do nome de Justin Roiland, a mente por trás de Rick and Morty. Com a saída dele dos holofotes e o desligamento de quase todos os seus projetos anteriores, meu maior medo era que o game perdesse aquele molho especial, aquele sarcasmo ácido e o estilo visual que ele sempre imprimia. No entanto, bastou meia hora de jogatina para eu perceber que toda a minha preocupação foi pura perda de tempo. High on Life 2 não só segura o rojão como se prova uma sequência fantástica, daquelas que realmente recompensam cada segundo que você passa explorando seu universo completamente pirado.

O visual do jogo é simplesmente bizarro, no bom sentido.

Uma das coisas que mais me deixaram boquiaberto no título original foi o quão maravilhosamente bizarro e vibrante tudo parecia. Não existem muitos jogos por aí com cenários que passam essa sensação de terem sido moldados por uma criatividade tão desenfreada. High on Life 2 segue exatamente essa cartilha, tanto na parte visual quanto no gameplay, estabelecendo-se como um shooter em primeira pessoa único que consegue se destacar no meio de tanto FPS genérico que inunda o mercado hoje em dia. Até a narrativa resolveu dar um cavalo de pau em relação ao que vimos no prólogo, e eu simplesmente adorei a mudança de tom.

A sequência de abertura é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores que vi nos últimos anos. Assumimos o controle do mesmo caçador de recompensas do primeiro jogo, que agora atingiu o status de celebridade intergaláctica após desmantelar o Cartel G3. O jogo nos joga em um slideshow interativo sensacional que resume nossas aventuras recentes, que incluem desde a matança de monstros colossais até participações em talk shows e comerciais de TV ridículos. É uma avalanche de paródias uma atrás da outra, mantendo o nível de comédia lá no alto logo de cara. Mas o jogo começa de verdade quando descobrimos que nossa irmã, Lizzie, entrou para um grupo de resistência e acabou se metendo em uma enrascada das grandes, tornando-se uma criminosa procurada com a cabeça a prêmio. Ao tentarmos salvá-la, acabamos violando o código dos caçadores de recompensas e viramos fugitivos também. Agora, nossa missão é ajudar a resistência a derrubar a Rhea Pharmaceuticals, uma corporação sinistra que quer transformar a humanidade em remédio.

Dou risada sempre que vejo o nome das missões.

A história se sustenta muito bem, acompanhando nossa caçada alvo a alvo até chegarmos ao CEO da operação. O que mais impressiona é a variedade constante de situações. Em um momento estamos descobrindo os horrores de um zoológico humano e, no seguinte, estamos a bordo de um cruzeiro de luxo tentando resolver um mistério de assassinato que parece saído de um livro de Agatha Christie sob efeito de alucinógenos. O jogo nunca para de apresentar algo novo e bizarro, garantindo que o tédio passe longe da sua tela. No entanto, vale o aviso de que o humor aqui continua sendo um gosto adquirido. Se você gostou das piadas ácidas e das quebras de quarta parede do primeiro, vai se sentir em casa. Confesso que algumas piadas não bateram tão forte em mim quanto no original, mas talvez seja apenas a minha idade pesando. Ainda assim, os momentos hilários superam de longe os sem graça.

Essa diversidade toda transborda para os visuais e para a jogabilidade de forma orgânica. Passamos por cenários que não poderiam ser mais distintos entre si, como uma marina flutuante onde precisamos limpar o deck de inimigos só para conseguir uma vaga para estacionar. A base do jogo ainda é correr e atirar em alienígenas, mas as novas mecânicas dão um frescor necessário. As armas falantes estão de volta e cada uma funciona de um jeito muito específico, emulando os clássicos do gênero como escopetas e submetralhadoras, mas com habilidades especiais que servem tanto para o combate quanto para a navegação pelos mapas.

Deu vontade de jogar, né?

Minha primeira impressão com o tiroteio foi meio morna, confesso. Começamos com a Sweezy e o Gus, e no início a Sweezy parece não causar dano nenhum, fazendo os inimigos parecerem esponjas de bala. Mas essa sensação some assim que você começa a destravar o resto do arsenal e entende as sinergias. Para deixar tudo mais elétrico, o jogo introduziu o skate, que substitui o sprint tradicional e é, de longe, minha mecânica favorita. Esqueça o realismo ou câmeras que balançam e te deixam tonto; aqui o controle é arcade puro e muito fluido. Deslizar em corrimãos enquanto você detona aliens é satisfatório demais e traz uma verticalidade que o primeiro jogo não tinha. Além da pancadaria, o mundo está recheado de colecionáveis e segredos que rendem dinheiro para melhorar seu traje e suas armas, o que aumenta bastante a vida útil do game.

Agora, falando de como o pequeno gigante da Microsoft, o Xbox Series S, aguenta o tranco: o resultado é honesto, mas com ressalvas. High on Life 2 é perfeitamente jogável no console mais modesto da nova geração, só que ele exige alguns sacrifícios visuais para manter a performance estável. O jogo roda com as configurações puxando para o baixo e médio em comparação ao Series X, utilizando o FSR para dar aquele fôlego extra na resolução. O problema é que, em áreas muito abertas ou com muito caos na tela, como no Circuit Arcadia, o framerate pode vacilar e a imagem fica um pouco mais granulada do que eu gostaria. Se você prioriza a fluidez acima de tudo, desligar alguns efeitos de iluminação global ajuda a manter os 30 frames mais sólidos, embora o visual perca um pouco daquela “riqueza” de detalhes. Não é a forma definitiva de se jogar, mas para quem está no Series S, é uma entrega digna que mantém a diversão intacta.

Essas eram as caras que eu fazia quando joguei ele.

O jogo também faz o dever de casa na parte técnica e de acessibilidade. Temos controles de tamanho de legenda, ajustes para daltonismo e até opções para diminuir o balanço da câmera para quem sofre com enjoo em jogos de primeira pessoa. No fim das contas, High on Life 2 superou minhas expectativas e se provou uma sequência de respeito. Mesmo com um ou outro soluço no ritmo do combate inicial e um humor que pode não ser para todo mundo, os pontos positivos são esmagadores.

Veredito

É uma experiência criativa, vibrante e mecanicamente sólida que merece um lugar de destaque na sua biblioteca do Xbox. O fato de rodar de forma competente no Series S, mesmo com as concessões visuais, só mostra que o jogo foi bem otimizado para alcançar o maior número de jogadores possível.

David Signorelli
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