High on Life 2
Eu estaria mentindo descaradamente se não confessasse que o meu santo não batia muito com a ideia de uma sequência para High on Life.
Agradecimentos à Microsoft pelo código. Review realizada no Xbox Series S.
O primeiro jogo foi todo construído em cima do marketing pesado em torno do nome de Justin Roiland, a mente por trás de Rick and Morty. Com a saída dele dos holofotes e o desligamento de quase todos os seus projetos anteriores, meu maior medo era que o game perdesse aquele molho especial, aquele sarcasmo ácido e o estilo visual que ele sempre imprimia. No entanto, bastou meia hora de jogatina para eu perceber que toda a minha preocupação foi pura perda de tempo. High on Life 2 não só segura o rojão como se prova uma sequência fantástica, daquelas que realmente recompensam cada segundo que você passa explorando seu universo completamente pirado.

Uma das coisas que mais me deixaram boquiaberto no título original foi o quão maravilhosamente bizarro e vibrante tudo parecia. Não existem muitos jogos por aí com cenários que passam essa sensação de terem sido moldados por uma criatividade tão desenfreada. High on Life 2 segue exatamente essa cartilha, tanto na parte visual quanto no gameplay, estabelecendo-se como um shooter em primeira pessoa único que consegue se destacar no meio de tanto FPS genérico que inunda o mercado hoje em dia. Até a narrativa resolveu dar um cavalo de pau em relação ao que vimos no prólogo, e eu simplesmente adorei a mudança de tom.
A sequência de abertura é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores que vi nos últimos anos. Assumimos o controle do mesmo caçador de recompensas do primeiro jogo, que agora atingiu o status de celebridade intergaláctica após desmantelar o Cartel G3. O jogo nos joga em um slideshow interativo sensacional que resume nossas aventuras recentes, que incluem desde a matança de monstros colossais até participações em talk shows e comerciais de TV ridículos. É uma avalanche de paródias uma atrás da outra, mantendo o nível de comédia lá no alto logo de cara. Mas o jogo começa de verdade quando descobrimos que nossa irmã, Lizzie, entrou para um grupo de resistência e acabou se metendo em uma enrascada das grandes, tornando-se uma criminosa procurada com a cabeça a prêmio. Ao tentarmos salvá-la, acabamos violando o código dos caçadores de recompensas e viramos fugitivos também. Agora, nossa missão é ajudar a resistência a derrubar a Rhea Pharmaceuticals, uma corporação sinistra que quer transformar a humanidade em remédio.

A história se sustenta muito bem, acompanhando nossa caçada alvo a alvo até chegarmos ao CEO da operação. O que mais impressiona é a variedade constante de situações. Em um momento estamos descobrindo os horrores de um zoológico humano e, no seguinte, estamos a bordo de um cruzeiro de luxo tentando resolver um mistério de assassinato que parece saído de um livro de Agatha Christie sob efeito de alucinógenos. O jogo nunca para de apresentar algo novo e bizarro, garantindo que o tédio passe longe da sua tela. No entanto, vale o aviso de que o humor aqui continua sendo um gosto adquirido. Se você gostou das piadas ácidas e das quebras de quarta parede do primeiro, vai se sentir em casa. Confesso que algumas piadas não bateram tão forte em mim quanto no original, mas talvez seja apenas a minha idade pesando. Ainda assim, os momentos hilários superam de longe os sem graça.
Essa diversidade toda transborda para os visuais e para a jogabilidade de forma orgânica. Passamos por cenários que não poderiam ser mais distintos entre si, como uma marina flutuante onde precisamos limpar o deck de inimigos só para conseguir uma vaga para estacionar. A base do jogo ainda é correr e atirar em alienígenas, mas as novas mecânicas dão um frescor necessário. As armas falantes estão de volta e cada uma funciona de um jeito muito específico, emulando os clássicos do gênero como escopetas e submetralhadoras, mas com habilidades especiais que servem tanto para o combate quanto para a navegação pelos mapas.

Minha primeira impressão com o tiroteio foi meio morna, confesso. Começamos com a Sweezy e o Gus, e no início a Sweezy parece não causar dano nenhum, fazendo os inimigos parecerem esponjas de bala. Mas essa sensação some assim que você começa a destravar o resto do arsenal e entende as sinergias. Para deixar tudo mais elétrico, o jogo introduziu o skate, que substitui o sprint tradicional e é, de longe, minha mecânica favorita. Esqueça o realismo ou câmeras que balançam e te deixam tonto; aqui o controle é arcade puro e muito fluido. Deslizar em corrimãos enquanto você detona aliens é satisfatório demais e traz uma verticalidade que o primeiro jogo não tinha. Além da pancadaria, o mundo está recheado de colecionáveis e segredos que rendem dinheiro para melhorar seu traje e suas armas, o que aumenta bastante a vida útil do game.
Agora, falando de como o pequeno gigante da Microsoft, o Xbox Series S, aguenta o tranco: o resultado é honesto, mas com ressalvas. High on Life 2 é perfeitamente jogável no console mais modesto da nova geração, só que ele exige alguns sacrifícios visuais para manter a performance estável. O jogo roda com as configurações puxando para o baixo e médio em comparação ao Series X, utilizando o FSR para dar aquele fôlego extra na resolução. O problema é que, em áreas muito abertas ou com muito caos na tela, como no Circuit Arcadia, o framerate pode vacilar e a imagem fica um pouco mais granulada do que eu gostaria. Se você prioriza a fluidez acima de tudo, desligar alguns efeitos de iluminação global ajuda a manter os 30 frames mais sólidos, embora o visual perca um pouco daquela “riqueza” de detalhes. Não é a forma definitiva de se jogar, mas para quem está no Series S, é uma entrega digna que mantém a diversão intacta.

O jogo também faz o dever de casa na parte técnica e de acessibilidade. Temos controles de tamanho de legenda, ajustes para daltonismo e até opções para diminuir o balanço da câmera para quem sofre com enjoo em jogos de primeira pessoa. No fim das contas, High on Life 2 superou minhas expectativas e se provou uma sequência de respeito. Mesmo com um ou outro soluço no ritmo do combate inicial e um humor que pode não ser para todo mundo, os pontos positivos são esmagadores.
Veredito
É uma experiência criativa, vibrante e mecanicamente sólida que merece um lugar de destaque na sua biblioteca do Xbox. O fato de rodar de forma competente no Series S, mesmo com as concessões visuais, só mostra que o jogo foi bem otimizado para alcançar o maior número de jogadores possível.
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