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28 de julho de 2026
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Splatoon nunca foi tão gostoso de jogar sem depender de mais ninguém

Splatoon Raiders reinventa a fórmula multiplayer da série num modo solo (com cooperativo para até quatro) recheado de missões variadas, tanques de tinta com estilos próprios e um arsenal generoso de armas e gadgets. O único tropeço fica por conta da trilha sonora fraca, que destoa de um jogo tão caprichado num geral.

Splatoon Raiders

Se tem uma coisa que sempre incomodou quem gosta do universo de Splatoon, mas não tem paciência para enfrentar hordas de jogadores mais espertos numa arena online, é a falta de uma boa alternativa para jogar sozinho. Pois bem, meus amigos, essa reclamação pode ser riscada da lista. Splatoon Raiders chegou ao Nintendo Switch 2 para provar que a franquia da tinta também sabe se virar muito bem longe do multiplayer.

O jogo pega toda aquela base de tiro que já conhecemos das partidas online de Splatoon 3, com aquele gatilho gostoso e aquela sensação de controle impecável, e reformula tudo num formato voltado inteiramente para quem prefere encarar a aventura por conta própria (ou acompanhado de até três amigos, no modo cooperativo). O resultado agrada logo de cara, e prende ainda mais conforme os sistemas de evolução vão sendo desbloqueados.

Essa turminha é simplesmente inesquecível.

A história se passa nas distantes Ilhas Spirhalite, um cenário bem mais surrado e improvisado do que as ruas coloridas que a série costuma mostrar. Você entra na pele de um mecânico sem nome que trabalha para o trio Deep Cut, aqueles mesmos apresentadores de TV que conhecemos de Splatoon 3, que aparentemente também têm um pé no mundo da caça ao tesouro. Depois de uma expedição que dá muito errado, o grupo acaba preso numa jangada, e cabe a você catar recursos e improvisar equipamentos para tirar todo mundo dali.

Aqui está sua base de operações que pode se tornar gigante.

Essa jangada, aliás, é um dos grandes charmes do jogo. Ela funciona como base entre uma missão e outra, e pode receber toda sorte de melhoria, de bancadas de aprimoramento a um estande de tiro para treino, passando até por um fliperama com minigames em pixel art que dá aquele gostinho de nostalgia. Ver aquele amontoado de caixotes e sucata virar, aos poucos, uma base completa e funcional é extremamente satisfatório, e funciona como um empurrãozinho e tanto para continuar jogando.

Hora de dar aquele tapa no visual.

As missões, por sua vez, são divididas em três formatos principais. Tem os covis, mais curtos e diretos, em que o desafio é sobreviver a ondas de inimigos contra o relógio. Tem as expedições, mapas bem maiores e mais abertos, recheados de baús de tesouro escondidos. E tem as masmorras, mais fechadas e cheias de quebra cabeça, que de quebra ainda servem para ensinar as manhas de armas e habilidades novas. Poderia soar repetitivo depois de algumas horas, mas cada fase esconde uma variação que impede o jogo de cair na mesmice, seja um covil lotado de inimigos que espalham limo tóxico pelo chão, seja uma expedição que de repente surpreende com uma sequência de plataforma cronometrada!

Ah, o doce prazer de ver números voando pela tela… cadê fãs de RPG?

Um dos momentos mais gostosos da experiência é o editor de personagem, que deixa escolher entre um Inkling ou um Octoling como protagonista, com uma quantidade generosa de rostos, penteados e roupas para desbloquear. É o tipo de detalhe que faz toda diferença na hora de jogar em grupo, já que dá vontade de caprichar no visual antes de sair para o cooperativo com os amigos.

Não deixe de explorar bem a customização dos Gadgets!

Na hora de partir para o combate, o jogador escolhe entre três tanques de tinta, que funcionam como classes de personagem. Um é focado em dano bruto e ataques pesados, outro em velocidade e mobilidade, e o terceiro em ataques à distância mais cautelosos. Cada tanque tem seu próprio catálogo de gadgets para desbloquear, e o jogo é esperto ao incentivar o jogador a rodar entre os três, já que algumas recompensas de missão só aparecem dependendo de qual tanque está em uso. Pode incomodar quem já bateu o olho no favorito, mas rapidamente fica claro que os três têm personalidade própria e valem a pena ser explorados.

Mesmo sob intenso ataque inimigo, não deixe de observar o cenário para poder achar um respiro!

O arsenal também impressiona pela variedade. São onze tipos de arma disponíveis, todos familiares para quem já colocou a mão em Splatoon 3, do rifle de longo alcance à pistola ágil, passando pelos baldes que espalham tinta em área. Cada uma tem seu próprio jeito de jogar, e ir avançando pelas missões mais difíceis garante equipamentos cada vez mais poderosos, o que mantém o ritmo lá em cima o tempo todo. Do outro lado da trincheira estão os Salmonídeos, velhos conhecidos do modo Salmon Run, agora reforçados com variedades inéditas capazes de surpreender até quem já é veterano nessa pescaria.

Carisma absoluto.

Vale mencionar também que o jogo oferece alguns ajustes de dificuldade e opções de acessibilidade, como inversão de analógicos, mira por movimento e a possibilidade de travar a cor da tinta em azul ou roxo para facilitar a visualização durante o caos das batalhas. Nada revolucionário, mas ajuda bastante quem precisa desse tipo de ajuste.

Quem escreve aqui encarou quase vinte horas de campanha no modo portátil(umas 5 na dock também), usando os Joy-Con 2 e o alto falante do próprio console, e viu os créditos subirem depois de encarar praticamente toda missão disponível na dificuldade padrão, além de arriscar umas boas rodadas no cooperativo online. E olha, mesmo depois de fechar o jogo, ainda bate aquela vontade de voltar para desbloquear mais um gadget ou terminar de equipar a jangada.

VEREDITO

Se existe um único deslize em toda essa festa, é a trilha sonora, que infelizmente é apagada e repetitiva, e acaba passando batido em meio à correria das missões. É uma pena, porque um jogo com tanto capricho no visual e na jogabilidade merecia um acompanhamento sonoro à altura. Fora esse detalhe, Splatoon Raiders é daqueles lançamentos que todo dono de Switch 2 devia correr para conferir, principalmente quem sempre quis conhecer o universo da tinta sem precisar suar a camisa contra outros jogadores.

David Signorelli
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