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3 de abril de 2025
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Estamos presos em um planeta totalmente diferente, sem paz olhando para o céu

Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition é muito mais do que um simples port, e há novidades suficientes para justificar uma nova compra – mesmo para aqueles poucos que ainda jogam a versão de Wii U. Para quem nunca jogou, basta saber que este é um dos épicos de ficção científica mais grandiosos disponíveis no Switch. Embora eu ainda prefira a profundidade narrativa e a estética mais voltada para fantasia da trilogia principal, é impossível não se maravilhar ao explorar este mundo vasto, rico e único.

Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition

Xenoblade Chronicles X foi, sem dúvida, o jogo mais ambicioso a chegar ao Nintendo Wii U (alguns podem argumentar que esse título pertence a Breath of the Wild, mas a maioria das pessoas o considera um jogo do Switch e se esquece da versão para Wii U… enfim!).

Trata-se de um jogo de mundo aberto gigantesco, com uma premissa épica de ficção científica, e é impressionante o que a Monolith Software conseguiu extrair do hardware. Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition no Nintendo Switch é… bem, o mesmo jogo. Melhorado e refinado, mas ainda essencialmente o mesmo.

Primordia é o primeiro continente que você irá explorar no planeta Mira.

A Definitive Edition apresenta modelos de personagens aprimorados e mais detalhes no mundo do jogo, embora seja necessário comparar lado a lado com a versão original para notar as diferenças. Algo importante a mencionar, no entanto, é que essa é uma experiência que funciona melhor no modo docked (com o console na base). Na tela pequena do Switch no modo portátil, o jogo pode parecer um tanto sobrecarregado visualmente, e eu nunca encontrei um equilíbrio perfeito entre aproximar a câmera para apreciar a arte e os detalhes ou afastá-la para manter a jogabilidade clara, sem perder de vista os personagens e a ação.

Para citar alguns exemplos das melhorias implementadas na Definitive Edition: agora você pode mudar o horário do jogo a qualquer momento, sem precisar esperar o tempo passar para cumprir missões ou eventos dependentes do ciclo diurno. Além disso, é possível alternar entre os membros do grupo quando quiser, enquanto antes era necessário retornar à base para isso. Todos os personagens da equipe ganham pontos de experiência, independentemente de estarem ativos na batalha ou não, eliminando a necessidade de treinar separadamente cada um que você queira usar. No combate, os tempos de recarga e o uso estratégico de habilidades foram melhorados com um novo recurso chamado quick recast, que acelera ainda mais as batalhas e evita momentos de espera para as habilidades serem reutilizadas.


Mais conteúdo para explorar

Falando em personagens, há alguns novos e também trechos narrativos adicionais para acompanhá-los. Isso é ainda mais impressionante considerando que a versão original de Xenoblade Chronicles X já contava com cerca de 20 personagens jogáveis. Além disso, foram adicionados novos inimigos para enfrentar e alguns mistérios extras a serem resolvidos. Essencialmente, para os fãs que já conhecem o jogo, essa não é apenas uma conversão simples — todas as adições foram bem pensadas, enriquecem a experiência e justificam uma nova jornada. Para os novatos, um jogo que já era gigantesco ficou ainda maior. E vale lembrar que a campanha principal já levava cerca de 70 horas para ser concluída, sem contar a exploração total de todos os seus conteúdos.

Elma ficou bem mais bonita aqui nessa versão!

Para quem nunca jogou Xenoblade Chronicles X, a premissa pode soar familiar, mas é uma excelente história de ficção científica: a Terra foi destruída por espécies alienígenas que escolheram o nosso planeta como campo de batalha. Antes que a humanidade fosse completamente extinta, os últimos sobreviventes fugiram em gigantescas naves espaciais, escapando do conflito e buscando um novo lar. No entanto, uma dessas naves acaba sendo atacada e cai em um planeta desconhecido (um baita azar), e é aqui que a história de Xenoblade Chronicles X começa: com a humanidade dando seus primeiros passos nesse novo mundo e tentando sobreviver em um ambiente alienígena e bastante hostil.


Um épico de ficção científica – mas menos profundo

Sem entrar em muitos spoilers, o tema central de Xenoblade Chronicles X envolve conceitos metafísicos comuns a grandes histórias de ficção científica: o que significa ser humano, questões sobre tempo e espaço, a relação entre humanidade e entidades mecânicas, entre outros tópicos. Agora que temos toda a trilogia Xenoblade Chronicles disponível (na época do lançamento original, só existia Xenoblade Chronicles 1), fica claro que este jogo funciona quase como uma coletânea de algumas das ideias mais intrigantes e filosóficas da franquia.

O problema é que, comparado aos outros jogos da série, Xenoblade Chronicles X acaba apresentando essas temáticas de maneira mais superficial — e eu culpo o seu mundo aberto por isso. Enquanto Xenoblade Chronicles 1, 2 e 3 eram experiências grandes e “abertas”, eles ainda seguiam uma progressão linear, o que permitia que os desenvolvedores controlassem o ritmo da narrativa. Já em Xenoblade Chronicles X, o formato de mundo aberto reduz esse controle sobre a experiência do jogador, tornando a abordagem dos temas menos aprofundada. Jogos de mundo aberto são excelentes para proporcionar exploração e aventura, mas não são os melhores quando se trata de contar histórias densas e filosoficamente complexas.

Com certeza você será esmagado como uma formiga se tentar enfrentar esse carinha.

Dito isso, não significa que a narrativa seja rasa – longe disso! Na verdade, pode-se argumentar que até o título “menos profundo” da série Xenoblade ainda é mais tematicamente denso do que 99% dos jogos por aí. Por exemplo, na análise da versão original para Wii U, eu comentei sobre a maneira como a humanidade trata os Nopon, uma espécie nativa do planeta. Eles são constantemente ridicularizados por se parecerem com vegetais, e as piadas sobre transformá-los em comida podem parecer inofensivas, até que percebemos que a humanidade está, na prática, se comportando como uma praga para o ecossistema do planeta. Apesar de não ter sido uma invasão intencional, o jogo poderia ter explorado mais esse dilema ético e suas implicações.


Um mundo rico e um combate envolvente

Há também uma raça alienígena hostil no planeta, determinada a exterminar os humanos. No início, a recusa deles em dialogar e sua insistência de que a humanidade é uma praga no universo lembra um pouco os Reapers da franquia Mass Effect. Esse mistério inicial foi o suficiente para me manter interessado na narrativa, embora as revelações finais não sejam tão impactantes quanto o conceito filosófico dos Reapers.

E isso é apenas um exemplo. O jogo também toca em temas como religião e inteligência metafísica – marcas registradas da série Xeno. Mesmo em um formato de mundo aberto, Xenoblade Chronicles X chega perto de proporcionar a profundidade intelectual da franquia.

Simplesmente tudo que tem robôs gigantes é melhor.

No que diz respeito ao gameplay, o combate será familiar para qualquer um que já jogou a trilogia principal. Ele utiliza um sistema de batalha similar ao de MMOs, onde posicionamento e escolha estratégica de habilidades são fundamentais. A adição dos Skells (robôs gigantes) torna tanto o combate quanto a exploração mais dinâmicos. É um sistema envolvente, mas requer afinidade com mecânicas de MMO para ser plenamente aproveitado.


VEREDITO

Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition é muito mais do que um simples port, e há novidades suficientes para justificar uma nova compra – mesmo para aqueles poucos que ainda jogam a versão de Wii U. Para quem nunca jogou, basta saber que este é um dos épicos de ficção científica mais grandiosos disponíveis no Switch. Embora eu ainda prefira a profundidade narrativa e a estética mais voltada para fantasia da trilogia principal, é impossível não se maravilhar ao explorar este mundo vasto, rico e único.

David Signorelli

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