Análises

Nelke & The Legendary Alchemists ~Ateliers of the New World~ – Análise

8.5
Um Atelier diferentão
Ótima pedida para fãs da série Atelier e também para aqueles que curtem jogos de simulação. Um sistema robusto de criação de cidades, personagens carismáticos e longevidade enorme, Nelke é bom demais!

A desenvolvedora Gust em comemoração aos 20 anos da sua franquia Atelier, lançou um jogo bem diferente do que os vistos nos jogos da série até então. Nelke & The Legendary Alchemists traz uma proposta que mais lembra um Sim City e por mais estranho que isso pareça, ainda fica presente o sentimento que estamos jogando um Atelier.

SEMENTES DE UM SONHO

A personagem principal do jogo se chama Nelke von Luchetam e dá o nome ao jogo. Ela é filha de um nobre admirado pelos sábios e não tem talento com alquimia, mas ela se torna a diretora da remota região de Vestbalt em nome do seu pai e é designada com a missão de desenvolver economicamente essas terras.

Nelke inicia sua jornada junto de Misty, uma empregada que trabalha para ela. Não só ela é hábil nos deveres básicos de trabalho doméstico de uma empregada, mas ela também possui as habilidades para lutar como guarda-costas. Ela tem uma personalidade legal e dificilmente mostra emoção. Ela tem uma língua afiada e fala logicamente com indiferença.

Logo de cara já dá para perceber que elas cresceram juntas, com uma completando as frases da outra e coisas assim. Bem no início do jogo, ao ver que elas estão chegando em Vestbalt, Nelke comenta para Misty que existe um outro motivo para terem vindo até essa região, o motivo é encontrar a Sage’s Relic que por alguma razão Nelke demonstra uma vontade enorme de obtê-lo.

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Já instaladas em Vestbalt, conforme os dias vão passando, Nelke vai encontrando diversos personagens de outros jogos da série que, por uma obra do destino, acabam aparecendo na frente dela. Sem sombra de dúvidas uma das partes mais legais desse jogo é justamente reencontrar personagens queridos de outras aventuras, dando mais uma chance de poder vê-los novamente. Isso sem contar os personagens de jogos que nunca saíram no ocidente como Marie, de Atelier Marie, o primeiro jogo da série, dando a nós pelo menos uma pequena chance de ver esses “desconhecidos” em ação.

Os eventos que acontecem são super divertidos, grande maioria sendo bem leve com um humor gostoso e o desfecho dessa longa aventura mostra o carinho que a Gust teve com o universo criado por ela. Nelke em especial foi uma surpresa enorme, ficando lado a lado com as minhas favoritas de todos os tempos, Ayesha e Totori.

A LUZ QUE SE ABRIU

Nelke não funciona como um jogo da série principal, é um spin-off com foco em construção de cidade, gerenciamento de recursos e exploração. Parece super complicado, mas não é. O jogo rola em 100% através de menus, em momento algum iremos controlar diretamente um personagem e já adianto que se isso for um empecilho para você, realmente ficaria difícil recomendar Nelke.

Enfim, aqui nós precisamos expandir as terras de Vestbald e com ajuda de amigos, dinheiro e organização tudo será possível! No início nós temos acesso a um pequeno território onde ficará a critério do jogador estabelecer seu comércio inicial, afinal tudo vai depender do sucesso da economia para o crescimento da região.

Com ajuda de um excelente tutorial, em pouco tempo já temos em mãos uma mini-cidade, com ateliers, lojas e áreas de cultivo. Os alquimistas que iremos encontrar com o tempo serão o ponto chave de tudo, sendo essa parte a que mais irá lembrar os jogos antigos, portanto coloque essa galerinha para trabalhar.

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Nem sempre o que a cidade produz será o suficiente e com isso teremos que explorar territórios próximos. Nessa parte que entrará o sistema de batalha e exploração de Nelke. A fim de construir com sucesso uma nova cidade, Nelke será encarregada de se aventurar nas terras vizinhas de Vestbald para encontrar matérias-primas; perfeito para confiar a um dos alquimistas da cidade para sintetizar em mercadorias vendáveis.

Uma equipe de aventura de até cinco personagens de toda a série Atelier(claro que você precisará conhecer eles antes) será formada antes de iniciar uma rota de investigação, com cada membro do grupo desempenhando um papel: Ataque ou Suporte.

Durante uma investigação, os jogadores precisarão estar atentos ao Action Gauge. Percorrendo uma área muito rápida não só diminuirá rapidamente o medidor, mas há o risco de perder itens e terminar a exploração com menos recompensas. O medidor de ação também é usado para eventos de campo especiais em que as equipes de investigação pesquisarão itens exclusivos essenciais para o sucesso, como uma escavadeira ou uma rede de pegar insetos, clássicos da série.

A exploração vem com sede de perigo, no entanto. Enquanto se aventuram em várias rotas investigativas, os jogadores encontrarão inimigos perigosos que devem ser derrotados para prosseguir. Utilizando uma gama habilidades diferentes, os jogadores irão reduzir a barra de HP do inimigo durante seu tempo no Medidor de Turno.

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À medida que as habilidades de ataque e suporte são usadas, o Burst Gauge é preenchido gradualmente, permitindo que os personagens executem uma habilidade mais poderosa, derrubando inimigos com um golpe prejudicial ou usando o novo poder para aumentar a defesa. Além disso, cada personagem terá seu próprio Medidor de Movimento, um medidor que será preenchido pelos dois ataques e pelo uso do Medidor de Burst.

Apesar de existir poucas oportunidades livres de combate, é sempre divertido encarar os monstros usando nossos personagens favoritos da série e cada um mantendo sua forte personalidade até nos ataques especiais.

Quando você se pega “preso” nesse loop de atividades, meu amigo… é difícil parar, Nelke é muito viciante e ouso falar que é um dos melhores jogos que já joguei nesse gênero e isso desconsiderando totalmente o fato de ser um fã de Atelier.

DO JEITO QUE COSTUMAVA SER

Nelke ainda utiliza a mesma engine dos jogos mais recentes da série e só se destaca tecnicamente mesmo durante as batalhas, com alguns efeitos bacanas, fora isso é um jogo que mais valoriza a arte. Gosto sempre de salientar nas minhas análises a parte da interface de menus, ainda mais se tratando de RPGs.

Apesar de não ser um RPG como os demais Atelier, Nelke é um jogo 100% menus e imagina só se eles forem lentos, feios e pouco práticos… um horror, certo? Exatamente. Por sorte, não é o caso, a Gust focou em trazer menus eficientes e acertou em cheio, é tudo super rápido e bem explicado.

As artes são lindas, Nelke tem um visual muito charmoso e os demais personagens mantêm o estilo predominante de sua época, lembrando um pouco o que a Banpresto faz com a série Super Robot Wars.

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Mais linda ainda é a tal da dublagem. Possuindo somente áudio em japonês, mesmo aqueles que tem um pouco de aversão a dublagem japonesa, vai acabar se rendendo com a emoção transmitida por esses atores. Pessoalmente acho que perdi de não ter jogado os outros jogos da série com áudio original, bem, achei uma boa desculpa para jogá-los novamente!

O tema do jogo, Alchemia, é maravilhosa e as demais músicas são excelentes, tanto as originais quanto as remixadas de jogos anteriores, eu quase chorei quando ouvi Flask Boy de Atelier Iris(o primeiro jogo que joguei da série) remixada ao encontrar com Klein. Bem, em matéria de música o Gust Sound Team nunca decepciona.

A GAROTA DO CHAPÉU

Nelke é uma excelente pedida para fãs da série Atelier e também para aqueles que curtem mais jogos de simulação. Com um sistema robusto de criação de cidades, personagens super carismáticos e uma longevidade enorme (um dos mais longos da série), Nelke é bom demais! Agora me deixa cuidar da minha Vestbald porque ela ainda não se cuida sozinha, até a próxima pessoal.

Pros

  • Sistema bem elaborado de criação de cidades, com tutoriais que explicam tudo nos mínimos detalhes
  • Combate e exploração na medida certa, dando um ritmo de jogo viciante

Cons

  • O nível de produção poderia ser maior, ainda existem muitos diálogos sem voz
  • Faltou pelo menos uma maneira de andar com Nelke
David Signorelli

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