Review | Yoshi and the Mysterious Book é uma das aventuras mais criativas da Nintendo
Yoshi and the Mysterious Book é exatamente o tipo de jogo que consegue surpreender mesmo quando parece familiar. Sim, ele entrega tudo aquilo que se espera de uma aventura estrelada pelo simpático dinossauro da Nintendo: uma experiência acessível, descontraída e repleta de personagens carismáticos. Ao mesmo tempo, porém, existe aqui uma forte veia de exploração e resolução de enigmas que transforma cada página da aventura em algo especial. O resultado é um jogo que soa ao mesmo tempo tradicional e completamente novo, figurando entre os plataformas mais criativos já lançados pela Nintendo.
Embora o nome de Yoshi esteja estampado na capa, a aventura começa de forma bastante curiosa. Tudo tem início quando Bowser Jr. encontra um livro misterioso na biblioteca de seu pai. Após ler sobre algumas criaturas descritas em suas páginas, ele decide partir em busca de uma delas utilizando seu inseparável Clown Car. O plano, entretanto, dá errado quando ele acaba sendo sugado para dentro do próprio livro, deixando o artefato para trás.

É então que os Yoshis entram em cena e conhecem o peculiar Mister Encyclopedia, ou simplesmente Mr. E. O personagem explica que o livro registra informações sobre inúmeras criaturas, mas há um problema: ele não consegue ler a si mesmo. Com seus registros desaparecidos, cabe aos Yoshis explorar cada página da obra e recuperar as descobertas perdidas.
Explorando uma enciclopédia viva
Esqueça a estrutura tradicional baseada em mundos e fases. Em Yoshi and the Mysterious Book, tudo gira em torno do conceito do livro. Cada capítulo representa um bioma diferente, enquanto as fases funcionam como entradas de uma enciclopédia viva. Utilizando o monóculo de Mr. E como uma espécie de lupa, o jogador examina as páginas e é transportado diretamente para dentro delas.

Algumas criaturas são amigáveis. Outras simplesmente ignoram a presença do herói. Há também aquelas que representam uma ameaça. O objetivo, porém, não é apenas chegar ao final de uma fase. Em vez disso, a missão consiste em descobrir novas informações sobre cada criatura através de interações específicas. Cada descoberta registrada ajuda a preencher os artigos da enciclopédia e rende estrelas, recurso fundamental para desbloquear novos capítulos e expandir a aventura.
Experimentação é a chave
É justamente essa liberdade de experimentação que torna a experiência tão fascinante. Nem sempre a solução é óbvia. Naturalmente, uma das primeiras coisas que qualquer jogador tentará fazer é usar a clássica língua de Yoshi nas criaturas encontradas pelo caminho. Montá-las, carregá-las ou aplicar um Ground Pound também faz parte dos testes iniciais.

Mas o jogo vai além. Em muitos casos, será necessário conduzir personagens para locais específicos, provocar encontros entre criaturas diferentes ou criar situações bastante particulares para revelar novas informações. Cada criatura funciona como um pequeno quebra-cabeça, incentivando a curiosidade do jogador a todo momento.
Um mundo que cresce junto com o jogador
O que torna a experiência ainda mais interessante é a forma como ela evolui constantemente. Cada bioma costuma apresentar uma ou duas criaturas logo de início, mas muitas outras só aparecem conforme o jogador avança em suas pesquisas.

A chegada desses novos habitantes frequentemente altera fases já exploradas, adicionando encontros inéditos e novas possibilidades de interação. Isso faz com que revisitar áreas antigas seja não apenas útil, mas extremamente recompensador.
Para evitar frustrações, o jogo conta ainda com um eficiente sistema de dicas. Além das pistas obtidas através das estrelas coletadas, uma curiosa criatura feita de tinta orienta o jogador para personagens que ainda possuem segredos a revelar. Graças a esses recursos, é difícil sentir-se perdido ou deixar passar algo realmente importante.
Narrativa simples, mas eficiente
Outro ponto que surpreende é a forma como a narrativa se integra naturalmente à proposta. Embora a aventura tenha um forte foco na descoberta de criaturas, os encontros com Bowser Jr. e Kamek ajudam a movimentar a trama e, ao mesmo tempo, aprofundam o conhecimento sobre os personagens que protagonizam cada capítulo.
Dessa forma, a história não apenas avança, mas também apresenta novos desafios e oportunidades de aprendizado.
Um espetáculo visual
Se existe algo capaz de competir com a criatividade da jogabilidade, é o visual. Yoshi and the Mysterious Book entra facilmente para a lista dos jogos mais bonitos já produzidos pela Nintendo.
Cada cenário parece saído diretamente de um livro infantil cuidadosamente ilustrado, enquanto as criaturas esbanjam personalidade em cada movimento. As animações merecem destaque especial: em diversos momentos, a movimentação dos personagens lembra produções em stop motion, transmitindo a sensação de que tudo foi animado quadro a quadro com extremo cuidado.

O resultado é um espetáculo visual constante, repleto de charme, vida e expressividade. É o tipo de jogo que frequentemente faz o jogador parar apenas para admirar o trabalho artístico apresentado na tela. Melhor ainda: toda a aventura conta com localização completa em português do Brasil, permitindo que jogadores brasileiros aproveitem diálogos, descrições e mecânicas sem qualquer barreira de idioma.
Liberdade para jogar do seu jeito
A estrutura aberta também merece elogios. Como a obtenção de estrelas acontece de maneira bastante generosa, é possível desbloquear diversos capítulos em um curto espaço de tempo.

Durante esta análise, por exemplo, a decisão foi explorar ao máximo o primeiro bioma antes de seguir adiante. O resultado foi a liberação antecipada dos capítulos seguintes, permitindo escolher livremente quais criaturas investigar primeiro. Essa sensação de liberdade torna a experiência ainda mais envolvente e incentiva a exploração constante.
Veredito
Yoshi and the Mysterious Book não é apenas um plataforma diferente. Sua proposta experimental faz com que ele pareça um gênero completamente novo em alguns momentos. A ideia de entrar e sair das fases para descobrir novos comportamentos e características das criaturas funciona muito bem, especialmente porque cada uma delas representa um pequeno quebra-cabeça próprio.
Com exploração recompensadora, uma estrutura inteligente, localização completa em português do Brasil e um dos visuais mais impressionantes já vistos em um jogo da Nintendo, a aventura entrega uma sensação genuína de descoberta do início ao fim.
Criativo, relaxante e absolutamente encantador.
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